quarta-feira, 7 de junho de 2017

O verde de meu ver o mundo



Amanhecer 

Através de minhas lentes castanhas,
vejo todo o verde do mundo.
Um verde múltiplo, 
um verde sem fim,
que se espalha, esparrama
pelo chão, pelas pedras, pelos muros,
sobe o céu, escalando meu olhar.

É quando explode sob o azul celeste,
- fugindo do cinza opaco da cidade -
um radiante espectro de verdes,
que deixa sombras no preto do asfalto,
já singrado de prata por linhas de aço.

Meus olhos percebem o verde musgo,
dividindo espaço com o verde alface,
o verde periquito, o verde mangueira,
o verde palmeira, o verde samambaia,
o verde matinho, o verde maria-sem-vergonha,
que juntos colorem o verde do meu ver o mundo,
o verde do meu coração.

Um verde que me acorda bem cedo pra vida
e um dia, tarde eu espero, 
vai me acolher no leito da morte. 

Rio: 27/4/17

2 comentários:

A Casa do Gato disse...

Um verde da cidade, um verde sem maldade que alem da privacidade pode verde felicidade.
Lindo poema.
www.acasadogato.com.br

Monica Cotrim disse...

"Através de minhas lentes castanhas, vejo todo o verde do mundo." Luciana, que achado! Antes de prosseguir na leitura do poema, reli os primeiros versos algumas vezes, fascinada por sua bela simplicidade. Caí de paraquedas no teu blog, enquanto navegava pela internet à procura de textos dedicados à literatura infantil. Gostei muito do que já consegui ler até agora. Grande texto. Pretendo continuar te lendo. Tem um lugarzinho aí para mim neste sofá?