terça-feira, 31 de março de 2009

A boca da noite

O Pedro ainda era bem pequeno quando a Leni Medeiros, minha colega de trabalho, me presenteou com vários livros infantis da recém-desfeita bibliteca de seus filhos que estavam entrando na adolescência. A maior boca do mundo, de Lúcia Pimentel Góes, com ilustrações de Claudia Scatamacchia, veio nessa leva. O livro editado pela Ática caiu no gosto do Pedro, que me pedia para lê-lo quase que diariamente. Me pediu tanto que me animei a dar o livro de presente para alguns de seus amigos. A história do desafio que a avó de Laurinha propõe sobre quem tem a maior boca do mundo é realmente muito legal. A menina vai em busca do ser que tem a maior boca do mundo até que, para sua surpresa, descobre que ele não bicho, nem gente. A maior boca do mundo é a da noite. O texto usa o artifício da repetição para aumentar o suspense e a criança vai seguindo Laurinha em sua busca, com o prazer que um somente uma bela história pode nos proporcionar.

sábado, 28 de março de 2009

Amar sempre, apesar das perdas

Cada livro tem o seu tempo. Assim é com os adultos e com as crianças. Foi o caso do belo A velhinha que dava nome às coisas, de Cyntia Rylant com ilustrações de Kathryn Brown, editado pela Brinque-Book. O Pedro ganhou este livro da Bebel, uma coleguinha dele, em seu aniversário de 4 anos, e nunca, nunca mesmo, me deixou lê-lo. A primeira tentativa que fiz foi interrompida com comentários de que o livro era chato e fim de papo. Na quinta-feira, resolvi desencavá-lo da estante e fazer nova tentativa. A leitura foi acompanhada com a maior atenção e, mesmo com os olhos pescando o sono, resistiu até o fim e, com uma carinha de prazer, disse que a história é muito legal. E ele tem razão. É mesmo muito legal a história da velhinha que perdeu todos os seus amigos para a morte e, com medo de sofrer, resolve não se ligar a mais ninguém. Por isso, ela passa a dar nome a coisas, como sua casa e sua cama, que sabe que vão durar mais do que ela. Assim, evita o sofrimento da perda. A estratégia de fuga dá certo até o aparecimento de um pequeno cãozinho. Mas a dona da história não cede fácil. Ela tem que perdê-lo para entender que o legal é viver os momentos, sejam eles eternos ou não. Um bom aprendizado para as crianças que sofrem por atencipação pensando no dia em que os pais já não estarão aqui e em como sobreviverão à família que lhes deu tanto conforto. O cachorrinho ensina à velhinha que, se quiseremos, nunca estaremos sós, apesar de nossas perdas.

sábado, 21 de março de 2009

Será que é mesmo um ratinho?

Sei que falo pouco de livros para pequenos. Sei disso porque sinto falta do meu pequeno Antônio no blog. Mas confesso que tenho questões com os livros destinados aos bebês. O fato de eles não aguentarem ouvir histórias com muito texto, não justifica que a maior parte dos livros para esta faixa etária seja desprovida de significado. O sentido não necessariamente se dá pelo texto, mas por sua riqueza simbólica. Isto a maior parte dos atuais livros não tem. A pobreza simbólica é que me faz refletir todas as vezes que vou a uma livraria, se o Antônio precisa mesmo de mais um livro. Mais um livro-brinquedo, mais um livro de texturas, mais um livro de pop-ups, mais um livro de sons, mais um livro de belas ilustrações, mais um livro sem significado algum... Ter muitos destes livros é igual a ter um quarto cheio de brinquedos que não acrescentam nada à vida das crianças. Por isso, mexo e remexo as prateleiras e, muitas vezes, saio de mãos abanando, me preparando para reler algum livro que ele já tem. Mas quando encontro um belo livro, fico muito feliz em poder oferecê-lo ao Antônio. Foi assim que me senti hoje ao entregar para meu bebê É um ratinho?, do ilustrador/autor belga Guido Van Genechten, pela Gaudí Editorial. A obra é belíssima, sem ter nenhuma linha de texto. O livro é um cartão que se dobra várias vezes. A criança ao desdobrá-lo vai surpreendendo-se com a transformação de um bicho em outro. Será que é mesmo um ratinho? Vale a pena entrar nesta brincadeira. E quem quiser mais, tem os outros títulos É uma rã?, É um caracol? e É um gato?.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Caramba está em busca de suas qualidades

Hoje é dia de novidade aqui em casa. O Pedro sempre traz um livro da escola. Normalmente um livro que não conhecemos e que nos abre uma nova janela para a prosa ou a poesia. Mas hoje não foi nada disso. Ele trouxe pela terceira vez um dos livros da série Estela e Marcos, da ilustradora/escritora Marie-Louise Gay, editados pela Brinque-Book. Já falei de um destes livros neste blog, mas não posso deixar de citar novamente esta autora que nos encanta com a ingenuidade e a poesia da fala das crianças. Para não repetir dicas, vou falar de outro livro dela, tão encantador quanto as histórias dos irmãos Estela e Marcos. É o Caramba, editado pela Callis, que tem como protagonista um belo e inseguro gatinho. Ele confessa para sua melhor amiga, uma porquinha, sua tristeza por não voar como os outros gatos. "Ué, mas gato não voa!", foi dizendo o Pedro, logo no início da história. "Mas nesta história, eles voam", repliquei, calando o realismo de meu filho. Bom... dá para imaginar que o protagonista vai passar por várias provações até descobrir que também tem seu valor. Afinal, o Caramba nada. "Gatos não nadam! Todo mundo sabe disse!", disse um dos primos de Caramba, tão incrédulo quanto o Pedro. Mas o Caramba nada e fica muito feliz em descobrir sua qualidade, que o leva como o voo a experimentar a sensação de liberdade. O livro é lindo e ajuda nossos filhos a se apaziguarem com suas inseguranças.

