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terça-feira, 16 de maio de 2017

Noite feliz!

Fim de noite, toda a família reunida, e o Antônio, correndo para terminar seus deveres de casa, pede que eu lhe diga três países com menos de um milhão de habitantes.
- Vamos ver no Google. Olha só... a Islândia, terra do Papai Noel, é um deles.
- Islândia?! A terra do Papai Noel é a Finlândia - gritou o Cadoca, da cozinha.
- É não. É a Islândia - insisti, instalada no sofá.
- Deixa de ser burra... ele é da Lapônia, que fica na Finlândia – retrucou, aparecendo na sala.
Eu, como sempre, certa de minha resposta, mas nem tanto, dei outra gugada, e, sem dar o braço a torcer, respondi triunfante.
- Ô, doutor sabe tudo, estou lendo aqui que a Islândia e a Finlândia brigam pela nacionalidade do Papai Noel. Viu?!
Antes mesmo que o Cadoca pudesse responder, o Pedro riu da confusão na bancada dos universitários e o Antônio veio com um balde de água fria, tentando acabar com a discussão.
- Gente, mas o Papai Noel nem existe!
- Existe, sim, menino ingrato – respondi, completando - Depois de 10 anos recebendo presente dele, no Natal, você vem dizer que o bom velhinho não existe? Deixa de ser mal-agradecido. Assim, não vai ter presente esse ano, heim, Antônio.
Com um sorriso vacilante, mas ainda agarrado a sua certeza, insistiu.
- Mas ele não existe.
Vendo instalar-se em sua fisionomia aquela dúvida de criança, que está entre a palavra do adulto e a sua convicção, apelei maldosamente para o irmão mais velho, em busca da minha bala de prata.
- Pedro, Papai Noel existe ou não existe – perguntei, torcendo para que não me deixasse na mão.
- Claro que sim - assentiu, sem levantar os olhos do celular, entrando na brincadeira.
- Tá vendo, Antônio, quem você acha que, nestes anos todos, veio aqui em casa trazer o presente de vocês?
Minha criança, tadinha, vencida pela brincadeira dos adultos, resolveu botar a sua viola no saco e, na dúvida, reafirmar sua crença em Papai Noel para garantir seu presente de Natal.
- Bom, então tá. Deixa ele vir esse ano aqui em casa, trazer meu presente – capitulou, mas não sem antes colar um sorriso no canto da boca, que arrastou junto seus olhinhos para o lado e deixou sua carinha ainda mais fofa.
E, assim, ainda distantes do Natal, tivemos, em maio, nossa Noite Feliz.

 👨‍👩‍👦‍👦: Apesar de, aqui em casa, o Papai Noel ter dupla nacionalidade, na foto ele está na Finlândia.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Natal é um tempo de amor, magia e histórias

Hoje, não vou falar de um livro. Vou falar da importância deles na nossa vida. Os livros são portas abertas para realidades distantes, tempos idos e histórias que não são nossas, mas que podem nos proporcionar experiências inesquecíveis. Mas chegar até eles nem sempre é um caminho fácil e raramente, solitário. É preciso que nós adultos ajudemos as crianças a encontra-los, assim, como nossos pais e avós nos apresentaram ao mundo das narrativas orais ou escritas. Em uma infância não tão distante, ouvíamos histórias inventadas ou passadas de geração em geração e brincávamos com lengalengas, parlendas, cirandas, advinhas, enfim, uma série de brincadeiras faladas que nos colocam diante das possibilidades das narrativas e da língua. Hoje, com a infância vivida dentro de casa, a vida corrida dos adultos e o desencantamento do mundo, as histórias, cada vez mais, moram nos livros e nos produtos audiovisuais. Vamos combinar que o que a gente não precisa é apresentar a TV e o mundo virtual para as crianças, mas os livros precisam, sim, de uma apresentação. São poucas as crianças que chegam neles espontaneamente, mas são, ainda em menor número, aquelas que os rejeitam quando tomam contato com as histórias que cabem neles. Somos nós, adultos, que, com nossa voz, pequenas intervenções e muita ternura as conduzimos ao mundo das narrativas. Por isso, nada melhor do que aproveitarmos o Natal, essa festa de amor e magia, para darmos um livro de presente para as crianças. Você pode achar aqui, no blog, uma série de livros bacanas, além das listas de sugestões para crianças de até cinco anos, de seis a nove anos e com mais de 10 anosNo mais, aproveito para deixar meus votos de feliz Natal e um 2016 cheio de boas novas. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Natal é tempo de acreditar...



