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sábado, 22 de outubro de 2011

Um céu de estrelas para um conto de amor

Eu sempre adorei mitologia grega e seu universo de deuses e semideuses. Na minha infância e adolescência, li e reli livros em que os principais personagens da mitologia grega eram apresentados. Sonhava, ao ver programas de TV que propunham viagens no tempo, viver na Grécia de belos homens e mulheres convivendo com os deuses em histórias heróicas. Mas somente quando cresci e entrei na faculdade, entendi que era através desses mitos que os gregos organizavam simbolicamente o mundo dos mortais. Aquelas histórias fantásticas davam corpo aos valores que lhes eram caros e às condutas desprezíveis. Foi então que aquele encantamento juvenil me ajudou a começar a desvendar o mundo em que eu vivia, herdeiro daquela tradições. Não à toa, assim que o Pedro cresceu um pouquinho, passei a comprar livros com adaptações dos mitos gregos para crianças. Até que um dia me deparei na estante de uma livraria com Psiquê, de Angela Lago, editado pela Cosac Naify. O livro era recém lançado e me encantou, apesar da quase certeza de que o Pedro não se interessaria por ele. Comprei-o como um presente para mim mesma. A história da bela princesa que desperta a ira da deusa Afrodite e, depois de enfrentar os abismos da alma e a morte, acaba conquistando o coração de Eros não tem idade. Na versão de  Angela, ganha contornos ainda mais belos, com sua prosa e ilustração que criam uma atmosfera de sonho e fantasia, como pano de fundo para o enlace da alma com o amor. O li e guardei-o na estante do quarto dos meninos sem dividi-lo com o Pedro, que o rejeitou de imediato. Meses depois, há poucos dias, lendo para os dois à noite, peguei o livro e comecei a leitura que logo prendeu a atenção do meu mais velho. Contei a história no ritmo de sonho proposto pela autora e o Pedro a acompanhou interessado. Ao fim, ele disse apenas que a história era linda. Disse pouco e tudo. Assim, como Adélia Prado, em seu breve comentário na quarta capa do livro, disse: "Como é possível alguém perfurar um papel de fundo preto e me obrigar a dizer: é um céu estrelado". Assim é a fantasia proposta pela mitologia - imediata e profunda.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um belo diálogo com a imaginação

Eu e o Pedro acabamos de ler Felpo Filva, de Eva Furnari, editado pela Moderna, e nos divertimos de montão. O livro é uma grande sacada da autora, que tem o humor como uma de suas marcas. O coelho Felpo é um poeta introvertido, complexado e soberbo até que encontra Charlô, uma fã sincera em suas críticas e criativa em suas sugestões. Felpo, a princípio, fica irritadíssimo com a intromissão de Charlô, mas acaba se dobrando à coelhinha. Uma bela história, cheia de humor e criatividade que aproveita para apresentrar às crianças variados tipos de texto, como poema, carta, fábula, conto de fadas e outros mais. Eva Furnari faz isso, juro, sem nenhum didatismo e cria um belo diálogo com a imaginação da criança. O meu filho ficou atento até o último ponto do texto inspiradíssimo de Eva. O Pedro adorou e eu também. Ele riu um bocado e se encantou com as brincadeiras que Eva faz em um longo post scriptum para explicar tim-tim por tim-tim os vários tipos de texto usados na narrativa. Para melhorar, a gente ainda tem as belas ilustrações da autora para compor um Felpo com cara de intelectual e uma charmosa Charlô. Um livro para ler e reler.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A magia da imaginação