terça-feira, 17 de março de 2009

Criança quer brincar, brincar e brincar

Não existe quem nunca tenha ouvido, quando criança, a pergunta "o que você quer ser quando crescer?". Hoje, a resposta dos meninos brasileiros a esta questão é quase sempre a mesma: jogador de futebol. Na turma do Pedro, que tem 7 anos, oito dos 10 meninos querem ser craques da pelota. Meu afilhado, de 9 anos, estuda inglês pensando no dia em que jogar na Europa. Mas antes das crianças sonharem e fantasiarem um futuro de glória ou delícias - eu queria ser dona de uma loja de guloseimas -, elas ouvem muito a clássica pergunta "o que você quer ser quando crescer?". Nem todas entendem o que isso quer dizer. O Antônio, tenho certeza, às vésperas de completar dois anos, nem sonha com o futuro. Assim, como o Pedro, aos cinco anos, ao ouvir pela primeira vez esta pergunta. Ele pensou bastante antes de responder sem rodeios: "Quero ser macaco." A desimportância deste tema para o Pedro, naquela época, encontrou eco na leitura do livro O que você quer ser, Zeca?, de Jeanne Willis, com ilustração de Mary Rees, editado pela Salamandra. O livro mostra como nos primeiros anos da infância esta questão existe somente por causa da ansiedade dos adultos. Zeca é atormentado pelos parentes curiosos em saber o que ele quer ser quando crescer. Todo mundo tem um projeto grandioso para ele. Coitado do menino! Tem gente querendo que ele seja um gênio da informática, bailarino, joquéi e, até, político. Mas ele só quer ser uma criança normal, brincar, brincar e brincar. A resposta dele coloca os adultos em seus devidos lugares.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Um Lé com Cré cheio de sentido

Sempre olho desconfiada para livros de poesia para criança. Poesia é poesia. Não tem essa de ser para criança. O que tem é poesia falando do universo da criança, assim como música. Por isso, quando vejo uma bela edição de poesia para crianças compro logo para ler para o Pedro e, agora, para o Antônio, meu bebê. Eu adoro poesia e gostaria muito que meus filhos tirassem dos versos o mesmo prazer que eles me dão. Por isso, não abro mão de um bom livro como o Lé com cré, do poeta José Paulo Paes, ilustrado por Alcy e editado pela Ática. Na primeira vez que o li para o Pedro e o Antônio, que além de não parar quieto ainda ameaçava arrancar o livro de minhas mãos, os poemas de Paes fizeram o maior sucesso. Também pudera, ele fala, com o talento de sua poesia, de pulga, Frankenstein, de advinhas e de uma belíssima versão do Cadê?. Vale a pena ler e reler.

terça-feira, 3 de março de 2009

Eva Furnari faz graça com a língua

Quem não conhece Eva Furnari está na hora de conhecer. A ilustradora é autora também de alguns saborosos livros. Alguns com texto e outros só com imagens. Mas os meus preferidos são três que fazem graça com a língua. Você troca, Não confunda e Assim assado, todos da Editora Moderna. Eva propõe uma brincadeira com o leitor, apresentando criativas e engraçadas ilustrações com textos rimados. "Você troca um espião com preguiça por um ladrão de salchiça?", pergunta a autora para a criança. Os livros são tão legais e entram tão na onda da criançada próxima da alfabetização, que adora uma rima, que frequentemente são adotados por escolas na primeira série. Meu filho Pedro usou o Você troca na escola, mas, antes, ainda na educação infantil, se divertiu muito me ouvindo ler as rimas de Eva Furnari. Um detalhe divertido é imaginar como é a autora que se apresenta com um auto-retrato onde aparece como uma bruxinha, a semelhança de seu personagem mais famoso criado para a Folha de São Paulo. Mas, posso garantir, que ela não se parece nem um pouco com uma bruxinha.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A primeira visão do universo

Há 400 anos, Galileu Galilei usou pela primeira vez uma luneta. O instrumento permitiu que ele descobrisse as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vênus, os quatro grandes satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e aglomerações de estrelas da Via Láctea. A luneta criada pelo cientista florentino levou o olhar do homem para o céu, inaugurando uma nova era na história da humanidade. Mas o preço de sua ousadia não foi barato. Galileu foi condenado por heresia pelo Tribunal da Inquisição, da Igreja Católica, por aderir à teoria do heliocentrismo, proposta por Copérnico. Ele, que foi obrigado a se retratar, também acreditava que o Sol era o centro do universo e não a Terra. Hoje, com instrumentos muito mais precisos e sofisticados, os cientistas podem conhecer detalhes de nosso universo. Aproveitando o Ano Internacional da Luneta, decretado pela Unesco, podemos apresentar aos nossos filhos este fascinante universo que encanta a todos nós, crianças ou adultos. Um bom começo é o livro O Sistema solar em terceira dimensão, da Todolivro. Ele nos apresenta belas fotos, em 3D, dos planetas e das luas do sistema solar e informações básicas sobre cada um deles. A leitiura fez com que o Pedro descobrisse a Lei da Gravidade ao duvidar que a Terra pudesse rodar em torno do Sol e de si mesma. "Se isso fosse possível, eu estaria balançando e estou parado", disse meu pequeno. Foi então que, com a ajuda do livro, do globo terrestre de seu quarto e de minhas noções básicas de física falei sobre a Lei da Gravidade. Acho que ele entendeu.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Uma vizinhança de futuro

Tem tempo que não atualizo o blog. Mais precisamente 11 dias. Acho que nunca fiquei tanto tempo longe, mas é que fevereiro é um mês complicado. Volta às aulas, aniversário do Pedro, carnaval - ah! meus dias de folia - e este sol de rachar o coco. Com tudo isso fica difícil arrumar tempo e concentração para fazer qualquer coisa que não seja trabalhar e cuidar da vida, aí incluído marido , filhos e casa. Ia até me esquecendo da casa, que dá um trabalhão. É supermercado, feira, empregada e muito mais. As vezes dá até saudades do tempo que era solteira e saracoteava por aí nas horas vagas com o Cadoca, hoje meu maridão. Foi impossível não lembrar destes dias ao ler o criativo Vizinho, Vizinha, da Companhia das Letrinhas, que meu filho trouxe da biblioteca da escola. O livro é uma criação de Roger Mello, com a participação luxuosa das ilustradores Graça Lima e Mariana Massarani. À Graça coube desenhar a Vizinha, à Mariana, o Vizinho, e ao Roger, o belíssimo corredor do prédio, além da criação dos textos. Os dois vizinhos solitários vivem suas rotinas separados apenas por um corredor e sonham com a possibilidade de um dia se encontrarem. O desejo do encontro, pensei eu com malícia, ignora o que pode lhes acontecer no futuro. Mas, na verdade, na verdade, a melhor coisa da vida são os encontros, apesar de seus futuros encargos. Viva a casa da Lu e do Cadoca, com crianças, gato, empregada e muita confusão.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Na Cocanha todos os desejos são satisfeitos

