sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tão perto, tão longe

Não é de hoje que percebo o Pedro com o olho comprido, triste e confuso quando se depara com uma pessoa na rua pedindo dinheiro ou comida. Se for uma criança, ele fica ainda mais confuso. Ele segue em frente, mas seu olhar continua acompanhando o pedinte e tentando entender esta realidade tão dura, que faz de uma criança como ele um ser tão diferente e incompreensível. Esta situação me dá dó. Dele e do menino da rua. Os dois, cada um a seu jeito, sofrem com a desigualdade que existe em nosso país. Mas não me permito ceder à tentação de mãe de tentar poupá-lo deste sofrimento. Muita gente me pergunta se não é cedo demais para explicar a ele a pobreza e a miséria que parte de nossa população sofre. Eu acho que não. Não quero que o Pedro e o Antônio cresçam indiferentes a esta realidade. Sei que vão sofrer, mas é inevitável. Só tento evitar que eles, em sua lógica infantil, achem que dinheiro compra felicidade e todos os pobres são infelizes. Isso não é verdade. A infelicidade está na miséria. Para dar mais elementos para o Pedro entender esta complicada equação social que coloca uns lá em cima e outros lá em baixo resolvi apresentar a ele Ponto de Vista, de Ana Maria Machado, com ilustrações de Ziraldo, editado pela Melhoramentos. Eu já vinha paquerando este livro há tempos, mas achava cedo para ele entender o que até hoje eu me pergunto a razão. Agora acho que está na hora. Vou ler para o Pedro hoje à noite e depois conto como foi que ele recebeu a história do encontro de um menino da favela e de um menino do asfalto.

Um comentário:

Milena disse...

Oi Lu!!

Concordo plenamente com seus comentários!! Vou comprar este para Malu!!
bjs