Comprei o livro Obax, de André Neves, editado pela Brinque-Book, e fiquei muito impressionada com a beleza plástica de suas ilustrações. Sou fã do trabalho de André, o autor/ilustrador, mas Obax realmente me surpreendeu. Como um traço tão preciso, tão contido na perfeição, pode traduzir tanta emoção? Digo preciso e contido por não achar melhor adjetivo para o desenho de André. Tenho medo de falar que ele é racional e ofender o artista. Longe disso. Meu poeta preferido é o João Cabral de Melo Neto, conterrâneo do autor. A poesia de João Cabral, avessa ao sentimentalismo, é inspiradora pela beleza que produz. O desenho de André é assim. Avesso às facilidades da inspiração, mas rico de sentimento.Lamento não ter mais elementos para descrever a sensação que as ilustrações de Obax me causam. Uma bela história sobre a magia da imaginação, ambientada em um continente com muita coisa ainda a ser descoberta. Obax, como alerta o autor na última página do livro, não é um reconto de um conto africano. É fruto de sua curiosidade sobre a geografia e os costumes do Oeste Africano. Belo exercício de imaginação de André Neves que cria uma África à semelhança das histórias de Obax. Uma África que existe sem existir.
PS: Escrevi para o André Neves e ele me respondeu hoje (dia 16 de junho) assim. " Oi, Luciana, acabo de chegar de viagem, Além do Rio, fui para outra cidade no interior do Rio Grande do Sul. Estou muito feliz com resultado de Obax. Aprendi muito fazendo este livro e vou procurar exercitar esse aprendizado nos outros, em busca de uma qualidade total. Entendi todas suas palavras e sensações para o livro. E ter essa riqueza de sentimento de que você falou como resposta, já valeu a pena.Usei técnica mista para compor as imagens, isto é, vários materiais. Porém a tinta base é a acrílica. Pesquisei o Oeste Africano. Ainda existem aldeias assim, sabia? Onde as mulheres são responsáveis pela decoração das casa, pintando com tintas coloridas.A história é ficção, toda questão africana está na composição gráfica para o livro."

terça-feira, 7 de julho de 2009

A arca de Ruth Rocha e Mariana Massarani

A primeira vez que vi A arca de noé, de Ruth Rocha, com ilustrações da Mariana Massarani, me encantei. O livro - uma reedição da Salamandra pelos 40 anos da prosa de Ruth - estava na vitrine de uma livraria. Grandão, coloridão e com o desenho super bacana da Mariana era o destino certo do meu olhar. Me prometi naquele dia comprá-lo para o Antônio. O desejo ficou guardado até o Salão da Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil, em junho. Feliz, trouxe o livro para casa e o folheei com prazer. Ele é a prova de que uma história super batida como a da Arca de Noé pode ganhar novos contornos nas penas criativas de autor e ilustrador. A prosa da Ruth é uma delícia e nos faz querer ir até o fim, mesmo a gente sabendo onde a arca vai parar, e o traço de Mariana é maravilhoso. O Noé com sua barba enorme e colorida e vestido com uma túnica moderna é o máximo. A beleza do livro - texto e ilustração - encantou o Antônio que ouviu atento com os ouvidos e as mãozinhas nervosas a história até quase o fim. Já o Pedro aguentou mais, riu do pavão fantasiado para baile de carnaval, tentou achar a bengala do tigre, mas acabou dormindo. E eu, deliciada, fui até o fim para ver com quantos versos se faz uma arca. Viva Ruth, Mariana e a arca de Noé.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A rica troca entre diferentes


Nunca tinha lido nada da escritora Ninfa Parreiras. Descobri a autora por meio dos belos desenhos de André Neves, no livro Um teto de céu, editado pela Difusão Cultural do Livro (DCL). A história é um poético encontro de uma moça da cidade com uma menina do deserto que nunca viu chuva e mora em um vilarejo onde as casas não têm teto e os habitantes nunca conheceram guarda-chuva, sombrinha, chapéu, capa de chuva e botas de plástico. A menina, porém, quer saber como é a chuva, seu gosto, seu cheiro e a sensação que lhe dá na pele. A moça de cidade com chuva lhe promete uma carta com notícias da chuva. Lindo diálogo e troca entre duas culturas tão diferentes. Mas meu filho Pedro não conseguiu deixar de ter pena da menina do deserto e reclamou do fim do livro que não leva a chuva para o vilarejo das casas em que o teto é o céu. "Não gostei. Achei que ia chover no fim", disse meu menino, sensível às dores alheias. Compreendo seu desconforto, mas o livro fala não de desigualdades, mas de diferenças e das infinitas possibilidades que existem em uma troca entre seres humanos distintos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A bela caligrafia de dona Sofia

