
Nunca tinha lido nada da escritora Ninfa Parreiras. Descobri a autora por meio dos belos desenhos de André Neves, no livro Um teto de céu, editado pela Difusão Cultural do Livro (DCL). A história é um poético encontro de uma moça da cidade com uma menina do deserto que nunca viu chuva e mora em um vilarejo onde as casas não têm teto e os habitantes nunca conheceram guarda-chuva, sombrinha, chapéu, capa de chuva e botas de plástico. A menina, porém, quer saber como é a chuva, seu gosto, seu cheiro e a sensação que lhe dá na pele. A moça de cidade com chuva lhe promete uma carta com notícias da chuva. Lindo diálogo e troca entre duas culturas tão diferentes. Mas meu filho Pedro não conseguiu deixar de ter pena da menina do deserto e reclamou do fim do livro que não leva a chuva para o vilarejo das casas em que o teto é o céu. "Não gostei. Achei que ia chover no fim", disse meu menino, sensível às dores alheias. Compreendo seu desconforto, mas o livro fala não de desigualdades, mas de diferenças e das infinitas possibilidades que existem em uma troca entre seres humanos distintos.