Meninos do mangue, de Roger Mello, editado pela Cia. das Letrinhas, foi um dos livros infantis que mais me impressionaram nos últimos tempos. A história da aposta feita pela Sorte e pela Preguiça e a prenda a ser paga pela perdedora é absolutamente envolvente. A gente começa e não quer parar. Mas como a leitura era em voz alta para o Pedro, foi feita em capítulos. Assim, por algumas noites lemos as oito histórias em que a Preguiça, a perdedora - é claro, teve que contar para a Sorte. Nos dias de muito sono, o Pedro só aguentava ouvir uma. Mas, em alguns dias, o interesse vencia o sono e ele conseguia ouvir mais de uma história. Todas elas são maravilhosas e criativas e tem a prosa de um autor original. Roger conta uma história única, que, claro, faz referências a tradição de nossa literatura infantil e juvenil. Mas com certeza ela é de um autor original, que cria um belíssimo jogo entre a sorte e a preguiça para contar para as crianças o que é a vida no mangue, sem qualquer piedade pela pobreza que anda por lá. O Pedro aprendeu com a leitura que as pessoas do mangue vivem de catar siri na lama e que separam o dia pelas quatro mudanças de maré. Aliás, a história de como surgiram as marés alta e baixa é genial. Mais genial ainda é poder contar para meu filho uma história de um mundo tão diferente do nosso, que não desperte nele pena de quem não é como ele. Roger, com os meninos do mangue, deu a meu filho a primeira oportunidade de olhar o mundo de forma a relativizar as verdades sobre a felicidade. Viva Meninos do Mangue, que rendeu a Roger, em 2002, o Jabuti nas categorias infantil ou juvenil e ilustração de livro infantil ou juvenil, além de prêmios da FNLIJ e da Fondation Espace Enfants, da Suiça. Viva Roger, que, com justiça, empresta seu nome à biblioteca infantil do Ceat (Centro Educacional Anísio Teixeira) e concorre ao Alma.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
As histórias da Preguiça contadas para a Sorte
Meninos do mangue, de Roger Mello, editado pela Cia. das Letrinhas, foi um dos livros infantis que mais me impressionaram nos últimos tempos. A história da aposta feita pela Sorte e pela Preguiça e a prenda a ser paga pela perdedora é absolutamente envolvente. A gente começa e não quer parar. Mas como a leitura era em voz alta para o Pedro, foi feita em capítulos. Assim, por algumas noites lemos as oito histórias em que a Preguiça, a perdedora - é claro, teve que contar para a Sorte. Nos dias de muito sono, o Pedro só aguentava ouvir uma. Mas, em alguns dias, o interesse vencia o sono e ele conseguia ouvir mais de uma história. Todas elas são maravilhosas e criativas e tem a prosa de um autor original. Roger conta uma história única, que, claro, faz referências a tradição de nossa literatura infantil e juvenil. Mas com certeza ela é de um autor original, que cria um belíssimo jogo entre a sorte e a preguiça para contar para as crianças o que é a vida no mangue, sem qualquer piedade pela pobreza que anda por lá. O Pedro aprendeu com a leitura que as pessoas do mangue vivem de catar siri na lama e que separam o dia pelas quatro mudanças de maré. Aliás, a história de como surgiram as marés alta e baixa é genial. Mais genial ainda é poder contar para meu filho uma história de um mundo tão diferente do nosso, que não desperte nele pena de quem não é como ele. Roger, com os meninos do mangue, deu a meu filho a primeira oportunidade de olhar o mundo de forma a relativizar as verdades sobre a felicidade. Viva Meninos do Mangue, que rendeu a Roger, em 2002, o Jabuti nas categorias infantil ou juvenil e ilustração de livro infantil ou juvenil, além de prêmios da FNLIJ e da Fondation Espace Enfants, da Suiça. Viva Roger, que, com justiça, empresta seu nome à biblioteca infantil do Ceat (Centro Educacional Anísio Teixeira) e concorre ao Alma.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Cara a cara com a autora
Outro dia descobri que a Ninfa Parreiras, que coordena o grupo Letra Falante, do qual faço parte, iria à escola dos meus filhos para falar de sua obra. Resolvi fazer uma surpresa para o Pedro e trouxe para casa o livro Poemas do tempo, ilustrado pela Mariana Massarani e editado pela Paulinas. O Pedro ficou animadíssimo ao receber o presente. "A Estela (professora da biblioteca) está lendo este livro pra gente", contou. À noite, que, por azar, foi a do apagão, me fez ler o livro de novo. Sob a luz de uma lanterna, sentamos - eu, ele e o Antônio - para ler e ouvir os poemas da Ninfa que falam do tempo em suas várias versões. Tempo das descobertas, de sorvete, das despedidas, da escola, de fora, do infinito... No dia seguinte, o livro foi para escola nas mãos do Pedro, ávido por um autógrafo e para contar de quem era filho. Assim que cheguei em casa veio logo falar das novidades e mostrar os autógrafos que havia ganho. "Meus amigos me acharam muito sortudo de ter um autógrafo da Ninfa", disse. Não foi bem sorte. Foi insistência. A Ninfa me contou que o Pedro não se contentou com um autógrafo, quis logo três. Aí que entendi porque havia mais de uma dedicatória no mesmo livro. O resultado de tamanha aventura foi que ele ficou fã de carteirinha da Ninfa. Já me pediu para comprar o novo livro dela, que, segundo ele, sai no próximo ano e curte muito o Poemas do tempo. Com justiça... o livro é muito bacana e os poemas falam de vivências bem conhecidas das crianças. Tudo para sua leitura ser um sucesso.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Uma janela aberta para o mundo