Acabo de ler para o Pedro A caligrafia de Dona Sofia, com texto e ilustração do pernambucano radicado em Porto Alegre André Neves. O livro, editado pela Paulinhas, em 2007, é tão lindo que foi parar no acervo básico da Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil. Texto e ilustração em perfeita harmonia, nos levam para o universo fantástico de uma senhora, professora aposentada, que decorou sua casa com poemas transcritos por ela própria. No momento em que percebe que já ocupou todos os cantos de sua casa com os versos mais bonitos ou aqueles, segundo a própria, mais importantes para sua vida, dona Sofa resolve distribuir poemas e flores para os moradores de sua pequena cidade. Por meio da poesia, quebra o isolamento no qual vivia e faz uma revolução na vida de seus vizinhos que foi sentida, aqui em casa, pelo Pedro. Ele, uma criança recém-alfabetizada, que está sendo treinada para escrever com letra cursiva, ficou muito interessado na bela caligrafia de dona Sofia e no garrancho de seu Ananias. "Deixa eu ver", pedia ele. André Neves não frustrou a curiosidade da minha criança. O livro é todo decorado, como a casa da dona Sofia, com trechos de poemas de vários autores escritos à mão e por delicadas e expressivas ilustrações. Agradou tanto que ele topou minha sugestão de levar o livro para sua professora, já que a turma está tomando intimidade com a língua por meio de poesias. Enfim... uma bela caligrafia e uma bela história capazes de encantar crianças e adultos, como o poeta Elias José, que deixou suas impressões sobre o livro em um elogioso prefácio.

domingo, 24 de maio de 2009

Onde há um ponto, há um caminho...

Descobri O Ponto, de Peter H.Reynolds, no blog Letra Pequena, do jornal português O Público, e corri para ver se este livro tinha sido editado em terras brasileiras. Felizmente sim. Nossa edição é da Martins Fontes e, por isso mesmo, é mais fácil encontrá-la na livraria da editora, na Avenida Rio Branco. O autor é ilustrador de vários livros, inclusive da série Judy Moody, no Brasil, pela Salamandra. Mas voltando a O Ponto, assim que tive o livro nas mãos, confirmei a opinião de Rita Pimenta, do Letra Pequena. A história é mesmo muito legal. Vashti, na edição portuguesa Vera, nome bem mais fácil para nossas crianças, é uma menininha que não sabe desenhar e, por isso, se recusa a fazer o trabalho da aula de artes. A professa, certa de que todos têm uma marca para deixar, a desafia a fazer um ponto e a assinar sua obra. Como diz a apresentação do livro, "onde há um ponto, há um caminho..." E Vashti acha seu caminho. A angústia de Vashti me lembrou a de meu filho Pedro, que, como eu, é um péssimo desenhista. Os deveres de casa que pedem desenhos são para ele um suplício. Uma tentativa e um lápis zunindo. Outra e o papel todo rabiscado. Mais outra e resmungos aos gritos. Enfim, um sofrimento que só acabou no dia em que achei um estêncil para ele fazer seu primeiro dinossauro. Satisfeito, ele passou o lápis sobre o dino, coloriu e foi mais feliz para escola. Mas eu queria que, ele, como Vashti, entendesse que para deixarmos nossa marca na vida não precisamos ser bons, mas apenas sabermos do que somos capazes.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mamãe zangada não é vítima, nem algoz

