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sábado, 12 de fevereiro de 2011

O prazer de ler histórias de terror

Sempre evitei escrever aqui sobre histórias que eu não tenha lido para os meus filhos. Mas hoje vou quebrar esta regra, que eu mesmo impus para o blog, para falar de um livro destinado a um leitor mais velho e mais maduro do que meus filhos, que têm apenas 3 e 9 anos. Sete ossos e uma maldição, de Rosa Amanda Strausz, editado pela Rocco Jovens Leitores, foi uma bela descoberta que me chegou pela Flist (Festa Literária de Santa Teresa), onde conheci a autora, Aliás, vale lembrar, ela é uma simpatia com seus leitores. Eu ainda não o li para o Pedro por temer sua reação, já que o livro traz dois temas difíceis para meu filho: a morte e o sobrenatural. Outra razão é que Sete ossos e uma maldição é um livro para cada um vencer com suas próprias pernas. Digo vencer porque a narrativa de Rosa Amanda cria uma tensão que mobiliza até a nós, adultos, e alimenta nossa vontade de seguir em frente, como os personagens dos contos do livro. O universo do livro, segundo a própria autora disse na Flist, são os contos populares e os mitos passados de geração em geração, que tanto assustaram crianças de outros tempos. Acho que isso explica a escolha de Rosa Amanda em ambientar suas histórias em pequenas cidades ou lugarejos rurais, em que crianças e jovens podem experimentar a liberdade e seguir adiante na busca de saciar a curiosidade. Este ímpeto é que faz com que as crianças, personagens de Rosa Amanda, se defrontem com o perigo e o sobrenatural. A única exceção é o conto O elevador que se passa na cidade grande e tem um prédio elegante e decadente como cenário da história. A prosa de Rosa Amanda cria um clima de mistério e tensão que tem seu clímax no momento em que o protagonista se defronta com o que tanto teme. A curiosidade é punida, assim como manda a cultura popular e os mais famosos contos de terror. Do outro lado, o leitor é impelido a continuar. Rosa vai construindo o medo aos poucos, com pequenos detalhes e muitas omissões, que ficam ainda mais claras no momento do desfecho dos contos. O momento em que o protagonista se defronta com o que tanto teme, a narrativa fica cheia de lacunas, de forma a criar ainda mais ansiedade no leitor. Mas em nosso caso, avançar na leitura é ter a garantia de uma boa história. Por isso, torço para que o Pedro consiga em breve conviver com seus medos para descobrir o prazer de ler uma boa história de terror.  

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma pequena dose de terror

Outro dia fui à biblioteca da escola dos meus filhos, que generosamente aceita a inscrição de pais de alunos, para pegar uns livros para um trabalho sobre literatura de terror, que eu estava fazendo para a pós, na UFF. A Estela, uma das professoras responsáveis pela biblioteca,  me recebeu com o carinho de sempre e, além de me entregar os títulos que pedi,  me sugeiu alguns que não conhecia. A casa assombrada, de Angela Lago, foi uma bela surpresa entre eles. Editado, em 1997, em formato incomum de 10cm X 10cm, pela RHJ, o livro é um mimo e já está em sua sexta reimpressão. Angela, com seu criativo traço, reconta uma história do folclore judaico sobre um fantasma que atormenta a casa de uma família. As ilustrações, como ela explica no livro, foram feitas em computador e gravadas em filme. Isso dá a elas a impressão de uma foto P&B, o que colabora para o clima de terror. Outro aspecto interessante é o diálogo entre ilustrações e texto, fazendo com que o pequeno leitor decifre não apenas palavras, mas também imagens na construção da história. Fiquei tão encantada, que resolvi comprar um exemplar. Agora, eu e Antônio nos divertimos com a história da velhinha que tentou fugir do fantasma. Angela oferece ao leitor uma pequena dose de terror capaz de divertir crianças e adultos. A moral da história é que sempre vale a pena visitar uma boa biblioteca.