A beleza e a dramaticidade de África, o livro de nosso fotógrafo maior Sebastião Salgado, editado pela Taschen, me obriga a abrir uma exceção e deixar entrar no Gato de Sofá uma obra que não é destinada a crianças. As fotos de Salgado mostram um continente grandioso, de belos animais e selvagem natureza, que dá abrigo a uma população castigada pelas guerras e pela fome que luta para manter sua dignidade e identidade. A lente de Salgado mira no ponto mais sensível de nosso planeta e nos sacode da letargia induzida pelas benesses do consumo. Aquela gente sofrida me fez voltar nos anos e reencontrar interlocutores com quem pudesse confessar minha dor ao ver com a crueza do preto e branco tamanha injustiça e desigualdade. A leitura de África, apresentada pela prosa do moçambicano Mia Couto, me fez acreditar que os valores humanistas que nortearam minha adolescência e juventude não foram totalmente soterrados pelo hedonismo do consumismo, que tenta fazer de todos nós seres alienados que se alimentam dos prazeres do materialismo. As fotos de Sebastião Salgado me deram a esperança de que meus filhos vão conseguir encontrar um lugar no mundo em que eles possam ser gente que se irmana com seus semelhantes - ricos ou pobres, iguais ou diferentes - e não apenas máquinas em busca do sucesso e do conforto que o dinheiro pode pagar. Aguardo o dia em que possa mostrar para eles as fotos de Sebastião Salgado e, com elas, abrir uma janela onde eles possam se debruçar para ver o mundo.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
Um ratinho encantador
Tem dias que estou para falar aqui de um livro delicioso que dei para o Antônio. O Ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado, de Andrey Wood, com ilustrações de Don Wood, editado pela Brinque-Book. A história de um ratinho que encontra um morango e é surpreendido por uma voz que o alerta do perigo do grande urso esfomeado querer sua conquista é super bacana. O leitor passa todo o tempo acompanhando as emoções do ratinho e se perguntando de quem afinal é aquela voz. A ilustração de Don Wood, marido e parceiro de Andrey em outros livros, como A Casa Sonolenta, é fundamental para compor o clima de suspense criado pela história. O resultado é um livro para toda a família curtir junta - os pequenos, os maiores e os adultos. Aqui em casa todos nós adoramos o ratinho, que é encantador com suas caras e bocas.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
O Gato de Sofá fez um ano
Sábado, o Gato de Sofá fez um ano. Queria ter escrito alguma coisa em comemoração a esta data. Mas confesso que fiquei com preguiça. Um feriadão, que começou na feira de produtos orgânicos e terminou na praia com o maridão e as crianças, me deixou na lona, cansadona como ficam todas as mães de pequenos ao fim de um dia de folga. O resultado foi minha total omissão diante do aniversário do meu blog. Mas isso não quer dizer que eu não tenha comemorado a data. Minha comemoração foi a certeza de que encontrei no diálogo que eu e meus filhos travamos com os livros infantis uma enorme fonte de prazer. Prazer em ler as incríveis histórias que têm sido produzidas aqui no Brasil e no exterior, prazer em ver que estas leituras me colocam mais perto dos meus meninos, de seus sentimentos e convicções, prazer em transmitir a eles o amor pelos livros e apresentar-lhes toda a sua beleza e, por fim, prazer em constatar que, ao contar nossas impressões sobre estas leituras, me aproximo de tanta gente legal. Neste ano, conheci gente nova e descobri novos ângulos de quem já conhecia, como a Ângela Nogueira do Velejando nas Letras. Muitas vezes não respondo aos comentários por absoluta falta de tempo. Mas leio todos e visito os blogs de quem me convida. Anoto as sugestões, mas infelizmente não posso ter em mãos todos as histórias sugeridas. Os livros comentados aqui são comprados por mim ou emprestados pela escola dos meus filhos. Todas as vezes que chego em uma livraria me encanto com vários títulos, saio com menos livros do que queria e, mesmo assim, meu marido se espanta com a fatura de nosso cartão de crédito. Isso tudo para dizer que, apesar de minhas limitações financeiras, adoro receber as sugestões e os comentários de quem passa por aqui.PS: A dupla aí do lado - Calvin e Haroldo - é protagonista de um dos melhores quadrinhos que há. Calvin é tudo de bom para adultos que não se esqueceram de como é bom ser criança.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
O que há entre o bife e a pipoca?