Relutei muito antes de citar o livro Mamãe zangada, da alemã Jutta Bauer, editado pela Cosac Naify. Nada com a qualidade do livro, já que o texto e as ilustrações de Jutta são lindos e a edição, como todas da Cosac, muito bem cuidada. A razão de minha relutância se deveu a dois fatores: o livro ser muito badalado e, assim, eu ter pouco a acrescentar; e minhas dúvidas sobre para quem de verdade a autora fala, para mãe ou para o filho. Mamãe Zangada será, como disse a Renata, uma colega de trabalho que não tem filhos, um livro para as mães se envergonharem? Ou será um livro para pensarmos, mães e filhos, nos limites de nossa tolerância? Os acessos de ira, se respeitados os limites da civilidade, são normais nas relações entre mães e filhos. Quem nunca enlouqueceu sua mãe que joge a primeira pedra e a mãe que nunca gritou com o filho que me desminta. Acredito mesmo que a autora não queria fazer de Mamãe Zangada um manifesto politicamente correto contra a violência nas relações entre mães e filhos. Pelo contrário, em entrevista à Revista Babar, Jutta diz que "para se resolver conflitos há que se passar primeiro pela tristeza e pela dor". Desta forma, acredito que nesta história não haja vítimas, nem algozes. Afinal, a mamãe pinguim também sofre com a bronca que dá em seu filho. Como todas nós, mães, culpadas ou não.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Gato de Sofá Deita e Rola na Flist

Levei até um susto quando vi que minha última postagem foi no dia 26 de abril. Mas a razão para eu ter abandonado o blog nesta semana foi justa. Me envolvi no projeto de criar uma edição especial do Gato de Sofá para a Festa Literária de Santa Teresa - a Flist, promovida pelo Ceat - Centro Educacional Anísio Teixeira. O resultado foi o Gato de Sofá Deita e Rola na Flist. O blog estará de plantão no dia da festa, 16 de maio, na Livraria Largo das Letras, na Rua Almirante Alexandrino, 501, para colher impressões de crianças e adultos sobre o evento e sobre livros. A idéia é construir junto com o público uma memória virtual da primeira edição da festa literária que vai acontecer de 9h às 18h, em vários pontos do Largo dos Guimarães, em Santa Teresa. A programação é bem legal. Tem café da manhã com a Lygia Bojunga, conversa com os poetas Ferreira Gullar e Ondjaki, oficina com os ilustradores Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello, entre muitas outras atrações. Vale a pena ir a Santa neste dia. Vai ter diversão para crianças e adultos, além de ser uma bela oportunidade de desfrutar do bucólico bairro.

domingo, 26 de abril de 2009

O desejo de bem viver nos desenhos de Marlowa

Olha que legal que ganhei da ilustradora Marlowa: um conjunto de lindos cartões e um carinhoso bilhete que compartilho com vocês, além do livro O verdadeiro tesouro de Carla, ilustrado por ela, com texto de Luciara R. Da Silveira Pereira, que conta a história de uma menina iludida pelo consumismo. O presente, acreditem, me foi dado por sorteio - olha que sorte! - em que seu filho Enrique colocou a mão no saco e saiu meu nome e de uma amiga espanhola de sua mãe. Eu a Marlowa não nos conhecemos pessoalmente, mas estamos mantendo contato virtual desde que ela descobriu o meu blog na internet. Ao retribuir sua visita, tive a bela surpresa de deparar-me com seu blog (http://marlowa-marlowa.blogspot.com/). O desenho de Marlowa é delicado e expressivo e, tenho certeza, vai fazer muitas mulheres da minha idade se lembrarem dos dias em que, meninas, sonhavam com uma casa no campo e roupas feitas a mão. Enfim, de um tempo em que os sonhos eram apenas o desejo de bem viver.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