Quem não quer viver em um país onde todos seus desejos são satisfeitos? Desde a imortalidade até o ócio. Tudo perfeito! Nem tanto. Há quem morra de tédio nesta terra idealizada na frança medieval, que inspirou até os hippies dos anos 60. Esta terra nos é por Tatiana Belinky, uma bela autora de livros infantis, no Limeriques da Cocanha, editado pela Companhia das Letrinhas e ilustrado com inspiração por Jean-Claude Alphen. Os limeriques, como ela mesmo explica em verso, "são poeminhas/ Que sempre só têm cinco linhas./ Contando, rimados,/ Uns 'causos' gozados. Estórias bem piradinhas." Vale a pena lê-los em voz alta para a criançada e imaginar-se com tão boa vida, mesmo que, ao fim, você conclua como a poeta que a perfeição leva ao tédio. Enfim, desconforto é fundamental. Mas o difícil é uma criança achar isso. O Pedro, por exemplo, deleitou-se imaginando-se na Coconha. A Cocanha seria seu reino e, em seu castelo, haveria toda a sorte de bugigangas eletrônicas, como o Wi e game boy. Mas ele seria um rei generoso. Chamaria todos os mendigos do Rio para morar na Cocanha. Assim, eles teriam casa, comida e roupa lavada. A Cocanha para o Pedro é o paraíso, onde os pobres se tornam ricos e ele estaria no comando. Lugar melhor, não há.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Palavra Cantada é música boa

Hoje vou escrever para quem não conhece o grupo Palavra Cantada. Sei que a dupla Paulo Tatit e Sandra Peres já tem um enorme fã clube, mas sei também que há vários pais recentes que nunca ouviram falar na música maravilhosa que estes dois paulistanos fazem para nossos filhos. É música para criança, mas, repito o que disse do Rodapião, que adulto adora ouvir. Juro que isso não é clichê. Experimente ouvir os discos Meu neném ou Canções de Ninar sem contagiar-se pelas melodias e letras delicadas feitas para colocar nossos bebês para dormir. Já dormi muito embalada pelo Palavra Cantada. Mas fazer dormir não é o único objetivo do grupo, que conta com parcerias bacanas de Arnaldo Antunes, Ná Ozzetti e Hélio Ziskind. Tem música para todas as ocasiões. Meu disco favorito é o Pé com Pé, resultado de uma pesquisa sobre ritmos do Brasil. O CD tem dois discos, um instrumental e outro com as letras. Quem quiser pode apresentar suas crianças ao Palavra Cantada por meio dos DVDs de shows e maravilhosos clipes produzidos para a TV Cultura. Meu neném, o Antônio, não pode ouvir os primeiros acordes da já clássica Sopa do Neném para correr para frente da TV. Ele faz a festa, dança e bate palmas com Paulo Tatit e Sandra Peres. Além de ser diversão garantida, é música de qualidade para livrar nossas crianças das tolices comerciais que tanto se faz em nome delas. Se quiser saber mais, basta dar uma olhdada no site http://www.palavracantada.com.br/

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A aventura da descoberta do Brasil

Estivemos nas férias a bordo da réplica perfeita da Nau Capitânea, navio com o qual Pedro Álvares Cabral desembarcou em 1500 em Porto Seguro, na Bahia. Os meninos, como não poderia deixar de ser, ficaram animadíssimos passeando pelo navio que, em mim, adulta, provocou uma certa frustração. Confesso que imaginava uma caravela enorme com uma cabine bacana para o comandante, mas que nada! A nau mais parece um barcão, onde 120 homens passaram dois meses, defecando ao mar e dormindo todos juntos em um porão úmido e escuro. Nada parecido, por exemplo, com o navio do Capitão Gancho. Mas a visita à nau, que é precidida por uma exposição sobre a aventura portuguesa, vale a pena. Na seqüência dela, vale emendar com a história de Ruth Rocha, ilustrada por Eva Furnari, em que o menino Pedrinho se envolve na aventura que foi a descoberta do Brasil. Faz muito tempo, no entanto, não é recomendável para crianças muito pequenas apesar de em sua contracapa estar indicado para crianças maiores de três anos. A história é longa e legal para quem já tem condições de entender um pouco deste encontro de dois mundos tão diferentes.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Brasileirinhos em verso e belíssimas ilustrações







O poeta Lalau e a ilustradora Laurabeatriz formam uma dupla e tanto! Eles são os autores da maravilhosa série Brasileirinhos, editada pela Cosac & Naify. São quatro livros em que eles apresentam em verso e em belíssimas ilustrações bichos brasileiros que estão em risco de extinção. A seleção dos bichos é um dos pontos altos dos livros, que nos apresentam desde o famoso e fofo peixe-boi até a desconhecida lagarixa-de-areia. Cada um deles ganha uma página dupla, onde um poema exalta suas características e qualidades e um pequeno texto informa sobre seu habitat, sua alimentação e a condição de risco em que vive. Os textos são fáceis e agradáveis e podem ser lidos para crianças bem pequenas. O Pedro foi apresentado ao primeiro deles, Brasileirinhos - na minha opinião o melhor -, aos três anos. Os outros - Novos Brasileirinhos, Mais Brasileinhos e Bem Brasileirinhos - vieram na seqüência e serviaram tanto para ele ter os primeiros contatos com a poesia, quanto para ele conhecer mais sobre os bichos brasileiros. Até hoje, já alfabetizado, gosta de folhear e ouvir as histórias destes bichos tão brasileiros. O encanto dos livros rendeu à série o selo de Altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil. Com justiça!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Uma fábula bem brasileira