Foi uma decepção a leitura de Ponto de Vista, de Ana Maria Machado, para o Pedro. Li página por página com a maior calma para que ele não se perdesse no ritmo da narrativa em versos todos rimados, mas não deu certo. Ao fim de tudo perguntei o que ele tinha gostado e sua resposta foi curta: do Ziraldo. Insisti e ele repetiu a resposta. Justa escolha. Realmente o Ziraldo é o máximo e seu traço geométrico valoriza o morro e os prédios da cidade partida descrita por Ana Maria. Mas desconfiei que a resposta era de alguém que, na verdade, não tinha entendido a narrativa e mudei a pergunta. O que você entendeu do livro? A resposta veio curta e direta: "Nada." Não me espantei. Afinal, a narrativa em versos rimados, que nem sempre seguem a ordem natural das orações para fechar as rimas, confunde um leitor iniciante como o Pedro. Parei e expliquei para ele a história dos meninos que nasceram um na favela e outro no asfalto, se encontraram na praia e se tornaram amigos de toda a vida. Bonita mensagem de alguém que sofre com a cidade partida. Mas, confesso, achei ingênua demais. Mas me perguntei se esta ingenuidade não seria necessária para apresentar este problema a um menino, como o meu, de apenas 7 anos? Talvez. Por isso, guardei para mais tarde o conto O bife e a pipoca, do livro Tchau, de Lygia Bojunga, editado pela Casa de Lygia Bojunga, que traz a realidade nua e crua do encontro de Rodrigo, menino de classe média, e Tuca, menino de favela que estuda de bolsa na escola de bacanas. O conto é preciso no sofrimento de Tuca e de Rodrigo, que ao se aproximar entendem as diferenças entre seus dois mundos. Doído, mas real. Leitura para quando o Pedro puder suportar o tranco. Por enquanto, vamos ficando com o sonho de vencer as desigualdades com nosso esforço de não descriminar os diferentes.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Tão perto, tão longe
Não é de hoje que percebo o Pedro com o olho comprido, triste e confuso quando se depara com uma pessoa na rua pedindo dinheiro ou comida. Se for uma criança, ele fica ainda mais confuso. Ele segue em frente, mas seu olhar continua acompanhando o pedinte e tentando entender esta realidade tão dura, que faz de uma criança como ele um ser tão diferente e incompreensível. Esta situação me dá dó. Dele e do menino da rua. Os dois, cada um a seu jeito, sofrem com a desigualdade que existe em nosso país. Mas não me permito ceder à tentação de mãe de tentar poupá-lo deste sofrimento. Muita gente me pergunta se não é cedo demais para explicar a ele a pobreza e a miséria que parte de nossa população sofre. Eu acho que não. Não quero que o Pedro e o Antônio cresçam indiferentes a esta realidade. Sei que vão sofrer, mas é inevitável. Só tento evitar que eles, em sua lógica infantil, achem que dinheiro compra felicidade e todos os pobres são infelizes. Isso não é verdade. A infelicidade está na miséria. Para dar mais elementos para o Pedro entender esta complicada equação social que coloca uns lá em cima e outros lá em baixo resolvi apresentar a ele Ponto de Vista, de Ana Maria Machado, com ilustrações de Ziraldo, editado pela Melhoramentos. Eu já vinha paquerando este livro há tempos, mas achava cedo para ele entender o que até hoje eu me pergunto a razão. Agora acho que está na hora. Vou ler para o Pedro hoje à noite e depois conto como foi que ele recebeu a história do encontro de um menino da favela e de um menino do asfalto.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Bartolomeu e Roger Mello concorrem ao Alma
