Já falei aqui em Macanudo, ou melhor em Liners, o cartunista argentino que assina esta série de tirinhas no jornal La Nacion, de Buenos Aires, e na Folha de São Paulo. Macanudo, que para os portenhos quer dizer supimpa ou bacana, tem um lirismo todo especial e fala da criança com uma delicadeza encantadora. Nestas tirinhas, Liniers lembra, por meio dos diálogos de Enriqueta com o urso Madariaga e o gato Fellini, do prazer da criança diante de uma boa história.
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Quem não tem medo de escuro?
Pesadelos são o flajelo da infância. Foi assim comigo, está sendo com meus meninos. O Pedro, coitado, está há dias tendo o mesmo pesadelo em que um ladrão mata quem com ele está e o ameaça de morte. O Antônio, ainda tão pequeno e alheio às mazelas de nossa sociedade, sonha frequentemente com o lobo mau atrás dele e, eventualmente, com o Michael Jackson o esganando. Mas o resultado é o mesmo. Os meninos acordam assustados. O Antônio sem pestanejar corre para o meu quarto para pedir que eu o coloque de volta na cama. Com sorte ele dorme rápido. Mas ela nem sempre está comigo. Já o Pedro pede socorro eventualmente. Fica deitado na cama, no escuro, remoendo seu pesadelo e com medo de voltar a dormir. O que estou contando acontece em qualquer lugar: aqui em casa, no Japão, na Europa e até na Argentina do cartunista Liniers. É lá para as bandas do Sul que o protagonista de O que existe antes que exista tudo, editado pela Girafinha, é colocado na cama pelo pai e pela mãe. Já deitadinho, seu pai e sua mãe lhe dão boa noite, com o click do interruptor de luz. Aí começa o drama do menino, que é obrigado a conviver com seres que descem ao seu quarto pela abertura que a escuridão faz no teto. Até que chega aquele que existe antes que exista tudo e o menino corre para o quarto dos pais. A história de Liniers, quadrinista da série Macanudo publicado no jornal portenho La Nacion e na Folha de São Paulo, tocou meus meninos, que como o protagonista têm que conviver com estes monstrinhos noturnos que o medo dá à vida. O Antônio amou e pede para eu contar a história todas as noites, antes de Os três porquinhos. "Adorei esta história que você trouxe para mim", me disse ele, ontem à noite. O Pedro também gostou. Pudera, até eu amei a forma como Liniers conta um drama tão comum e, por isso, tão explorado pela literatura infantil. Destaque para as ilustrações maravilhosas que nos dão um cartel de monstros inesquecíveis. Tem até um gatinho com cara de amigo que o Antônio escolheu para ser o seu monstrinho. O único senão do livro é a troca de uma letra que faz tudo virar “tude” já no finzinho da história. Mas não compromete o encanto do livro que está super bem editado.
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