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sábado, 12 de março de 2011

Uma bruxinha para chamar de sua

Faz tempo que não escrevo no blog, eu sei. Mas é que aqui em casa fevereiro é um tempo animado. Além da rotina de sempre - trabalho e filhos -, ainda temos o carnaval. Eu e o Cadoca adoramos a folia, que no Rio começa duas semanas antes do carnaval oficial. Por isso, não tenho escrito no blog. Mas nossas leituras noturnas continuaram. O Pedro hoje é um leitor mais exigente. Gosta de novelas e romances, onde pode acompanhar por mais tempo as aventuras e desventuras de seus personagens prediletos. Estamos lendo o quarto livro da série do Pequeno Nicolau, de Sempé e Goscinny. O da vez é A volta às aulas do pequeno Nicolau, editado pela Rocco Jovens Leitores. Ele não se cansa de saber da gulodice do Alceu e das trapalhadas da turminha do Nicolau. Ri que faz gosto. Já o Antônio, meu menino que está prestes a completar quatro anos, adora variar. Cada dia quer um livro diferente. Mas ele tem suas predileções que variam de tempos em tempos. As atuais são O bem com o bem se paga, recontado por Edgard Romanelli e editado pela Moderna, e já comentado aqui, e A Casa assombrada, de Kazuno Kohara, editado pela Cosac Naify. A história da menina que não era apenas uma menina, era também uma bruxa, é realmente encantadora. Tão encantadora que dá frescor às velhas histórias de casas assombradas por fantasmas. Isso explica a razão de o Antônio ter me feito lê-la todos os dias da semana que passou. Como sempre ele resolveu renomear os personagens com nomes de seus amigos queridos. A bruxinha virou Marina e o gatinho, Lucas. Mas no meio da semana o Lucas perdeu o posto para o próprio Antônio, que passou a ser o companheiro das caçadas de fantasmas da Marina. A história é daquelas que permitem às crianças suas próprias fantasias. O texto e a imagem têm a sintonia necessária aos bons livros de imagens, fazendo com que a história seja lida e vista ao mesmo tempo. A japonesa Kazuno Kohara, radicada em Londres, é autora do texto e das ilustrações. Ele teve uma bela sacada para dar leveza à bruxinha e seu companheiro gatinho e aos fantasmas. Suas ilustrações foram todas criadas nas três cores do Halloween - laranja, preto e branco - e impressas em papel Alta Alvura, 150g/m, o que dá elegância ao livro. A leveza e o humor da história são um convite para as crianças, assim como a bruxinha, fazer os fantasmas de gatos e sapatos e rir um bocado do medo que mora em cada um. Pelo menos é isso eu e o Antônio temos feito antes de dormir, com a ajuda da bruxinha de Kazuno Kohara.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O bem com o bem se paga

Ateus, agnósticos e religiosos de variados credos, ninguém, ninguém mesmo consegue ficar indiferente ao clima de fim de ano.  Há, reconheço, aqueles que se incomodam com tudo isso. Olham com desprezo para a multidão que se acotovela nos mercados e ruas em busca de um detalhe para fazer a festa em família ou com os amigos melhor. Tirando os exageros movidos pelo consumismo, que reconheço existir nesta época do ano, estão todos buscando objetos de afeto para renovar seus laços de amizade e amor. Renovar é o verbo do fim do ano. Não há como negar que o fim do ano traz consigo um renovar de esperanças. Isso explica o por que de adultos e crianças aguardarem estas datas como se elas tivessem um poder mágico para mudar tudo para melhor. O Natal e o Revéillon são a dose reservada aos céticos do mundo maravilhoso que tanto encanta as crianças. Nestes dias a gente se encanta com as luzes natalinas, com as belas histórias e as promessas de dias melhores e se entristece com as misérias do mundo para as quais damos as costas nos outros onze meses do ano. Nestes dias nos lembramos de nossos natais de criança e nos esmeramos para dar a nossos filhos a oportunidade de levar do Natal mais que presentes, lembranças de um tempo em que todos acreditam ser possível uma vida mais ética e solidária. Por isso, deixo como dica de Natal o conto popular O bem com o bem se paga, que na edição da Editora Moderna é recontado por Edgard Romanelli e ilustrado por Alberto Naddeo. Na versão de Romanelli para a fábula de que o bem nunca deve dar acolhida ao mal, surgida na Índia do século V a.c., um caipira é ameaçado por uma onça que acabou de salvar. Ao perceber a traição da onça, o caipira implora por sua vida lembrando a ela que a salvou e que o bem com o bem se paga. A onça busca aliados para sua teoria de que nem sempre o bem com o bem se paga até que aparece um danado de um macaco esperto pra burro e cria uma armadilha para soltar o matuto. Boa mensagem para estes dias de Natal em uma sociedade em que se luta diariamente para evitar que o bem dê acolhida ao mal.