Hora de dormir é para o Pedro igual a hora de contar histórias. Todo dia é a mesma coisa, ele escolhe três livros para eu ou o pai contarmos para ele. Tem dias que pede mais de três. Normalmente quando está mais cansado e não vai conseguir chegar acordado à segunda história. Foi o que aconteceu hoje. Ele me pediu que relesse Jabuti sabido e macaco metido, de Ana Maria Machado, editado pela Nova Fronteira, entre outros quatro livros. Mas só conseguiu ouvir a história de Ana Maria sobre uma disputa entre bichos de uma mata bem brasileira para saber qual é o mais sabido. A narrativa é muito legal e tem o tom de fábula, em que o comportamento dos bichos deixam lições de moral para nós, humanos. A fábula de Ana Maria nos ensina que muitas vezes aqueles que se acham os mais espertos são os bobos da história. Tudo em uma prosa impecável que ganha ainda mais brilho nas belíssimas ilustrações de Graça Lima que lembram a cerâmica de nossos índios do Xingu.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A vida de Laura por Clarice Lispector

Ninguém duvida de que Clarice Lispector é uma escritora genial. Mas nem todo mundo sabe que ela escreveu para crianças. E, como não podia deixar de ser, sua literatura infantil é da melhor qualidade. O meu livro preferido é A vida íntima de Laura, ilustrado por Flor Opazo. Laura é uma galinha que tem o pescoço mais feio do mundo, e que, além de tudo, é burrinha e medrosa. Mas que apesar de burrinha, tem uns pensamentozinhos e sentimentozinhos. Imaginem só, uma história inteirinha dedicada a esta personagem tão comum, presente em qualquer quintal de interior. Pois é, mas o talento de Clarice faz com que o relato da vida íntima de Laura seja um delicioso livro para ser compartilhado com os filhos. Ela escreve como quem conversa com a criança, surpreendendo-a com comentários maliciosos sobre a galinha Laura. É realmente muito divertido xeretar a vida de Laura pela lente do maravilhoso texto de Clarice. Vale a pena ler este e os outros quatros títulos da escritora para crianças - Como nascem as estrelas, A mulher que matou os peixes, O mistério do coelho pensante e Quase de verdade, todos editados pela Rocco.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Papo de urubu

O Caio, meu afilhado, tem nove anos e é um flamenguista doente. Não à toa ao ser indagado qual era seu livro preferido, escolheu Meu pequeno rubro-negro, do Gabriel Pensador, ilustrado por Mario Alberto e editado pela Belas Letras. Eu, uma tricolor convicta, tenho que admitir que o livro é muito legal e tem tudo para encantar os pequenos rubro-negros. O texto do Gabriel Pensador é coloquial e cheio de informações sobre a história do time e as ilustrações de Mario Alberto fazem jus à grandeza do espetáculo que é uma partida de futebol no Maracanã. Se contado com o entusiasmo de um torcedor, vale como um clássico. Mas para isso tem-se que acreditar no que se lê. Por isso, quando meu filho Pedro vem me pedir, até implorar, para que eu leia o livro para ele, digo não e mando que vá procurar o pai, flamenguista como ele. Afinal, sou tricolor e este livro é papo de urubu.

sábado, 3 de janeiro de 2009

As marchinhas também encantam crianças

Na sexta-feira, eu e meu marido fomos assistir com uns amigos à reestréia do musical Sassaricando, e o Rio inventou a marchinha, em cartaz no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea. O espetáculo é tão legal que me arrependi de não ter levado o Pedro. Acredito que ele, apesar de ser uma criança, iria curtir a peça e a possibilidade de conhecer as marchinhas que nos deixaram uma herança de irreverência e clássicos, que de tão conhecidos parecem até música de domínio público. Afinal que criança nunca ouvir falar do pirata da perna-de-pau, do olho de vidro e da cara de mau? Do Zezé e sua cabeleira? Das touradas de Madri? E da Marcha do Remador? Elas podem não saber que eram marchinhas, mas que as conhecem, as conhecem. E pela cara das várias crianças que estavam na platéia, o musical pode ser um boa opção para nossos filhos.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz ano novo!

Aproveito estas últimas horas de 2009 para desejar a todos, nesta virada de ano, o renovar das esperanças. Para isso, recorro ao mestre João Cabral de Melo Neto, em o Auto do Frade. " O mundo não é uma folha/ de papel, receptiva:/ o mundo tem alma autônoma,/ é de alma inquieta e explosiva./ Mas o sol me deu a idéia/ de um mundo claro algum dia."

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um manifesto contra a intolerância

Confesso que nunca imaginei encontrar um livro infantil ilustrado pelo cartunista Jaguar, dono de um desenho irreverente que causou arrepios nos mandões da Ditadura Militar e à primeira vista não tem nada a ver com criança. Mas que nada! A Editora Ática apostou certo ao editar, em 1999, Dois idiotas sentados cada qual no seu barril..., o feliz encontro da maravilhosa Ruth Rocha com o traço de Jaguar. O livro é uma pequena grande obra que revela às crianças o absurdo da intolerância e suas possíveis conseqüências. O Teimosinho e o Mandão travam um áspero e irracional diálogo em torno de uma vela. O detalhe é que os dois estão sentados, cada qual, em um barril de pólvora. A intolerância faz com que eles terminem a história indo aos ares. Como diz Ruth Rocha: "Lá se vão os idiotas: era uma vez um teimoso, era uma vez um mandão..." A força do texto e do traço não deixam dúvidas nos pequenos leitores. A intolerância não traz bom resultado. Que a Ruth e o Jaguar nos contem outra!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Bebê faz cocô no trono e puxa a descarga

O Antônio ganhou no Natal um lindo livro da minha mãe que vai me ajudar muito na hora de tirar suas fraldas. Cocô no trono, Benoit Charlat, da Companhia das Letrinhas, é grande, interativo, super bem ilustrado e fala direto para a faixa etária dos fraldinhas. Um pintinho muito engraçadinho observa vários bichos fazendo cocô na privada até que resolve, ele mesmo, sentar-se no trono para fazer seu cocozinho. Ao fim, educadíssimo, puxa a descarga provocando um coro de aprovação dos outros bichos que levantam-se em uma página de pop-up. O detalhe é que o pequeno leitor aperta na descarga para ouvir seu som. Sucesso garantido com os bebês.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Marcos e Estela para todas as idades