É o Bicho faz um gol de placa

O ilustrador Guto Lins fez um gol de placa com É o Bicho Futebol Clube, da Ediouro. O livro, com exatas 11 páginas, apresenta um a um os jogadores do escrete do time formado por bichos. Cada um deles - avestruz, cobra, hipopotamo e leão só para falar de alguns - tem uma qualidade no time. Os desenhos vigorosos e o texto bem humorado de Guto Lins garantem o sucesso do livro com a meninada, que, aqui em casa, só pensa em bola e em futebol. Isso mesmo, o livro agradou ao Pedro, com sete anos, e ao Antônio, com dois. Além disso, o autor presenteia as crianças com as ilustrações para elas criarem um time de futebol de botão com sucata, além de uma enorme lista com os nomes de craques que, nos tempos atuais, são parte de um passado remotíssimo, como Garrincha, Rivelino e Eusébio. Vale a pena procurar pelo livro, já que o título não é figurinha fácil nas livrarias.

domingo, 19 de abril de 2009

Um cãozinho encantador


Encontrar livros ricos de significado que sejam adequados para os pequenos é uma tarefa difícil. Mas de vez em quando dou a sorte de deparar-me com um bom título, como o Noite de cão, da ilustradora Graça Lima, editado pela Paulinas. Que belo livro! Que cãozinho encantador! Aquele pequeno basset hound incansável em sua aventura com a lua arrebata qualquer um. Na contra-capa, a autora conta que desejava brincar com a expressão noite de cão ao imaginar como ela seria vivida por um verdadeiro cachorro. O cãozinho de sua história cria uma enorme confusão com a lua, mas no fim tudo se ajeita. A idéia é o máximo e seu desenvolvimento é super criativo. Não a toa o livro ganhou o prêmio Jabuti, em 1992. O Antônio adorou ouvir minha versão da história contada pelo expressivo desenho de Graça Lima, sem uma linha de texto sequer, e eu adorei brincar de co-autora. Foi uma experiência tão bacana que resolvi mandar o livro para a escola para, assim, o Antônio poder vivê-la com a Fafá e seus amiguinhos.
Em tempo: O livro não serve apenas para os pequenos. É um livro para todas as idades.

domingo, 5 de abril de 2009

Medos em uma noite escura

Nas minhas andanças pela rede acabei descobrindo um bom lançamento que, além de nos trazer uma nova história, nos apresenta a uma nova autora. É Noite escura, da escritora e ilustradora francesa Dorothée de Monfreid, editado pela Martins Fontes. Ela escreve sobre um menino, Fantino, que está sozinho em uma floresta. É noite e ele está com medo. Ao ouvir o primeiro barulho, Fantino aparavorado depara-se com um lobo. É quando, para sua sorte, encontra um esconderijo. De lá ele vê uma sucessão de bichos, cada vez mais assustadores, chegando e deixando os outros também apavorados. Apesar ter uma estrutura já conhecida e usada por outros autores, como Ruth Rocha, em Quem tem medo de Monstro, pela Editora Global, a história é muito legal. Dorothée encontrou originalidade em seus desenhos vibrantes e no desafio enfrentado por Fantino. O Pedro adorou a esperteza do menino e de seu amigo coelho para enfrentar tantas feras e tanto medo. Vivas para Dorothée que estará no Rio, em junho, para o 11º Salão da Fundação do Livro Infanto-Juvenil.

sábado, 21 de março de 2009

Será que é mesmo um ratinho?

Sei que falo pouco de livros para pequenos. Sei disso porque sinto falta do meu pequeno Antônio no blog. Mas confesso que tenho questões com os livros destinados aos bebês. O fato de eles não aguentarem ouvir histórias com muito texto, não justifica que a maior parte dos livros para esta faixa etária seja desprovida de significado. O sentido não necessariamente se dá pelo texto, mas por sua riqueza simbólica. Isto a maior parte dos atuais livros não tem. A pobreza simbólica é que me faz refletir todas as vezes que vou a uma livraria, se o Antônio precisa mesmo de mais um livro. Mais um livro-brinquedo, mais um livro de texturas, mais um livro de pop-ups, mais um livro de sons, mais um livro de belas ilustrações, mais um livro sem significado algum... Ter muitos destes livros é igual a ter um quarto cheio de brinquedos que não acrescentam nada à vida das crianças. Por isso, mexo e remexo as prateleiras e, muitas vezes, saio de mãos abanando, me preparando para reler algum livro que ele já tem. Mas quando encontro um belo livro, fico muito feliz em poder oferecê-lo ao Antônio. Foi assim que me senti hoje ao entregar para meu bebê É um ratinho?, do ilustrador/autor belga Guido Van Genechten, pela Gaudí Editorial. A obra é belíssima, sem ter nenhuma linha de texto. O livro é um cartão que se dobra várias vezes. A criança ao desdobrá-lo vai surpreendendo-se com a transformação de um bicho em outro. Será que é mesmo um ratinho? Vale a pena entrar nesta brincadeira. E quem quiser mais, tem os outros títulos É uma rã?, É um caracol? e É um gato?.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Caramba está em busca de suas qualidades

