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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um menino travesso apaixonado pelo Pequeno Nicolau

Aqui em casa muita coisa mudou com a chegada de fevereiro. O Pedro fez 10 anos, passou para o quinto ano e, por isso, para o turno da manhã da escola. Isso significa muito, apesar de parecer pouco. Significa que temos que acordar diariamente às 6h10 e dormir antes das 22h. Significa adiantar mais uma vez meu relógio biológico, que, por anos, acostumou-se a desligar altas madrugas e religar quase no meio do dia. O primeiro impacto da maternidade já me fez dormir por volta de meia noite para acordar entre 8h e 9h. Agora, mais uma vez, uma mudança. Uma mudança que, além de estar me matando de cansaço, está fazendo com que eu e os meus meninos não tenhamos mais nossas leituras noturnas. O Pedro quase nunca quer ouvir histórias quando deita na cama, exausto de um dia cheio, e dorme quase instantaneamente. O Antônio quer suas histórias, mas nem sempre dá tempo de lê-las. Isso me entristece, afinal, ler para eles sempre foi um prazer. Olho na estante, esquecidos, livros da série do Pequeno Nicolau, de Goscinny e Sempé, que voltaram a encantar o Pedro, e me pergunto quando vamos retomá-los. Sua alma de menino travesso ri ao ouvir as maluquices de Nicolau. Não a toa ele me pediu para comprar os livros que faltavam para que nós completássemos a série e me confessou que vai  ficar muito triste quando lermos o último. Temos como alento o fato de ainda faltar ler dois dos cinco títulos editados pela Martins Fontes e cinco dos oito, da Rocco Jovens Leitores. E o Pedro continua curtindo a leitura e descobrindo que o Nicolau vai poder seguir com ele pela vida, assim como segue com o João Pimentel, um amigo nosso quarentão, que é mais um apaixonado pelo menino criado por Goscinny e Sempé. Na noite de sexta passada, eu e o Cadoca, já da porta, o vimos sentar-se na cama para ler sozinho Os vizinhos do Pequeno Nicolau, da Rocco Jovens Leitores. Ficamos felizes de ele ter tomado essa iniciativa. Mas sabemos que isso não se repete todos os dias e eu queria poder, por algum tempo mais, garantir o rico universo de histórias para meu filho mais velho. Pro Antônio, ainda pequetito, e começando a decifrar as primeiras letras, isso é um compromisso que volta a valer, assim que eu me habituar ao novo horário. Palavra de mãe!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A alegria de ser criança

Descobri O pequeno Nicolau com o maravilhoso filme de Laurent Tirard. Ri muito e saí do cinema de alma lavada e certa de que meu filho, Pedro, iria adorar a divertida turma do Nicolau. Minha mãe se encarregou de levá-lo para ver o filme, junto com o Antônio, que, com apenas três anos, está sempre mais interessado na pipoca, no mate e nas balas, com que se delicia nas duas horas de projeção, do que na história. Não raro, no meio do filme, pede para ir ao banheiro descarregar tanta informação. Já o Pedro, como eu previra, amou a história. Amou tanto que comecei a ler com ele o primeiro livro da série escrita por René Goscinny e ilustrada por Jean-Jacques Sempé. A gente está terminando o primeiro dos seis livros da série traduzidos e editados no Brasil pela Martins Fontes e pela Rocco Jovens Leitores. Nicolau é um daqueles personagens que encarnam um ideal de infância que o mundo moderno está soterrando com tantas e variadas informações e opções de consumo. É uma criança deliciosa em sua irresponsabilidade e ingenuidade e suas aventuras são pontuadas com os desenhos em bico de pena de Sempé, quem, na realidade, pariu o menino nos idos de 1950. Nicolau foi, em seus primeiros dias, um dos personagens do cartunista e só passou a protagonista depois que René Goscinny,  autor do delicioso Axterix, propôs uma parceria a Sempé. Assim surgiram Nicolau e seus amigos. Alceu, o comilão, que conquistou o Pedro por sua semelhança com o Antônio, Clotário, o pior aluno da classe, Agnaldo, o queridinho da professora, Godofredo, o filho do milionário, e outras crianças. O resultado da soma de todas, tirada uma média ponderada, se parece muito com os nossos filhos. Uma turminha que apronta e nos faz rir de chorar, nos impedindo de esquecer de vez a alegria de ser criança.