Uma das tarefas mais difíceis de um escritor - acredito - é falar como uma criança pequena. Pouquíssimos são aqueles que conseguem reproduzir as falas improváveis de uma criança na primeira infância. Marie-Louise Gay, com certeza, é um deles. Sua série de livros sobre os irmãos Marcos e Estela, publicada pela Brinque-Book, é maravilhosa justamente por reproduzir nos diálogos dos dois a ingenuidade das crianças. Um fala com o outro os maiores absurdos com a autoridade de uma criança que ainda não distingue com clareza a realidade da fantasia. Fantasia que faz Marcos acreditar que uma borboleta é azul porque come pedacinhos do céu. Mas engana-se quem pensa que Marie-Louise quis fazer poesia fácil com esta idéia. Marcos estava, na verdade, respondendo à irmã que afirmou que as boboletas amarelas são aquelas que comem mel. As histórias são ainda mais deleciosas quando aparece o Fred, o cachorro de Marcos que, o menino jura, é adestrado. A delicadesa dos livros, ilustrados pela própria Marie-Louise, faz com que a editora os recomende para crianças de dois a oito anos. Mas arrisco dizer que é diversão para todas as idades, afinal quem não gosta de poder lembrar-se de como pensava quando era pequeno.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Para falar de ciência com crianças

Uma das lembranças mais fortes de minha infância é a quantidade de revistas que eu e meus irmãos tínhamos em casa. Eram muitos gibis, que depois de lidos serviam de cadernos escolares para meus ficticios alunos e de novidades em uma banca que montávamos vez em quando no quarto dos meninos. Nós gostávamos de tudo que é revista. Mas não lembro de nenhuma que falasse de curiosidades e ciências ao alcance de crianças. Nossa curiosidade encontrava respostas nas enciclopédias Barsa, Delta Larousse ou Conhecer que, na minha casa, volta e meia ia parar no banheiro. Hoje, as enciclopédias estão fora de moda e a internet vai ganhando espaço como instrumento de pesquisa. Mas nada como manusear um impresso! E quando ele é legal como a Ciência Hoje para Crianças a satisfação é garantida. A revista mensal tem uma pauta que fala de curiosidades científicas ou fatos históricos, das profissões, dos bichos em extinção, de histórias legais com ilustrações bacanas de nossos melhores ilustradores, enfim, uma revista de variedades para crianças que estão sendo iniciadas no mundo da ciência. Tudo isso com o selo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e um preço bem bacaninha. Para quem quiser saber mais, basta acessar a página http://cienciahoje.uol.com.br/view/418

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A vida dos animais contada para bebês

Outro dia, na reunião de pais da turma do Antônio, meu caçula, uma mãe falou de sua dificuldade em escolher livros para para seu filho, como o meu, um bebê. Pois é realmente difícil! Como saber o que é legal entre os inúmeros títulos que as livrarias expõem com pouco texto e ilustrações bastante coloridas e chamativas? Pois o que tenho feito é tentar achar algum conteúdo, seja de informação ou afetivo, nos livrinhos que levo para meu bebê. Este Vida de tigre, Editora ABC Press, é um pequeno livro cheio de encanto. O Antônio adora ver o tigrinho na selva, nas florestas geladas, nadando, caçando, carregando os filhotes e, enfim, rugindo. Ele que ainda não fala, arrisca com sucessso um rugido de tigrinho. O título faz parte de uma coleção que conta ainda a vida das vacas, das ovelhas, dos hipopótamos, das zebras e dos pingüins. Tudo bem colorido, como gostam nossos pequenos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Desconstruindo o lobo





O Pedro, meu filho mais velho, foi um apaixonado por Os três porquinhos. Todos os dias ele pedia para contar a história dos três irmãos perseguidos pelo lobo mau. A repetição era tanta, que comprei mais de uma versão para a história e a usei como tema de sua festinha de três anos. O Pedro, como outras crianças apaixonadas por esta história, tinha um medo enorme do lobo. Afinal, era um lobo muito mau que, em algumas versões, infernizava a vida dos porquinhos e, no original, comia os dois mais novos sem piedade. Mais tarde, desapegado dos porquinhos, ele começou a gostar de histórias de outros lobos. O lobo e os sete cabritinhos também era um clássico aqui em casa, apesar da violência da narrativa que acaba com o lobo jogado no lago com um monte de pedras na barriga. Dá para imaginar o fim trágico do malvado lobo que come os filhos de dona Cabrita. Até que chegou uma hora em que foi necessário desmistificar este tal lobo mau. Há uma série de livros que fazem isso. Mas há dois que valem a pena ser citados. Chapeuzinho Amarelo, do nosso Chico Buarque, ilustrado com maestria por Ziraldo e editado pela José Oympio Editora, e O cuidado com o menino, uma história inglesa de Tony Blundel, traduzida por Ana Maria Machado e editada pela Salamandra. São leituras maravilhosas que mostram que o lobo não é tão poderoso assim. A história de Chico é maravilhosa e leva a criança a perceber que o medo do lobo é fruto de sua imaginação e que, afinal, ele pode não ser tão mal assim. A libertação de Chapeuzinho é contada em versos que, se lidos com vontade, transformam-se em um mantra contra o medo. Para fechar o ciclo dos lobos, vale O cuidado com o menino. É bom mesmo ter cuidado, afinal o menino é tão esperto que faz do lobo faminto gato e sapato. O fim do lobo que se preparava para jantar o menino é surpreendente.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Feliz Natal!


Olha que lindo o cartão de Natal que a Mariana Massarani me mandou! Aproveito o ensejo para desejar a todos um feliz Natal e um belo 2009.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um banho de imaginação

A ilustradora Mariana Massarani não só tem um belo traço, tem também boas histórias. Banho!, da Global Editora, é um divertido livro em que quatro irmãos - Edson, Edilson, Edmilson e Ednalva - são levados aos tapas para o banho por uma mãe que vira onça. Mas já que o banho é inevitável, que seja divertido. Enquanto Edson, Edilson e Ednalva se imaginam em uma aventura em um rio cheio de botos, piranhas, peixes elétricos, sucuris, Edmilson fica lendo um gibi no vaso sanitário. O banho rola e Edmilson no vaso. O banho acaba e Edmilson no vaso. As crianças vão jantar e Edmilson no vaso. A leitura é muito divertida. Afinal, quem não tem um Edmilson em casa, que parece que vai florir de tão plantado que fica no vaso. Eu e o Pedro rimos muito sempre que o lemos, imaginando quem é o nosso Edmilson. Além de divertida, o livro é uma boa oportunidade para nossas crianças conhecerem um pouco mais a fauna dos rios amazônicos. Nós aproveitamos um dia, depois da  leitura, para pesquisar na internet os peixes brasileiríssimos que as crianças da Mariana imaginam seu banho. Foi divertido ter um primeiro contato com a internet, como fonte de informação. Melhor ainda foi conhecer estes meninos, que se parecem com qualquer um dos nossos filhos, nesta hora tão evitada pelas crianças, mas que, com um pouco de imaginação, se transforma em mais um momento legal da vida. Que a Mariana nos conte outra!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Música para criança que adulto gosta de ouvir

