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sábado, 3 de dezembro de 2016

Mais um ano em minha vida

Passei um sábado desconectada. Era o dia do meu aniversário e decidi amanhecer em um sarau de poesia e anoitecer em um samba. 

Foi um dia cheio e feliz, que me deixou a certeza de que a vida, mesmo quando nos surpreende com tristezas, como as que experimentamos na semana passada, vale a pena. 

Vale mais ainda quando contamos com o carinho de tantos amigos, que deixaram, por aqui, suas boas vibrações. Sou toda gratidão por ter vocês em minha vida.


PS: O poema da foto eu ganhei de presente da escritora cubana Teresa Cárdenas, de quem falarei adiante. Por enquanto, digo apenas que ela transformou em poesia a dor de seu povo durante o sempre imoral embargo a Cuba, que, nos anos 90, teve efeitos ainda mais cruéis. Como disse, em sua dedicatória, esse poema (clique na foto para lê-lo) define o tempo. O mesmo tempo que me permitiu chegar até aqui.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

50 anos riscando a vida

Hoje acordei com 50 anos. Levantei cheia de sono, querendo dormir mais, mas levantei rápido o suficiente para agarrar a vida com a pressa de quem acredita estar apenas no meio do caminho. E para celebrar essa data, nada melhor do que lembrar o meu poeta preferido, falando com a justeza dos céticos sobre as possibilidades da vida.

"Nunca pensei que tal mundo
com sermões implantaria.
Sei que traçar no papel
é mais fácil que na vida,
Sei que o mundo jamais é
a página pura e passiva.
O mundo não é uma ilha
de papel, receptiva:
o mundo tem alma autônoma,
é de alma inquieta e explosiva.
Mas o sol me deu a ideia
de um mundo claro algum dia.
Risco nesse papel praia,
em sua brancura crítica,
que exige sempre a justeza
em qualquer caligrafia:
que exige que as coisas nele
sejam de linhas precisas
e que não faz diferença
entre a justeza e a justiça."

Trecho de "O auto do Frade", de João Cabral de Melo Neto

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Gato de Sofá fez um ano

Sábado, o Gato de Sofá fez um ano. Queria ter escrito alguma coisa em comemoração a esta data. Mas confesso que fiquei com preguiça. Um feriadão, que começou na feira de produtos orgânicos e terminou na praia com o maridão e as crianças, me deixou na lona, cansadona como ficam todas as mães de pequenos ao fim de um dia de folga. O resultado foi minha total omissão diante do aniversário do meu blog. Mas isso não quer dizer que eu não tenha comemorado a data. Minha comemoração foi a certeza de que encontrei no diálogo que eu e meus filhos travamos com os livros infantis uma enorme fonte de prazer. Prazer em ler as incríveis histórias que têm sido produzidas aqui no Brasil e no exterior, prazer em ver que estas leituras me colocam mais perto dos meus meninos, de seus sentimentos e convicções, prazer em transmitir a eles o amor pelos livros e apresentar-lhes toda a sua beleza e, por fim, prazer em constatar que, ao contar nossas impressões sobre estas leituras, me aproximo de tanta gente legal. Neste ano, conheci gente nova e descobri novos ângulos de quem já conhecia, como a Ângela Nogueira do Velejando nas Letras. Muitas vezes não respondo aos comentários por absoluta falta de tempo. Mas leio todos e visito os blogs de quem me convida. Anoto as sugestões, mas infelizmente não posso ter em mãos todos as histórias sugeridas. Os livros comentados aqui são comprados por mim ou emprestados pela escola dos meus filhos. Todas as vezes que chego em uma livraria me encanto com vários títulos, saio com menos livros do que queria e, mesmo assim, meu marido se espanta com a fatura de nosso cartão de crédito. Isso tudo para dizer que, apesar de minhas limitações financeiras, adoro receber as sugestões e os comentários de quem passa por aqui.
PS: A dupla aí do lado - Calvin e Haroldo - é protagonista de um dos melhores quadrinhos que há. Calvin é tudo de bom para adultos que não se esqueceram de como é bom ser criança.