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terça-feira, 30 de abril de 2013

Quando a Chapeuzinho Vermelho enfrenta o lobo


A Chapeuzinho Vermelho foi passear na manhã de segunda-feira na Creche Cantinho Feliz, do Instituto Marquês de Salamanca, em Santa Teresa. Em vez do malvado lobo, ela encontrou uma turminha de crianças curiosas e atentas às suas aventuras. E o que não faltaram foram aventuras. Em meio a caretas, muxoxos ou até mesmo gritos de medo, as crianças ouviram as versões de Perrault, em que o lobo come a menina e sua avó, dos irmãos Grimm, em que o caçador as salva da barriga do animal, e mais duas - Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, e Uma chapeuzinho vermelha, de Marjolaine Leray, em que ela enfrenta seu algoz. Entre mortos e feridos, a menina acabou a sessão de histórias sã e salva e ainda comeu uns bolinhos com a vovozinha. As crianças que, por sua vez, haviam reafirmado seu medo do lobo, descobriram que é possível enfrentá-lo cara a cara e, o melhor, que há maneiras de enganar a fera. As meninas de Chico e Marjolaine lhes deram belas ideias para se vingar do predador, desde perder o medo dele, até enganá-lo com uma bala para tirar mau-hálito. Mas, como há lobos em todos os lados e eles sempre dão bons causos, elas pediram mais histórias em que ele apareça. Ah, são várias. Só agora lembro de Os Três Porquinhos, O lobo e os sete cabritinhos e  Pedro e o Lobo. Mas elas ficam para próxima semana. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Uma história em círculos

Le petit Chaperon Rouge me impressionou no momento que o vi, ainda nas mãos da Sônia Monnerat, minha professora na especialização da UFF. Nunca tinha ouvido falar nele ou em sua autora, a suíça Warja Lavater, nascida em 1913 e falecida em 2007, três anos antes de eu conhecer sua mais popular obra. A obra é impressionante e mostra como é ilimitada a criatividade humana e sua capacidade de recriar a linguagem, além de ser um livro-objeto belíssimo.
Lavater conta a história de Charles Perrault, incorporando o caçador da versão dos irmãos Grimm,  com apenas 16 palavras, usadas nas legendas dos círculos coloridos que representam as personagens e o cenário da história. No mais, apenas grafismos. Grafismos que nos permitem acompanhar a trajetória de Chapeuzinho, seu encontro com o lobo e o desfecho da história em uma bela narrativa não verbal. Ele é o primeiro de uma série de cinco contos tradicionais recontados pela artista em livros de imagens. Além de Chapeuzinho, Lavater recontou com suas tintas A Branca de Neve, Cinderela, O Pequeno Polegar e A Bela Adormecida. Infelizmente só conheço o primeiro. Mesmo assim foi um encontro fortuito. O vi naquele dia e nunca mais. Mas foi um encontro que me marcou. Marcou tanto, que, hoje, quase três anos depois de vê-lo ainda sou capaz de descrever meu espanto ao ver aberto diante de mim uma tira de papel de 4,74 metros, plissada e gravada com litografias. Como uma menina apaixonada no primeiro encontro, procurei o objeto de meu desejo por muito tempo sem encontrá-lo.
Editado inicialmente pelo Moma, ganhou edição popular na francesa Galerie Maeght, e nunca chegou ao Brasil. Popular não é bem o termo. Cada um deles custa 45,00 €. Já sei o que vou pedir para a minha prima trazer de Paris. Au revoir les enfants.

sábado, 28 de julho de 2012

João e Maria em terceira dimensão

O que mais me encantou em João e Maria, na versão da inglesa Louise Rowe, pela Ciranda Cultural, foi a possibilidade de ver o conto enriquecido pelos recursos da engenharia de papel, sem a simplificação da narrativa que é comum nos livros pop-ups. Louise Rowe esbanjou seu talento nas dobraduras de papel para ambientar a história dos dois irmãos, abandonadas na floresta pelo pai e pela madrasta, mas não esqueceu-se de que sua inspiração veio da narrativa do conto Hansel and Gretel, dos irmãos Grimm. A história está toda lá, em caderninhos presos às páginas em que Louise montou os cenários para o desenrolar da história. As dobraduras de papel que representam a casa dos meninos, a floresta, a casa de doces, o cativeiro dos dois irmãos, a morte da bruxa e a libertação de João e Maria são lindas e sóbrias, como é o clima da  história de abandono e superação. Nada de ilustrações em cores alegres, como nos acostumados a ver na casa de doces da bruxa, que constroem em nosso imaginário um casal de irmãos lindos e louros. Não, Louise sabe bem que eles fogem por toda a história da pobreza extrema, que ameaça suas vidas e a família deles, e que vivem em um mundo de poucos cores. Os marrons e os verdes, em tons fechados, dão o tom das dobraduras que recriam no papel a atmosfera sombria da história dos dois meninos. Estas qualidades fazem com que os pop-ups não sejam um recurso qualquer no livro de Louise e se fundam com a narrativa. As imagens de papel, em três dimensões, neste caso, não são como muitos acreditam um elemento que aproxime João e Maria, de Louise Rowe, dos livros-brinquedo. Pelo contrário, ele é um livro para ser lido, em suas palavras e imagens, e não para ser usado para brincar. A criança que experimentar sua narrativa visual aproveitará ainda mais o conto tradicional, registrado pelos irmãos Grimm. Assim foi com o Antônio, que ama João e Maria. Ele ouviu ao mesmo tempo que olhou, abriu e fechou o livro para ver a montagem das dobraduras e descobriu nas imagens os elementos que tanto o encantam na narrativa, como, por exemplo, ver a bruxa ser jogada para dentro do forno. As dobraduras chamaram sua atenção e é claro, ele quis tocá-las. Expliquei que aquele não era um livro para ser tocado, mas visto. Tocá-lo colocaria sua beleza em risco e João e Maria merece todos os cuidados. Antônio entendeu e curtiu o livro. Agora, que nos venham Chapeuzinho Vermelho e A Bela Adormecida, os outros títulos de Louise, disponíveis no Brasil.