Cadê, de Guto Lins, editado pela Editora Globo, é a mais nova mania do Antônio. Depois de reclamar muito da quantidade de livros que há na estante, o que, segundo ele, atrapalha o processo de escolha, Antônio, enfim, puxou um para ser lido. Puxou domingo, segunda, ontem, todos os últimos dias o mesmo. Cadê tem qualidades para estar entre os seus preferidos e traz uma particularidade que o encantou: ter duas edições com ilustrações diferentes (a outra, mais antiga, é da FTD). O livro imprime uma velha brincadeira de infância, que eu amava na minha e, adotado pela escola, ajudou a alfabetização do Pedro a ser mais divertida. A parlenda "Cadê o ratinho que estava aqui? O Gato comeu..." foi o texto escolhido por Guto Lins, um criativo ilustrador, para convidar a criança a brincar. Ou melhor, a tocar, a fazer cosquinha, a rir, a interagir com o que lê e com quem lê para ela. Antônio fez tudo isso, mas o que ele mais gostou foi do final da parlenda. "Cadê o ratinho que estava aqui? Foi por aqui, por aqui, por aqui..." Meus dedos seguiam o ritmo do texto, fazendo com que ele risse e se contorcesse todo. O prazer do Antônio foi tanto que reforçou minha crença de que a iniciação da criança na leitura é ancorada no afeto. O afeto é a única razão que nos leva a lermos para nossos filhos e, nos primeiros dias, a fazer com que eles nos escutem. É o calor gostoso de corpo encostado em corpo, são as mãozinhas curiosas no livro e a voz do adulto conduzindo a história que oferecem para a criança a ludicidade proposta pela literatura infantil. O afeto, vale lembrar, é o que mais conta na vida. Não tenho dúvidas de que foi ele quem me moveu nos últimos anos. Ele me deu casa e comida, norte na vida e um olhar para o futuro. Foi com ele que construí minha família, preenchi meus vazios e re-signifiquei minha história. É dele que me alimento, que supero minhas perdas e celebro meus ganhos. E é para ele que quero criar meus filhos. No mais, só me resta esperar pela vida. Ela, como a parlenda, tem sempre uma surpresa guardada a frente. E creio, cada dia mais, que boa.
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quarta-feira, 2 de julho de 2014
Um livro, uma parlenda, muitos afetos e algumas surpresas
Cadê, de Guto Lins, editado pela Editora Globo, é a mais nova mania do Antônio. Depois de reclamar muito da quantidade de livros que há na estante, o que, segundo ele, atrapalha o processo de escolha, Antônio, enfim, puxou um para ser lido. Puxou domingo, segunda, ontem, todos os últimos dias o mesmo. Cadê tem qualidades para estar entre os seus preferidos e traz uma particularidade que o encantou: ter duas edições com ilustrações diferentes (a outra, mais antiga, é da FTD). O livro imprime uma velha brincadeira de infância, que eu amava na minha e, adotado pela escola, ajudou a alfabetização do Pedro a ser mais divertida. A parlenda "Cadê o ratinho que estava aqui? O Gato comeu..." foi o texto escolhido por Guto Lins, um criativo ilustrador, para convidar a criança a brincar. Ou melhor, a tocar, a fazer cosquinha, a rir, a interagir com o que lê e com quem lê para ela. Antônio fez tudo isso, mas o que ele mais gostou foi do final da parlenda. "Cadê o ratinho que estava aqui? Foi por aqui, por aqui, por aqui..." Meus dedos seguiam o ritmo do texto, fazendo com que ele risse e se contorcesse todo. O prazer do Antônio foi tanto que reforçou minha crença de que a iniciação da criança na leitura é ancorada no afeto. O afeto é a única razão que nos leva a lermos para nossos filhos e, nos primeiros dias, a fazer com que eles nos escutem. É o calor gostoso de corpo encostado em corpo, são as mãozinhas curiosas no livro e a voz do adulto conduzindo a história que oferecem para a criança a ludicidade proposta pela literatura infantil. O afeto, vale lembrar, é o que mais conta na vida. Não tenho dúvidas de que foi ele quem me moveu nos últimos anos. Ele me deu casa e comida, norte na vida e um olhar para o futuro. Foi com ele que construí minha família, preenchi meus vazios e re-signifiquei minha história. É dele que me alimento, que supero minhas perdas e celebro meus ganhos. E é para ele que quero criar meus filhos. No mais, só me resta esperar pela vida. Ela, como a parlenda, tem sempre uma surpresa guardada a frente. E creio, cada dia mais, que boa.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Uma história para ser contada ou cantada
Um dos meus maiores prazeres é ver meus dois filhos se divertindo juntos e sabendo dividir. Dividir o amor dos pais, em primeiro lugar, os momentos da vida, em segundo, e os prazeres, por fim. Isso nem sempre é possível quando se é criança e se vive 24 horas lado a lado, mas quando acontece é um momento especial. Um momento que, aqui em casa, tem-se repetido nos últimos tempos na hora de dormir e ouvir uma história. O Pedro cede para o Antônio ouvir sua história e o Antônio, finalmente, aprendeu a ceder para o Pedro ouvir a sua. As do Antônio, em sua maioria, têm divertido muito o Pedro, que resolveu narrá-las de forma teatral e criar noites divertidas para todos nós. Sua primeira incursão no gênero foi com Pé de cobra, e asa de sapo e a performance continuou com Cadê o pintinho?, de Márcia Leite, editado pela Pulo do Gato e ilustrado por Anita Prades. O livro é uma delícia e tem ilustrações e projeto gráfico que colaboram para a graça do reconto da canção popular do Pintinho Piu. A cada página, Márcia traz um novo bicho da fazenda para procurar o pintinho e, aqui em casa, a farra se instala. O Antônio cata o pintinho no amontoado de bichos que Anita Prades, uma estudante de apenas 20 anos, novata na arte de ilustrar, dá divertida vida em suas belas ilustrações e o Pedro me chama a atenção para o fato de a cada novo personagem, o tipo das letras diminui para dar ideia de que algo se acrescenta na história. As páginas se sucedem em cores quentes e o branco do coletivo, até que, na última, todos os bichos estão a catar o pintinho, que aparece espantado no alto do amontoado deles. Para quem tem talento musical, tudo pode ser ainda mais divertido se for cantado em vez de contado. Mas eu, com certeza, não posso me arriscar na voz. Uma pena!