Tem muita gente que torce o nariz quando o assunto é música para criança. Também pudera! A maior parte dos discos gravados para crianças tem uma qualidade musical bastante duvidosa. Mas quem estiver disposto a procurar coisa boa, acha. Este é o caso do Duo Rodapião, formado pelos professores mineiros Eugênio Tadeu e Miguel Queiroz. O repertório do duo é formado principalmente por músicas do folclore brasileiro e europeu, mas foge à obviedade dos discos de cantiga de roda. O Dois a dois, de 1994, e o Murucututu, de 2001, mostram a força da voz e de instrumentos prosaicos e improvisados para fazer uma música vibrante e cativante. O último lançamento do duo foi o Nigun, de 2007, com gravações de canções de várias partes do mundo. A palavra nigun é de origem hebraica, que quer dizer melodia sem palavras. É música para crianças e para adultos, que pode ser encontrada no site da Livraria Cultura.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A viagem surrealista de Veríssimo

Aqui em casa cada um tem seu livro preferido. O meu marido já veio logo cobrando os seus: "Você tem que colocar no blog a dica do Eugênio, o Burro; Borba, o gato; e As aventuras do Avião Vemelho". Os dois primeiros são da genial Ruth Rocha com os desenhos bacanérrimos da Mariana Massarani. Realmente são ótimas leituras. Eugênio é um burrinho bem teimoso, que não quer fazer nada que os pais pedem. Quem não conhece um Eugênio? Já Borba é um gato metido a policial. Ele não se conforma com a interdição do destino que o fez gato e não cão policial e luta até o fim por seu sonho. Um obstinado. O último é do Érico Veríssimo, um dos meus escritores preferidos. Isso mesmo, o Veríssimo pai é autor de seis divertidos livros infantis. A minha edição é de 1983, da Editora Globo, com ilustrações de Vera Muccillo. Mas os livros podem ser econtrados em uma edição recente da Companhia das Letrinhas, com ilustrações da Eva Furnari. As histórias são uma confusão. Com certeza foram brotando da imaginação de nosso genial escritor no momento de colocar os filhos para dormir. São narrativas que misturam várias histórias clássicas e situações domésticas. O herói ou o anti-herói de As Aventuras... é o menino Fernando que pisa no rabo do gato, joga água quente no cachorro e pedra nas galinhas. Enfim, um típico peralta do século passado que se mete em uma viagem surrealista com um urso de pelúcia, um boneco negro e uma lata de biscoito. A bordo do avião vermelho, Fernando transforma-se no Capitão Tormenta. Bom... só lendo para crer em tanta imaginação. O resultado é que Pedro, meu filho, um pouco Eugênio, um pouco Borba e um pouco Capitão Tormenta, acaba sendo vencido pelo sono antes que as aventuras de Fernando cheguem ao fim. Afinal, é um livro de fôlego.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O futuro do planeta está em pauta

Neste momento, na Polônia, autoridades estão reunidas mais uma vez, sob o manto da ONU, para discutir as mudanças climáticas que estão pondo em risco o futuro do planeta. A coisa é séria e nossas crianças têm que ser informadas sobre o problema e educadas para respeitarem o meio ambiente. Uma boa ajuda neste esforço é o livro O que está acontecendo com a nossa terra?, da jornalista Kristina Michahelles, editado pelo IBGE, e ilustrado com a criatividade de sempre da Mariana Massarani. Com a ajuda de um pingüim que veio parar, em 2000, na Praia de Copacabana, Kristina explica para o pequeno leitor o que é o efeito estufa e como o homem pode enfrentar o problema. Além disso, a autora propõe uma série de experiências e passatempos para que os pequenos possam aprender brincando que é necessário preservar a natureza para salvar o planeta. Vale a pena procurar o livro, que está em falta na livraria do IBGE.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Um belo momento para mãe e filho

Mamãe, você me ama?, de Barbara M. Joosse, da Brinque-Book, é um livro para a hora de dormir, com mãe e filho bem juntinhos. É um bom momento para reafirmar este amor enorme que une as mães a seus filhos, mesmo que eles nos levem à loucura em suas tentativas de testar limites e a nossa paciência. Barbara, com a ajuda das ilustrações de sua xará Barbara Lavallee, de inspiração esquimó, encontra uma maneira terna de dizer a nossos pequenos que eles podem nos irritar, nos deixar com medo, tristes e preocupadas, mas que, mesmo assim, nós sempre os amaremos. Esta leitura, com certeza, ajuda nossos filhos a lidar com o medo que toda criança tem de decepcionar a mãe.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Viva a casa dos beijinhos!

Tem tempo que não falo de livros para bebês. Pois bem, A casa dos beijinhos, de Cláudia Bielinsky, editada pela Companhia das Letrinhas, é uma boa pedida. O livro tem ilustrações super atraentes e interativas, convidando a criança a abrir as abas onde estão escondidos os textos. A história é singela como pedem os bebês. Neném é um cachorrinho que vai andando por todos os cômodos da casa, recusando beijinhos de vários bichos até encontrar seu irmãozinho e, por fim, os pais para os esperados e merecidos beijos. Como o livro é enorme (28cmX37cm) e impresso em papel cartão, suspeito que meu filho se sinta no teatro, quando o manuseia. É história para ser contada em voz alta, com o livro aberto no chão para permitir que o bebê brinque com ele. É livro também para irmãos brincarem juntos e para acabar em sessão de beijocas. Aqui em casa fazemos muitas guerras de beijos. O vencido é imobilizado e atacado por todos os outros com muitos beijos. Vale beijo de mãe, de pai, de marido, de mulher, de irmão ou de filho. Pois é, viva a casa dos beijinhos!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Três respostas para uma vida feliz