A literatura infanto-juvenil brasileira está novamente concorrendo ao ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award), o maior prêmio internacional em prol da literatura para crianças e jovens do mundo, com as indicações do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, pela segunda vez, e do ilustrador Roger Mello, que assina o São Jorge ao lado, estreando entre os concorrentes de 61 países. Na categoria promotor de leitura, Maurício Leite concorre pela terceira vez. O mundo só vai conhecer o vencedor do prêmio em 24 de março de 2010. Quem sabe a gente não repete este ano o feito de Lygia Bojunga que, em 2004, recebeu a segunda edição do prêmio pelo conjunto de sua bela obra. Um orgulho para nossa literatura que já concorreu em outros anos com as candidaturas de Ana Maria Machado e Ângela Lago.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Uma família feita de amor
Lendo hoje o comentário de uma colega no Facebook sobre a adoção de seu filho, ainda um bebê, me lembrei de um livro lindo que o Cadoca comprou em um bazar e me trouxe para eu ler para o Pedro, na época um menininho de uns quatro anos. Assim que comecei a ler Conta de novo a história da noite em que nasci, de Jamie Lee Curtis, ilustrado por Laura Cornell, editado pela Salamandra, percebi logo que se tratava de uma menina adotada perguntando aos pais sobre o encontro deles. Um encontro cheio de emoção que vai, aos poucos, mostrando ao pequeno leitor como a chegada de uma criança faz com que um casal se transforme em uma família. E, neste caso, pouco importa se ela é filha biológica ou adotada, o que importa é que ela seja desejada. Tanto é que o Pedro nem percebeu este detalhe e, como a menina, me pediu para contar de novo. A história é singela, como deveria ser, e as ilustrações dão um tom divertido ao relato da noite em que os três se encontram. Uma curiosidade é que a autora é filha dos atores Tony Curtis e Janet Leigh. Vale ler para todas as crianças, adotadas ou não, porque o que fica é o desejo dos pais de tê-las.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
A turma da vida inteira
A turma, de Helme Heine, editado pela Martins Fontes, foi o primeiro livro em que a morte aparece que não fez o Pedro chorar. Pelo contrário. Ele se divertiu muito lendo a história dos três amigos - professor Cérebro, Rose Coração e Barrigão - que nos encontram no nascimento e vão conosco até o fim. Talvez pelo livro falar muito mais da vida do que da morte. Nem mesmo a ilustração de um caixão incomodou o Pedro. Ele foi atento até o fim da história, quando morremos e os três amigos tomam rumos diferentes. O professor vai ao encontro de seus colegas falar de nós, o Barrigão não nos abandona e Rose vai distribuir corações para que não nos esqueçam. Uma bela maneira de falar do nosso fim, sem que as crianças fiquem com medo ou angustiadas. A morte como continuidade da vida e um tempo em que não seremos totalmente esquecidos. Um alento que nos dá o autor/ilustrador alemão que encantou o Pedro com seus desenhos delicados e ao mesmo tempo expressivos. Além disso, se divertiu dizendo que ele era o professor e o Antônio, nosso comilão de plantão, o Barrigão. A turma nos fez lembrar ainda do Pedro dizendo, assim que o Antônio nasceu, que o irmão não tinha cérebro. Hoje, com certeza ele tem cérebro, barriga e um enorme coração.