Hoje é dia de novidade aqui em casa. O Pedro sempre traz um livro da escola. Normalmente um livro que não conhecemos e que nos abre uma nova janela para a prosa ou a poesia. Mas hoje não foi nada disso. Ele trouxe pela terceira vez um dos livros da série Estela e Marcos, da ilustradora/escritora Marie-Louise Gay, editados pela Brinque-Book. Já falei de um destes livros neste blog, mas não posso deixar de citar novamente esta autora que nos encanta com a ingenuidade e a poesia da fala das crianças. Para não repetir dicas, vou falar de outro livro dela, tão encantador quanto as histórias dos irmãos Estela e Marcos. É o Caramba, editado pela Callis, que tem como protagonista um belo e inseguro gatinho. Ele confessa para sua melhor amiga, uma porquinha, sua tristeza por não voar como os outros gatos. "Ué, mas gato não voa!", foi dizendo o Pedro, logo no início da história. "Mas nesta história, eles voam", repliquei, calando o realismo de meu filho. Bom... dá para imaginar que o protagonista vai passar por várias provações até descobrir que também tem seu valor. Afinal, o Caramba nada. "Gatos não nadam! Todo mundo sabe disse!", disse um dos primos de Caramba, tão incrédulo quanto o Pedro. Mas o Caramba nada e fica muito feliz em descobrir sua qualidade, que o leva como o voo a experimentar a sensação de liberdade. O livro é lindo e ajuda nossos filhos a se apaziguarem com suas inseguranças.

terça-feira, 3 de março de 2009

Eva Furnari faz graça com a língua

Quem não conhece Eva Furnari está na hora de conhecer. A ilustradora é autora também de alguns saborosos livros. Alguns com texto e outros só com imagens. Mas os meus preferidos são três que fazem graça com a língua. Você troca, Não confunda e Assim assado, todos da Editora Moderna. Eva propõe uma brincadeira com o leitor, apresentando criativas e engraçadas ilustrações com textos rimados. "Você troca um espião com preguiça por um ladrão de salchiça?", pergunta a autora para a criança. Os livros são tão legais e entram tão na onda da criançada próxima da alfabetização, que adora uma rima, que frequentemente são adotados por escolas na primeira série. Meu filho Pedro usou o Você troca na escola, mas, antes, ainda na educação infantil, se divertiu muito me ouvindo ler as rimas de Eva Furnari. Um detalhe divertido é imaginar como é a autora que se apresenta com um auto-retrato onde aparece como uma bruxinha, a semelhança de seu personagem mais famoso criado para a Folha de São Paulo. Mas, posso garantir, que ela não se parece nem um pouco com uma bruxinha.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Uma vizinhança de futuro