Assim que meu filho mais velho nasceu, decidi que ele ganharia um livro, além do brinquedo desejado, em todos os natais e aniversários. Era uma forma de fazê-lo entender que livro também é presente. Até aí, tudo bem. O problema começou quando fui eu, em seu primeiro Natal, escolher o livro para presenteá-lo. Entrei naquela livraria bacana em frente ao Cinema São Luiz e comecei a procurar. Foi que encontrei um lindo livro, com ilustrações e textos de Jon J Muth, baseado em uma história de Leon Tolstoi. Pensei com os meus botões: é esse! Foi então que comprei As três perguntas, da Editora Martins Fontes. Não preciso continuar a contar a história para dizer que errei. Errei feio. O livro é realmente lindo, belissimamente escrito e ilustrado, mas não é indicado para um bebê como era meu filho. É legal para um menino, como ele é hoje, que começa a encarar o desafio de pensar sobre o que é essencial à vida, como propõe a fábula de Tolstoi adaptada para crianças. As respostas às três perguntas tocam a todos: adultos e crianças.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Amar também os diferentes

É longo o debate sobre inclusão e convivência com diferentes em uma sociedade marcada pela lógica da exclusão e da intolerância com os desiguais. Educar nossos filhos para a tolerância deve ser nossa contribuição para o futuro. Por isso, nunca é demais apresentar à garotada livros com este compromisso. O problema é encontrar títulos que tenham compromisso também com a qualidade literária. José Roberto Torero conseguiu com o seu talento garantir as duas qualidades em O pequeno rei e o parque real, da Editora Objetiva. O protagonista, um reizinho lindo e loiro, com sua intolerância não quer admitir em seu parquinho nenhuma criança diferente dele. Ao perceber que ficara sozinho o reizinho tem duas opções: fechar o parque e brincar com sua imagem no espelho ou abrir os portões para todas as crianças brincarem e se divertir a valer. O final quem escolhe são os pequenos leitores que se encantam com o texto todo rimado de Torero e o colorido das ilustrações de Vinícius Vogel. O livro foi um belo presente que minha amiga Daniela Schubnel deu a meu filho mais velho, quando meu caçula nasceu. Valeu, Schuschu!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Seres mitológicos são sucesso garantido

Livros sobre seres mitólógicos e fantásticos são uma unanimidade. As crianças adoram ler sobre bruxas, fantasmas, lobos, unicórnios, centauros, mulas-sem-cabeça e outros seres que, ao mesmo tempo, as aterrorizam e as encantam. Por isso, é farta a literatura sobre estes seres. É preciso sentar no chão da livraria e escolher uns bem legais para apresentar para a garotada. Eu recomendo três: Bruxa, Bruxa, venha a minha festa, da Editora Brinque Book, Bichos que existem e que não existem, da Cosac Naify, e O grande livro dos seres fantásticos, da Editora Leitura. Eu sugiro que se apresente um de cada vez. O primeiro é um livro de belíssimas ilustrações, com pouco texto que recorre ao artifício da repetição muito comum nos livros para pequenos e apresenta personagens conhecidos desta faixa etária. O segundo, já pode ser apresentado a uma criança um pouco maior que possa se divertir brincando de advinhar se o bicho em questão existe ou não. O terceiro é legal para uma criança em fase de alfabetização que possa, ela mesmo, folhear o livro povoado de gnomos, quimeras, fadas, fenix e outros seres mitologicos. Vale a pena apostar na imaginação.

Uma prosa bem brasileira

A Onça e a Cabaça, de Daniela Chindler, é para ser contada em voz alta, no melhor clima de poesia de cordel. A narrativa de Daniela é bem brasileira, cheia de trava-línguas e onomatopeias que divertem a quem lê e a quem ouve sua história. O primeiro livro dela que me chegou às mãos foi A onça e a cabaça, da Editora Paulinas. A obra conta a história de um macaco abusado e imprudente que resolve bulir com uma onça. Tinha tudo para dar errado, mas o resultado é uma delícia. Além da prosa divertida e rica de Daniela, o pequeno leitor pode se deliciar com o traço vibrante da Mariana Massarani, que garante ainda mais humor ao duelo entre o macaco e a onça. Meu filho adora ouvir e eu adoro ler esta história, que ganhou o prêmio Acervo Básico FNLIJ - Criança, em 1998. Um livro que, com certeza, não fica velho e vai sempre render boas, repetidas e muito divertidas leituras para quem entrar no barato da autora, que bebeu lá na fonte das histórias populares brasileiras para criar a sua A onça e a cabaça. 

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Grandes autores para pequenos leitores

A chuva que caiu ontem no Rio, alagando e engarrafando a cidade, me levou à Livraria Arlequim, no Paço Imperial, no Centro, para fazer hora. Não é que tive uma grata surpresa ao fuçar as estantes um tanto bagunçadas da casa? O belo livro Os encontros de um caracol aventureiro e outros poemas, de Federico García Lorca, da Editora Ática, editado especialmente para crianças. Os poemas foram selecionados e traduzidos pelo nosso poeta e ensaísta José Paulo Paes e ilustrados pelo premiado Odilon Moraes. No poema que dá nome ao livro, Lorca usa um diálogo entre rãs, formigas e um caracol para abordar temas sempre atuais, como a eternidade, a tolerância e o poder. A leitura é gostosa e, por meio dela, podemos apresentar o grande autor espanhol para nossos pequenos leitores. E, como a edição é bilíngüe, quem quiser pode ler os poemas no original.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Brincar no Museu do Índio

Visitar o Museu do Índio, na Rua das Palmeiras, em Botafogo, é sempre um bom programa. Mas agora, em novembro, ele pode ficar ainda mais divertido com o Jogo da Onça, uma brincadeira comum em Mato Grosso, em que os cachorros têm que encurralar a onça. O museu preparou um tabuleiro no chão para a criançada e os adultos brincarem de onça e cachorro. Quem quiser mais informações pode entrar no site do museu pelo endereço http://www.museudoindio.org.br/template_01/default.asp?ID_S=5&ID_M=516.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Misturando histórias

