Mostrando postagens com marcador intercâmbio cultural. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador intercâmbio cultural. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de abril de 2013

Isol é mais uma autora em nossa estante

Confesso que nunca tinha ouvido falar em Isol até a escritora/ilustradora argentina ganhar o Prêmio Astrid Lindgren Memorial (Alma), o mais valioso concedido à literatura infantil no mundo. Fiquei curiosa em conhecê-la menos por ela ter ganho o prêmio da Coroa Sueca do que pelas distinções feitas a ela pelos jurados, que destacaram sua capacidade de tomar "a visão clara da criança sobre o mundo como seu ponto de partida" e de expor os absurdos do mundo adulto para os pequenos leitores. O comentário pode até parecer óbvio, considerando-se que ela produz literatura infantil, mas não é. Muito pouca gente consegue escrever como criança, deixando de lado o vício de escrever para as crianças e, assim, trazer em seu universo narrativo lições sobre o mundo. Esta distinção me fez ir logo ver o que havia traduzido de Isol para o português. Achei dois livros - Intercâmbio cultural e Segredo de Família, ambos editados pelo Fondo de Cultura Economica - e resolvi comprá-los. No mesmo dia em que chegaram à minha casa, li para o Pedro e o Antônio, que ultimamente têm compartilhado as leituras e o horário de dormir. Eles escolheram primeiro o Intercâmbio cultural, talvez pelo fato de ele ter um elefante na capa, e avançamos em direção ao universo de Isol. A história de um menino viciado em TV e de um elefante africano que trocam de lugar não é surpreendente, mas é contada com humor e originalidade que impedem a autora de cair na armadilha do politicamente correto e falar para a criança o que é melhor para ela. O Antônio, que adora uma TV, se interessou pela história e fez graça com o final. Felizmente não lhe passou despercebido o olhar hipnotizado do elefante diante da TV. Mas foi  com Segredo de família que Isol ganhou meus filhos. A história da menina que se espanta ao descobrir que, ao acordar, a mãe é um porco-espinho é uma delícia que mostra com humor, como disse o juri do Prêmio Alma, os absurdos do mundo adulto para as crianças. A mãe da menina-protagonista não é nenhum porco-espinho, mas, como qualquer mortal, acorda descabelada e bem diferente da imagem que cada um produz para si mesmo. Isol brinca com esta dicotomia e nos faz pensar nos limites desta produção ao apresentar o espanto da menina. Meus filhos, dois cabeludos descabelados, adoraram as possibilidades apresentada por Isol para diversas famílias. Ao fim, ela convida o jovem leitor a expressar a imagem que tem de sua família. Em casa de cabeludo, ganhou o leão. E, nós, apenas com esta provinha de dois livros entre os 10 de Isol, ganhamos mais uma autora com boas histórias para animar nossas leituras noturnas.