terça-feira, 11 de outubro de 2011
O encantamento de Sylvia Orthof
É muito bom quando a gente pega um livro e se encanta por ele, como me aconteceu com Fada Cisco Quase Nada, de Sylvia Orthof, editado pela Ática. O Antônio chegou em casa da escola com o livro da ciranda e logo me pediu para lê-lo. Senti de imediato que aquela história era especial. Nem sempre os livros da ciranda o animam dessa forma. A maioria deles é preterida por ele, que sempre quer ler os seus próprios. Mas a Fada Cisco chamou sua atenção. Tão logo comecei a ler a história de Sylvia Orthof entendi o encantamento do meu filho, tão pequeno como a fadinha que ganha vida nas cores de Eva Furnari. Cisco traz em si a essência da infância tão bem contada na obra de Sylvia, uma de nossas grandes autoras de literatura infantil e juvenil. Uma essência que, segundo Sylvia, pode ser entendida por gente de todas as idades. "A rosa é encantada: só se abre para quem sabe que sempre é tempo de fada", garante ela ao apresentar a morada da fadinha. Passear pela casa da Cisco é outro grande barato do livro que se deve ao rico diálogo entre ilustração e texto. Acompanhar a história de Sylvia de olho nas ilustrações de Eva foi um desafio que encantou o Antônio e a mim, que descobri, com a leitura, que meu filhote já é capaz de ligar ao concreto abstrações - como meia, chulé e pé - e acompanhar sem perder detalhes uma história tão rica quanto a da fada cisco. Ao fim de quase 10 leituras em apenas dois dias, partilhei com o Antônio a certeza de que a Fada Cisco é mesmo muito especial, tanto que ele chorou quando eu disse que tínhamos que devolver o livro para a escola. Tomara que a Fada Cisco volte para meu pequeno Antônio no fim do ano!
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
A viagem de Max para onde vivem os monstros
Uma bela história é o melhor que há na literatura infantil. Melhor ainda quando uma bela história é acompanhada de belas ilustrações. Este é o caso de Onde vivem os monstros, com texto e ilustração do premiado autor americano Maurice Sendak. O livro é uma beleza que consquista a gente no primeiro toque. Digo toque porque a edição da Cosac Naify é de um capricho que vai do papel importado à lombada de tecido. Mas o livro merece. A história de Max que, castigado pela mãe, embarca em uma viagem imaginária à terra em que vivem os monstros e, chegando lá, torna-se por sua esperteza o rei do lugar merece tanto esmero. As ilustrações de Sendak são tão expressivas que nos fazem sentir a textura do pelo dos monstros e a rudeza da vegetação do lugar, fazendo de sua história e de seus personagens uma peça mítica. Mas, engraçado, não foi isso que chamou a atenção do Pedro. O que lhe conquistou foi mesmo a história e a descoberta de Max de que nem todo amor é verdadeiro. "Ele percebe que os monstros só gostavam dele porque ele era o rei. Quem gostava dele era a mãe e o pai", resumiu meu menino, que colocou um pai na história, em que só aparece a mãe. Justo. O Cadoca merece. Agora a gente aguarda a estreia do filme de Spike Jonze que, pelo que vi no trailer, faz jus a beleza do livro.Quem quiser conhecer outro comentário do Gato de Sofá sobre o livro, clique aqui.
domingo, 10 de maio de 2009
Uma história de amizade e traição
Raposa, de Margaret Wild, com ilustrações de Ron Brooks, editado pela Brinque-Book, é um belíssimo livro. Os personagens - um cão cego de um olho, um corvo sem uma asa e uma raposa invejosa - levantam várias questões que mobilizam as crianças: solidariedade, amizade, inveja, traição e arrependimento. Texto e ilustração criam um clima denso que deixa o pequeno leitor aflito com o destino de seus heróis. A raposa, confesso, causou desconforto até em mim, que li para o Pedro. Na ilustração da capa seus olhos são dourados, o que dá um olhar sombrio à invejosa raposa, que entra na história para separar o cão e o corvo. A ilustração é tão impressionista que o Pedro rejeitou o livro, dizendo que teria pesadelos com a história. Ele só me deixou lê-lo em um noite em que o Caio, meu afilhado, dormiu aqui em casa. Juntos, como deveria ser com o cão e o corvo, enfrentaram a raposa e seus medos. Tanta tensão tem um escape no final da história. A autora dá ao corvo o benefício do arrependimento. Tudo bem que ele terá que enfrentar um longo caminho de volta, sem a certeza do perdão. Belo livro para adultos e crianças que recebeu uma série de merecidos prêmios para texto e ilustração.
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