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terça-feira, 6 de outubro de 2009
Dom Pedro peralta nas tintas de Massarani
Olha aí o novo livro da Mariana Massarani, Quando Pedro tinha nove anos, editado pela Global. A história é uma bela sacada da autora/ilustradora para apresentar para nossos pequenos o Rio de Janeiro sede da Côroa Portuguesa, em 1808, quando Dom Pedro, nosso futuro primeiro imperador, tinha nove anos e chegou por aqui com sua família real. Cada trinca de páginas, já que as pares abrem em duas, traz uma cena do Rio pelo traço da Massarani inspirado nas pinturas de Debret. Lindo o livro e divertida a história de um menino peralta, que passa todo o tempo sendo procurado pela família e a criadagem. Mas para desmentir a autora, que diz que fez o livro para pequenos, pensando em seu sobrinho de quatro anos, a história agrada também aos mais velhos. Meu Pedro, com 7 anos, adorou procurar o xará nas páginas do livro e de ler em voz alta, já que o tamanho do texto está de acordo com suas possibilidade de leitura. O Antônio, com 2, gostou de abrir as páginas e de ver os desenhos. E eu e minha mãe adoramos curtir Debret no maravilhoso traço da Mariana, que visitou o quarto de bebê do monarca antes de escrever a história e desenhar as ilustrações, usando naquim, pincel e aquarelas líquidas. Enfim... é um livro para ler e apreciar.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Um cão para encantar toda a família
Já vinha paquerando há algum tempo o Dorminhoco, de Michael Rosen, com ilustrações de Jonathan Langley e editado pela Brinque-Book, qual não foi minha surpresa ao vê-lo na lista da ciranda de livros da turminha do Antônio? Bela surpresa! O livro é realmente é muito legal. As ilustrações de Langley são muito bacanas e super apropriadas para a faixa etária a que se destina (de 3 a 7 anos). A história de Cão, o dorminhoco do título, passa-se em uma fazenda, com todos os animais que fazem a festa da criançada pequena: gato, porco, galinha, carneiro e vaca. O cão incomoda a todos com o seu ronco alto e nada o acorda, até que o dia chega e ele sai serelepe da vida e deixa todos seus companheiros exaustos. O cão é tão encantador, que o Antônio apesar de sua pouca idade aguentou firme, com o maior interesse, esperar pelo fim da história. Para prender a atenção dele vale tudo, mugir como vaca, roncar como o cão, miar como o gato e cocoricar como o galo. Além disso, o Cão é encantador. Tão encantador que até o Pedro, com seus 7 para 8 anos, entrou na dança para curtir a história trazida sexta-feira pelo irmão pequeno. Viva a ciranda de livros da turminha do Antônio, que agora já é aguardada até pelo Pedro.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Surpresas na noite escura
Na noite escura, do designer Bruno Munari, editado pela Cosac Naify, me chegou como um presente da professora de literatura e escritora Ninfa Parreiras, que coordena o grupo de estudos de livros infanto-juvenis da Estação das Letras, do qual faço parte, para eu ler para meu filho. Assim que cheguei em casa abri o livro para ler para ele. Pedro sentou-se ao meu lado e se divertiu explorando página por página e cada uma das texturas de papel em que o livro foi publicado. Ele adorou a história do gato que em busca de uma luzinha perdida na noite e que encontra o dia, onde há uma formiga que nos leva a uma caverna e na saída reencontra a noite. Pedro entendeu melhor do que eu a obra, publicada pela primeira vez na Itália, em 1956, como parte da experiência dos livros-ilegíveis, que, segundo o próprio Munari, são "livros sem palavras mas com imagens abstratas que se transformam virando as páginas, como fotogramas de um filme". Pedro se encantou com os vagalumes, que funcionam como uma saída para o absoluto da noite, e leu o livro com a imaginação. Eu talvez não tenha conseguido me desligar da minha condição de adulta, racional e excessivamente verbal para curtir mais o livro de Munari, um autor que, como as crianças, pensa com a imaginação.
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
Todos os ovos são fantásticos
O mais fantástico ovo do mundo foi a herança da primeira ciranda de livros da qual o Pedro participou na escola. Ele tinha cinco anos e tinha acabado de mudar de escola. Foi um ano de grandes novidades e a ciranda foi uma delas. O Pedro curtiu mais ainda quando, no fim de novembro, a professora colocou todos os livros na mesa e disse que as crianças poderiam ficar com um deles. Cada um escolheria o seu. Se mais de uma criança quisesse um mesmo livro haveria sorteio. O Pedro foi o único a querer O mais fantástico ovo do mundo, editado pela Global, e o trouxe para casa super feliz. Já se vão dois anos, mas o livro continua fazendo sucesso. Com razão, a história e as ilustrações do autor alemão Helme Heine são muito bacanas. A competição entre as galinhas Maricota, Vivi e Cris acaba de forma inusitada, mostrando a todos que o que importa são nossas qualidades e não se somos melhores do que os outros. Sendo assim, as três galinhas acabam amigas e coroadas princesas. Justo fim para quem quer ensinar às crianças que viver competindo é uma tolice.
