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domingo, 6 de maio de 2012
Uma história que passa de geração em geração
Fiquei tão feliz quando, por acaso, achei na estante de uma livraria O grande rabanete, de Tatiana Belinky, editado pela Moderna, que resolvi ler a história ali mesmo para o Antônio. Tão logo iniciei a leitura, vi que Tatiana Belinky mais uma vez o conquistara. Ele foi, com a maior animação e atenção, até o fim da história do agricultor que tenta, sem sucesso, puxar um rabanete da terra. A razão de tanto interesse encontra-se no talento de Tatiana em contar ou recontar uma história, como é o caso de O grande rabanete, uma releitura do conto tradicional russo O nabo gigante, recolhido no século XIX pelo grande Leon Tolstoi. Tatiana, russa radicada no Brasil, conta no fim do livro que, como não gosta de nabo, escolheu o rabanete para recontar a história que ouvia na infância de seu avô. O resultado de seu talento, aliado a uma bem-humorada ilustração de Claudius, produz um belo livro para crianças. A animação do Antônio foi tanta que resolvi comprar o livro, que, diga-se de passagem, estava na minha lista de desejos há anos, desde que o conheci por meio de uma ciranda de livros da escola. Lemos na livraria de manhã e relemos à noite em casa, quando tive a grata surpresa de vê-lo decorar o texto para fingir que estava lendo sozinho. Fiquei encantada com o Antônio narrando, com a maior segurança, o esforço do agricultor em retirar o grande rabanete da terra e os reforços que conquistou no meio do caminho para, ao fim, rir-se todo do ratinho garboso, que resolve ficar com os louros do esforço de todos. Tatiana tem razão, esta é uma história para lembrar-se por toda a vida e passar de geração em geração. Não a toa, em 12 anos, o livro já ganhou duas edições e 34 reimpressões. Que Tatiana nos conte outra!
domingo, 7 de novembro de 2010
Eram 10 sacizinhos?
De vez em quando dou uma passeada na loja da Paulinas, na Rua Sete de Setembro, para dar uma fuçada em busca de bons livros para os meninos. A editora tem um católogo enorme de infantis e juvenis que, garimpado, rende belas leituras só encontradas na loja própria. Bom também é quando chego lá em busca de alguma coisa específica, como na semana passada, quando catei em sua estante o livro Dez sacizinhos, de Tatina Belinky, com ilustrações de Roberto Weigand, que tinha visto nas mãos da Sônia Monnerat. A história é a versão de Tatiana para a brincadeira de tangolomango. Mas, como o que importa é a maneira de cada um contar uma história, a de Tatiana, como não poderia deixar de ser, é especial. Tão especial que ela ganhou o Selo de Altamente Recomendável para a Criança, em 1999. Tatiana coloca 10 sacis na brincadeira e vai tirando um a um da história até a Cuca devolver todos eles. O texto de Tatiana, uma de nossas maiores escritoras de infantis e juvenis, é uma delícia. "Sobrou um só sacizinho:/ Comeu urucum,/ Urucum não é comida,/ E não sobrou nenhum." Mas a história, como um bom tangolomango, conta a volta dos sacizinhos para deleite da criançada. O Antônio, muito ligado no Saci que conheceu na escola, adorou. Quando a Cuca devolve os sacizinhos, ele quer voltar ao início, fazendo com que a narrativa de Tatiana se realize ainda mais na circularidade de uma história sem fim. Vale dar destaque à ilustração que foi premiada em 1999, com o Jabuti. Mereceu. Ela contribui para a riqueza da leitura de Dez sacizinhos por abrir um belo diálogo com o texto e com a imaginação da criança. A começar pela sobrecapa do livro, que mostra os sacizinhos escondidos. Por baixo dela, na capa, encontramos os sacis atrás de árvores. A brincadeira de esconder continua na história. Um dos baratos da leitura é procurar a Cuca em seus vários disfarces em cada página do livro. Uma obra para ler e guardar.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Na Cocanha todos os desejos são satisfeitos
Quem não quer viver em um país onde todos seus desejos são satisfeitos? Desde a imortalidade até o ócio. Tudo perfeito! Nem tanto. Há quem morra de tédio nesta terra idealizada na frança medieval, que inspirou até os hippies dos anos 60. Esta terra nos é por Tatiana Belinky, uma bela autora de livros infantis, no Limeriques da Cocanha, editado pela Companhia das Letrinhas e ilustrado com inspiração por Jean-Claude Alphen. Os limeriques, como ela mesmo explica em verso, "são poeminhas/ Que sempre só têm cinco linhas./ Contando, rimados,/ Uns 'causos' gozados. Estórias bem piradinhas." Vale a pena lê-los em voz alta para a criançada e imaginar-se com tão boa vida, mesmo que, ao fim, você conclua como a poeta que a perfeição leva ao tédio. Enfim, desconforto é fundamental. Mas o difícil é uma criança achar isso. O Pedro, por exemplo, deleitou-se imaginando-se na Coconha. A Cocanha seria seu reino e, em seu castelo, haveria toda a sorte de bugigangas eletrônicas, como o Wi e game boy. Mas ele seria um rei generoso. Chamaria todos os mendigos do Rio para morar na Cocanha. Assim, eles teriam casa, comida e roupa lavada. A Cocanha para o Pedro é o paraíso, onde os pobres se tornam ricos e ele estaria no comando. Lugar melhor, não há.
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