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quinta-feira, 17 de março de 2011

Viva a Biblioteca de Santa Teresa!

Queridos amigos,
   Ontem, por e-mail, a  Sra. Leda Fonseca, da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, disse que a  informação do fechamento da Biblioteca Popular de Santa Teresa era um mal entendido, que mandaria hoje uma pessoa da Secretaria de Cultura para a biblioteca a fim de esclarecer a situação.
    Acabei de chegar da biblioteca. A Sra. Josefa Antônia Padrão Coutinho, gerente das Bibliotecas Populares da Secretaria de Cultura do Município do Rio de Janeiro, esclareceu que o 2º artigo do Decreto Municipal 33444, do dia 28 de fevereiro de 2011, que diz “A Biblioteca Popular Municipal de Santa Teresa passa a denominar-se, Biblioteca Escolar Municipal do Dique – José Lins do Rego”, é para ser interpretado como a transferência de cargo da Diretora da Biblioteca Popular de Santa Teresa para a Biblioteca Escolar Municipal do Dique, que fica no Jardim América.
    Esclareceu ainda que a Biblioteca de Santa Teresa continua integrando o quadro da Secretaria de Cultura. Ela vai entrar em reformas, e durante as obras o acervo vai ser transferido para o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, que fica ao lado, e os serviços não irão ser interrompidos, inclusive as aulas de inglês. Houve uma falha na comunicação dada aos funcionários, mal entendidos, mas que em nenhum momento foi dada a ordem para eles recolherem o acervo.
   Essas são as notícias oficias que recebi pessoalmente de uma represente legal da Secretaria de Cultura e transmito a vocês.
  A comunicação humana não é feita só de palavras explícitas, é também feita através dos olhares, palavras não ditas ou soltas no ar, gestos e entonações. Não sei o que fez o Sr. Eduardo Paes assinar um decreto tão mal redigido, e  gerar tantos “maus entendidos”, mas meu sentimento me diz que nossa biblioteca esteve na beira do abismo, e temos que vigiar para que ela se afaste bem dele.
  Agradeço a Sra Leda Fonseca e a Sra. Josefa Antônia Padrão Coutinho pela gentileza e presteza com que trataram o caso, a Leonor Werneck por ter feito o contato e a todos os moradores e amigos de Santa Teresa e dos livros por terem se manifestado diante da ameaça de extinção da Biblioteca de Santa Teresa.
    Abraços,
    Paloma
PS: Dúvidas respondidas, que assim seja. Vida longa para a Biblioteca de Santa Teresa!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Em defesa da Biblioteca Municipal de Santa Teresa

     Queridos vizinhos,
Não sei se vocês já têm ciência do Decreto Municipal 33.444, de 28 de fevereiro de 2011, que extingue nossa querida biblioteca de Santa Teresa e transfere todo o acervo para uma biblioteca já existente no Jardim América. Trata-se presumivelmente de um ato de contenção de custos, que traz em seu bojo um indício do total descaso pelo nosso bairro e seus moradores.
Há anos sou leitora assídua da Biblioteca de Santa Teresa, ela faz parte da minha história, como faz parte também da história de muitos de vocês.
Tenho dois filhos, com cinco anos de diferença entre eles. Outro dia fui com a minha filha pegar um livro e passeando entre as prateleiras, dei de cara com Fábulas Italianas, de Ítalo Calvino.
- Vamos pegar esse livro - disse a ela, lhe mostrando a capa.
- Esse não tem figuras – ela me respondeu, fazendo uma carinha de desagrado.
- Mas é maravilhoso! Você vai ver!
Quando fui preencher a ficha de empréstimo, vi nela minha assinatura, de cinco anos atrás, e disse.
- Olha filha, eu peguei esse livro para o seu irmão, quando ele tinha a sua idade, e ele adorou.
De noite, contei uma fábula italiana para minha filha e contei outras nas noites seguintes. Quando acabou, voltamos na biblioteca, devolvemos o livro e fomos escolher outro, e ela me disse:
- Ah, mãe, vamos pegar outras fábulas italianas.
- Mas você não quer um livro com gravuras dessa vez?
- Não. Sem gravuras eu posso usar a imaginação.
Essa foi uma das minhas histórias vividas na biblioteca, foi com um livro de lá que minha filha aprendeu a abrir sua mente para a imaginação, como meu filho já havia aprendido um dia,com o mesmo livro, que fica lá na prateleira da biblioteca, disponível, contendo todo um mundo dentro de suas páginas, esperando que mais alguém compartilhe da maravilhosa experiência de ser leitor.
        Amigos, a nossa biblioteca foi a única a ser extinta e seu acervo vai integrar uma biblioteca já existente. Neste momento o acervo está sendo catalogado, mas ainda não foi transferido. Temos apenas alguns dias para tentar de algum modo reverter essa situação, impedir que nos tirem nosso espaço de imaginação – também somos carentes de cultura.
         Acabei de ver no site que a AMAST (Associação de Moradores de Amigos de Santa Teresa) assumiu as rédeas do protesto contra o fechamento da Biblioteca Popular de Santa Teresa., com a divulgação de um abaixo-assinado. Por favor, assinem aqui o abaixo-assinado em defesa de nossa biblioteca.
Beijos,
Paloma Rocha Lima Medina

Acabo de receber este apelo em defesa da Biblioteca Popular de Municipal de Santa Teresa José de Alencar. O decreto não fala de fechamento de portas, mas de transferência de sua gestão para a Secretaria de Educação e da mudança de seu nome para Biblioteca Escolar Minicipal do Dique José Lins do Rego. Só esta mundança já é de se estranhar. Literatura é cultura e as bibliotecas de portas abertas para comunidades devem ter um papel importantíssimo na promoção da leitura. O decreto deixa no ar outras dúvidas que devem ser respondidas. A principal delas é aonde a Biblioteca Escolar do Dique José Lins do Rego vai funcionar, já que existe uma Biblioteca Municipal Popular do Dique José Lins do Rego, no Jardim América. No Dique ou em Santa Teresa? Os moradores de Santa Teresa têm tido informações pelos próprios funcionários da biblioteca que suas portas serão cerradas e seu acervo transferido para o Jardim América. Diante de tantas lacunas, vale a pena ficar atento para evitar a morte da biblioteca fundada em 1971, no bairro onde moraram Manoel Bandeira, Paschoal Carlos Magno e Laurinda Santos Lobo.
PS: A ilustração é de nossa querida e talentosa Mariana Massarani, que, com seu humor, retratou com maestria a riqueza que há dentro de uma biblioteca.