Outro dia me dei conta de que o Pedro está crescendo e que daqui a pouco não vai mais me querer todas as noites lendo para ele. O sinal disso é o tamanho das histórias que ele ouve hoje. Livros muito pequenos já não fazem muito sucesso com o Pedro, que fica sempre com o gosto de quero mais. Ele já ouve contos e novelas inteiras, numa só noite sem pestanejar e sem cair no sono, e já não faz mais questão de que os livros tenham ilustrações. O que aumenta meu trabalho de catar nas livrarias boas histórias que sejam adequadas para sua idade. Eu acredito em unicórnio, do inglês Michael Morpurgo, editado pela Martins Fontes, é um bom exemplo de livro que vale a leitura para uma criança. A bela história de um menino de oito anos que descobre em meio à guerra o valor que os livros podem ter em sua vida é comovente. Esta descoberta não vem ao acaso. Ela é conduzida pela Dama do Unicórnio que conta histórias para as crianças da cidade no centro de uma biblioteca pública e as encanta com um mundo mágico em que os livros são peças de afeto e de magia. Confesso que o fim da história me emocionou. Não pude deixar de lembrar da importância que a Biblioteca Pública de Tebas teve na minha vida. O Pedro, que ainda não tem idade para ter memórias, como as do narrador, se espantou com minhas lágrimas, mas gostou da história. Minha única decepção foi ver que a história não era fruto de uma lembrança de Morpurgo, o autor que nasceu em 1943 e, portanto, não pode ter memórias da guerra. Mas de qualquer forma, vale a leitura de um livro que fala da magia das histórias para crianças com poucas, mas belíssimas ilustrações.PS: Qual não foi minha surpresa ao ver em um cartaz no 12º Salão do Livro Infanto-Juvenil, realizado em junho, no Rio, que o livro recebeu em 2010 o Prêmio Altamente Recomendável de Tradução de obras para crianças, da FNLIJ. Merecido!