Bela surpresa tive com este livro de pop-up. Mistura de Monstros, da Ciranda Cultural, foge à obviedade do gênero e nos propõe uma divertida brincadeira: a de misturar as páginas do livro - cortadas ao meio - e assim ganhar novas possibilidades de ilustrações e de histórias. Os montros ganham os olhos de um e a boca do outro e assim novas criaturas vão surgindo, até a criança cansar de misturar as páginas. O legal é que os textos são escritos de maneira a fazer sentido se lidos fora da ordem inicial.

sábado, 8 de novembro de 2008

Contos para adultos incorformados

Confesso que nunca ouvira falar em Jacques Prévert até depararme com o instigante título Contos para crianças impossíveis, uma tradução da Cosac Naify. Mãe de uma criança impossível e apaixonada por histórias, resolvi comprar o livro ilustrado pelo brasileiro Fernando Vilela. Ao ler a apresentação do filósofo José Arthur Giannotti percebi de imediato que o livro não era exatamente para uma criança, mas para adolescentes e adultos incorformados. Isso mesmo. Jacques Prévert faz um manifesto contra o antropocentrismo que fez o homem destruir e dominar a natureza. Seu discurso é a favor da natureza, mas não foi escrito na recente onda do crescimento sustentável. Ele é um dos expoentes da literatura francesa do pós-guerra - sua primeira obra Paroles foi publicada em 1945 - e fala o francês do povo. Sua verve é libertária e questiona o modelo que nos fez senhores do mundo. Seu manifesto me encantou. Com certeza vou procurar para ler suas outras obras publicadas no Brasil: Dia de folga, da Cosac Naify, Carta das Ilhas Andarilhas, da 24 Letras, e Poemas, da Nova Fronteira.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Educando gente bacana

Vale a pena acompanhar o blog da psicóloga Rosely Sayão. O diálogo com ela é bem legal para nos ajudar na difícil tarefa de educar nossos filhos. Ela fala sobre educação com uma ótica humanista, que foge da visão atual de que temos que criar profissionais para o mercado e aposta na complexidade dos seres humanos com seus defeitos e qualidades. Para ler basta acessar http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/

domingo, 2 de novembro de 2008

Livros moderninhos causam polêmica

Duas editoras suecas estão criando polêmica com a edição de livros infantis em que meninos e meninas vivem papéis trocados e têm famílias nada tradicionais. Leia mais em http://criancas.uol.com.br/novidades/bbc/ult4551u108.jhtm

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A grande questão

Quem nunca se perguntou de onde veio, para onde vai e porque está aqui? A resposta não é fácil e com certeza não é única. Mas a gente pode encontrar uma ajuda para aplacar esta angústia, que nasce conosco, no maravilhoso livro do alemão Wolf Erlbruch. Nossas crianças não precisam saber alemão para brincar de filosofar sobre A Grande Questão. O livro foi editado com capricho, em português, pela Editora Cosac & Naify. A leitura compartilhada da obra, que ganhou o prêmio de melhor livro na Feira de Bolonha, em 2004, é uma divertida brincadeira entre adulto e criança, com cada um falando sobre o porque está aqui. Eu acho que estou aqui para amar os meus. E você?

Pedro, cavaleiro de Atena

Pedro, meu filho mais velho, de seis anos, é um arteiro, como bem definiu sua professora ano passado. Ele adora uma bagunça e uma boa história, que pode vir pelos filmes ou pelos livros. Sua mais nova paixão é a série Os Cavaleiros do Zodíaco, de Masami Kurumada. Ele gosta tanto que passa o dia todo consultando as histórias e os personagens na Enciclopédia dos Cavaleiros do Zodíaco, da Conrad Editora. O livro é bem legal, traz todos os detalhes dos mangás, que tratam de uma luta entre Atena, filha de Zeus, e Hades, o guardião do mundo dos mortos. Em defesa dela, entram cavaleiros inspirados em mitologias. A história revelou ao meu filho um mundo de tragédias, heróis e aventuras que ele adorou. Por meio dela, já lemos Divinas Aventuras, de Heloisa Prieto, ilustrado por Maria Eugênia, da Companhia das Letrinhas, e estamos começando a ler a série Mitos Gregos, da editora Scipione. Mas o preferido dele continua a ser Os Caveleiros do Zodíaco. Pedro, inclusive, levou o livro hoje para a escola. Tomara que o cabeça-de-vento o traga de volta.

Pedro Pingüim, um pequeno grande livro

O Antônio, meu caçula, é um fofo. Ele tem apenas um ano e meio é já é um apaixonado por livros. Nesta foto, tinha um ano e três meses e estava se divertindo com o livro Pedro Pingüim, da Difusão Cultural do Livro. Ele tem toda razão, o Pedro Pingüim é uma pequena grande obra. Fala de um pingüinzinho que não se conforma em ser preto e branco e quer ser colorido, como o macaco, a boboleta, a baleia e outros bichos. Até que entende que o legal é ser como somos. Em seu caso preto e branco, como a zebra, o panda e o texugo. Apaziguado com si próprio, Pedro finalmente fica feliz em seu bando. Além de uma mensagem bacana, o livro dá ao bebê a possibilidade de explorar cores e texturas diferentes.

Um bom programa: Costurando Histórias


Para quem não conhece o grupo Costurando Histórias, vale a pena ir neste fim de semana (1º e 2/11), de 13h às 18h, ao Centro Cultural da Justiça Federal, no Centro. O grupo, dirigido pela atriz Daniela Fossaluza, conta histórias em tapetes de tecido que funcionam como grandes livros interativos. A ténica foi desenvolvida há mais de 20 anos pela educadora francesa Clotilde Hamman, em parceria com seu filho, o diretor de teatro Tarak Hamman, para ser uma forma lúdica de incentivo à leitura. A atividade é gratuita e as senhas serão distribuídas 30min antes. O Centro Cultural da Justiça Federal fica na Avenida Rio Branco, 241, no Centro, o telefone é 3261-2550 e o site, http://www.ccjf.trf2.gov.br/.

O livro que você queria

Escolhi a dica de um site de procura de livros infantis – Livros para uma cuca bacana - para ser a primeira postagem deste blog por ser sempre difícil a escolha de um bom livro, que seja adequado a faixa etária do nosso leitor mirim. Basta acessar http://editora.globo.com/especiais/crescer_cuca_bacana/default.asp para procurar o livro que você quer, considerando a idade do pequeno leitor. E fica registrada aqui a pergunta para as editoras: por que não classificar por idade os livros infantis?