Amanhecer
Através de minhas lentes castanhas,
vejo todo o verde do mundo.
Um verde múltiplo,
um verde sem fim,
que se espalha, esparrama
pelo chão, pelas pedras, pelos muros,
sobe o céu, escalando meu olhar.
É quando explode sob o azul celeste,
- fugindo do cinza opaco da cidade -
um radiante espectro de verdes,
que deixa sombras no preto do asfalto,
já singrado de prata por linhas de aço.
Meus olhos percebem o verde musgo,
dividindo espaço com o verde alface,
o verde periquito, o verde mangueira,
o verde palmeira, o verde samambaia,
o verde matinho, o verde maria-sem-vergonha,
que juntos colorem o verde do meu ver o mundo,
o verde do meu coração.
Um verde que me acorda bem cedo pra vida
e um dia, tarde eu espero,
vai me acolher no leito da morte.
Rio: 27/4/17