Tem tempo que não atualizo o blog. Mais precisamente 11 dias. Acho que nunca fiquei tanto tempo longe, mas é que fevereiro é um mês complicado. Volta às aulas, aniversário do Pedro, carnaval - ah! meus dias de folia - e este sol de rachar o coco. Com tudo isso fica difícil arrumar tempo e concentração para fazer qualquer coisa que não seja trabalhar e cuidar da vida, aí incluído marido , filhos e casa. Ia até me esquecendo da casa, que dá um trabalhão. É supermercado, feira, empregada e muito mais. As vezes dá até saudades do tempo que era solteira e saracoteava por aí nas horas vagas com o Cadoca, hoje meu maridão. Foi impossível não lembrar destes dias ao ler o criativo Vizinho, Vizinha, da Companhia das Letrinhas, que meu filho trouxe da biblioteca da escola. O livro é uma criação de Roger Mello, com a participação luxuosa das ilustradores Graça Lima e Mariana Massarani. À Graça coube desenhar a Vizinha, à Mariana, o Vizinho, e ao Roger, o belíssimo corredor do prédio, além da criação dos textos. Os dois vizinhos solitários vivem suas rotinas separados apenas por um corredor e sonham com a possibilidade de um dia se encontrarem. O desejo do encontro, pensei eu com malícia, ignora o que pode lhes acontecer no futuro. Mas, na verdade, na verdade, a melhor coisa da vida são os encontros, apesar de seus futuros encargos. Viva a casa da Lu e do Cadoca, com crianças, gato, empregada e muita confusão.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um manifesto contra a intolerância

Confesso que nunca imaginei encontrar um livro infantil ilustrado pelo cartunista Jaguar, dono de um desenho irreverente que causou arrepios nos mandões da Ditadura Militar e à primeira vista não tem nada a ver com criança. Mas que nada! A Editora Ática apostou certo ao editar, em 1999, Dois idiotas sentados cada qual no seu barril..., o feliz encontro da maravilhosa Ruth Rocha com o traço de Jaguar. O livro é uma pequena grande obra que revela às crianças o absurdo da intolerância e suas possíveis conseqüências. O Teimosinho e o Mandão travam um áspero e irracional diálogo em torno de uma vela. O detalhe é que os dois estão sentados, cada qual, em um barril de pólvora. A intolerância faz com que eles terminem a história indo aos ares. Como diz Ruth Rocha: "Lá se vão os idiotas: era uma vez um teimoso, era uma vez um mandão..." A força do texto e do traço não deixam dúvidas nos pequenos leitores. A intolerância não traz bom resultado. Que a Ruth e o Jaguar nos contem outra!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Feliz Natal!


Olha que lindo o cartão de Natal que a Mariana Massarani me mandou! Aproveito o ensejo para desejar a todos um feliz Natal e um belo 2009.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um banho de imaginação

A ilustradora Mariana Massarani não só tem um belo traço, tem também boas histórias. Banho!, da Global Editora, é um divertido livro em que quatro irmãos - Edson, Edilson, Edmilson e Ednalva - são levados aos tapas para o banho por uma mãe que vira onça. Mas já que o banho é inevitável, que seja divertido. Enquanto Edson, Edilson e Ednalva se imaginam em uma aventura em um rio cheio de botos, piranhas, peixes elétricos, sucuris, Edmilson fica lendo um gibi no vaso sanitário. O banho rola e Edmilson no vaso. O banho acaba e Edmilson no vaso. As crianças vão jantar e Edmilson no vaso. A leitura é muito divertida. Afinal, quem não tem um Edmilson em casa, que parece que vai florir de tão plantado que fica no vaso. Eu e o Pedro rimos muito sempre que o lemos, imaginando quem é o nosso Edmilson. Além de divertida, o livro é uma boa oportunidade para nossas crianças conhecerem um pouco mais a fauna dos rios amazônicos. Nós aproveitamos um dia, depois da  leitura, para pesquisar na internet os peixes brasileiríssimos que as crianças da Mariana imaginam seu banho. Foi divertido ter um primeiro contato com a internet, como fonte de informação. Melhor ainda foi conhecer estes meninos, que se parecem com qualquer um dos nossos filhos, nesta hora tão evitada pelas crianças, mas que, com um pouco de imaginação, se transforma em mais um momento legal da vida. Que a Mariana nos conte outra!