Há uns dias fui com o Antônio em um shopping que tinha como decoração de Natal a casa do Papai Noel. A novidade o atraiu, o que me levou a esperar uns 10 minutos na fila, pelo privilégio de ver o bom velhinho. Este tempo não foi em vão. O Antônio aproveitou para escrever um objetivo bilhete, em que pedia com pouquíssimas palavras uma chuteira da Nike, de um pink metalizado, usada por nove entre 10 meninos de seu futsal.
Assim que entramos, tirou uma foto com o Papai Noel e entregou a cartinha, com seu pedido. Na saída, perguntei se tinha gostado do passeio e recebi uma resposta que me deu a certeza de que meu menino, com sete anos, ainda acredita na lenda de São Nicolau.
- O Pedro é muito mané de não ter querido vir com a gente! Eu até garanti meu presente de Natal – disse-me orgulhoso de ter levado vantagem em relação ao irmão de quase 13 anos, que, incrédulo, não viu o quanto havia perdido em negar-se a fazer o passeio.
Passados uns dias de procura da tal chuteira, fui ter novamente com ele.
- Sabe aquela chuteira que você pediu? Pois é, não a estou achando em loja nenhuma – disse.
- Tá vendo – gritou irado - Mais uma prova de que Papai Noel não existe! É você quem compra os presentes – me acusou de dedo em riste.
- Que nada, Antônio – me apressei a tentar consertar a gafe - Ele pediu para eu comprar a chuteira porque lá, no Polo Norte, é difícil achar Nike. E me disse também que vai te dar outro presente, uma surpresa – inventei, tentando salvar o Papai Noel no imaginário do meu pequeno.
Ele me olhou por alguns segundos sério e pensativo.
- E aí? Prefere que eu dê a chuteira e o Papai Noel dê a surpresa ou que ele dê a chuteira – perguntei, ansiosa pela resposta.
- Tudo bem! Você dá a chuteira.
Diante do tom resignado de sua voz, fiquei na dúvida se ele estava sendo mais uma vez ingênuo ou se, para ganhar dois presentes, estava aproveitando-se da boa-fé de uma velha, que insistia em fazer com que ele acreditasse em Papai Noel. Mas calei-me.
Dias depois, sem mais, nem porquê, me perguntou de pronto.
- Mãe, o Papai Noel sabe ler em letra cursiva?
A pergunta, de quem está se esforçando para transforar sua letra bastão em letra cursiva, me pegou de surpresa e me fez ter a certeza de que o Antônio está naquela fase da infância, em que a fantasia resiste bravamente às ofensivas da realidade.  Só não sei até quando ela vai continuar a vencer.

PS: Natal é tempo de acreditar. Acreditar em Papai Noel, em mais amor, em uma vida melhor, enfim, em renovação. Virginia acreditou, Antônio acredita e virão outros tantos, como eles, para nos encher de ternura nesta data. Um feliz Natal para todos.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Papai Noel é para sempre

Há cerca de um ano o Antônio fez a pergunta que, cedo ou tarde, toda criança faz.
- Mãe, Papai Noel existe?
- Não, Antônio. Papai Noel é uma lenda - respondi, seguindo minha convicção de que não se mente para crianças.
- E o Coelhinho da Páscoa?
- Também não, meu filho.
A reação do Antônio me surpreendeu. Em vez de estar pronto para a decepção, como sua curiosidade sugeria, ele ficou muito revoltado com a realidade. Tão revoltado que o aconselhei a ignorar minha resposta.
- Antônio, você ainda quer acreditar em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa?
- Sim - disse ele, com os olhos vermelhos.
- Então, filho, Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa continuam a existir para você. É só você querer e acreditar que eles vão existir - disse, certa de que era o que ele precisava ouvir para se apaziguar com a vida e suas fantasias.
Seu desejo era tamanho que, imediatamente, se reconciliou com a fantasia. Voltou a tratar Papai Noel e o Coelhinho como personagens reais e, agora, às vésperas de mais um Natal, ele, já com quase sete anos, faz planos que incluem a generosidade do bom velinho. Planos que dão como certa sua existência, tão certa que pressupõem uma comunicação direta com o Polo Norte, que dispensa intermediários, como os correios ou, mesmo, os pais para fazer chegar a Papai Noel seu pedido de Natal.
Assim teria sido, não fosse a intervenção salvadora do Pedro, o irmão, que com quase 12 anos, enterneceu-se com a ingenuidade do pequeno. Ao saber do pedido, quase secreto, ao Papai Noel, resolveu me contar para, assim, garantir a chegada do presente do irmão.
- Mãe, o Antônio disse que pediu um presente para você e o papai e um para o Papai  Noel. Ele não sabe que são vocês que compram o presente do Papai Noel - disse, entre divertido e preocupado com o que aconteceria com os pedidos do irmão.
Avisada, orientei o Pedro a escrever com o Antônio uma cartinha para o Papai Noel e, depois, me entregá-la para que eu soubesse o que ele queria de presente. Assim que a carta me chegou, prometi colocá-la ao lado da árvore de Natal para que um duende pudesse pegá-la, durante a madrugada, e levá-la para o Polo Norte.
A estratégia deu tão certo que Papai Noel já entregou o presente dos dois, para que eu os esconda até a noite de Natal. E o que é melhor, garantiu a crença de meu pequeno na magia do Papai Noel.
Uma experiência tão encantadora para o Antônio, quanto a do menino criado por Chris van Allsburg, em O Expresso Polar, editado pela Editora Nova Fronteira. O personagem de Allsburg, que sonhava em ganhar um dos guizos de prata das renas de Papai Noel, quando tem seu pedido atendido, percebe que só ele e seus amigos eram capazes de ouvir o tilintar  do guizo. Tilintar que ressoa em seus ouvidos até hoje e "nos de todos aqueles que realmente acreditam". O Antônio, que ouviu atento a história, é um dos que pode ouvi-lo. Que possa fazer parte deste grupo privilegiado, até quando seu coração quiser.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal é tempo de renascimento


Hoje é Natal! Queria ter escrito antes para desejar a todos um feliz dia, mas me enrolei e meus votos vão agora, quase na hora da ceia. Votos de quem não acredita mais em Papai Noel, mas continua acreditando que a vida pode ser bem melhor e será. A menina de Andersen também! Apesar de todo o sofrimento, ele aposta no futuro. Ela nos ensina a estender a mão a quem sofre e, mesmo se não chegar ajuda, a superar nossas próprias dores. Afinal, Natal é tempo de nascimento e, por que não, de renascimento. Assim espero que seja para todos nós.