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sábado, 12 de setembro de 2009
Um au au bacana em busca do sono
O Antônio, como os meninos de sua idade, faz de tudo para não dormir. Rola pra cá, pra lá, pega brinquedo, fala com quem o está colocando para dormir, resmunga tanto até levar aquela bronca e fingir que está dormindo. Comigo ele sempre desiste de fingir. Com o pai ou a babá acaba vencido pelo sono, assim como Otto, o maneiríssimo cachorro criado por Todd Parr, o escritor/ilustrador californiano autor de vários livros legais editados pela Panda Books. Otto vai dormir fala de um cachorro bacana, como nossos pequenos, que não quer dormir. Coitado, ele faz todo o ritual para o sono vir e o sono não vem. O que vem é o desejo de brincar mais, de pular na cama, de comer muitos cachorros-quentes, de ser um super-herói, enfim... de ficar acordado. Até que uma hora o sono lhe vence e ele vê o quão gostoso é dormir. O livro, que fala da dificuldade das crianças pregarem os olhos, tem um apelo visual muito legal. Os desenhos de Todd Parr são grandes e simples como gosta uma criança desta idade, mas nem por isso são pobres. Pelo contrário, são super coloridos e expressivos. E a favor do livro conta ele ser apropriado para pequenos sem ser mais um daqueles cartunados, com belas imagens e texto sem sentido. Eu gostei, o Pedro gostou e, por fim, o Antônio, para quem era o presente, curtiu seu amigo au au. Aproveitou para engatinhar e latir como um cachorro. Bom.. dormir que é bom, nada.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Mais um lobo mau, ou melhor, faminto
As mães de crianças pequenas não têm como fugir da sina de falar de lobos. Se são meninos adoram o lobo mau de Os Três Porquinhos. Se são meninas, o lobo de A Chapeuzinho Vermelho. Mas na vida destas crianças têm sempre um lobo com a boca aberta para representar os medos que vão aparecendo em suas cabecinhas. Desta forma, estou aqui de novo vivendo todas as possibilidades de um lobo na vida do meu pequeno Antônio, que começa a colocar a cabeça para fora de casa e a descobrir os perigos do mundo. Mas haja paciência para falar sempre do mesmo lobo. Por isso, fui a campo procurar novas histórias e achei este divertido livro Que horas são, papai lobo?, de Annie Kubler, editado pela Ciranda Cultural. Annie conta, com a ajuda de um pequeno dedoche encaixado no livro, a história de um lobinho que pergunta todo o tempo ao pai que horas são. O detalhe percebido pelo Pedro, que andou lendo o livro, é que o relógio ganha em cada página uma forma diferente, mas sempre a de um animal que faz parte do cardápio dos lobos. O papai lobo responde sempre com algum acontecimento ligado à comida. Uma forma de desmistificar a fome imensa dos lobos maus que comem porquinhos, carneirinhos, vovózinhas e estão sempre a postos esperando por inocentes crianças. No caso do Antônio, uma feliz coincidência, já que ele está sempre com fome e concordando com o desejo do lobo de comer. Enfim... um bom livro para os pequenos.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Grandes aventuras em um pequeno livro
Conheci as histórias de Beatrix Potter por meio do DVD Peter Rabbit e seus amigos, que a Lúcia, minha cunhada escocesa, deu para o Pedro. As histórias do filme são de uma delicadeza encantadora. O Pedro viu muitas vezes o DVD até que cresceu um pouco - acostumou-se à linguagem frenética dos filmes e jogos infantis modernos - e começou a achar o ritmo da narrativa lento. Foi então que descobri na internet A história do Pedro Coelho, o primeiro livro da escritora e ilustradora inglesa editado em formato original no Brasil, pela Lótus do Saber. Encomendei o livro e qual foi a minha surpresa ao recebê-lo: a história que encantou gerações de ingleses e já vendeu 80 milhões de exemplares em todo o mundo é editada em um pequeno livrinho, de 14 cm por 10,5 cm. Mas quando a gente abre o livrinho e começa a lê-lo, encontra uma grande história, daquelas contadas de modo tradicional e ilustrada pela própria autora com delicadas aquarelas. O Pedro ficou vidrado na história do xará coelho, que se mete em uma bruta enrascada ao desobedecer a mãe. Ao fim da história, que ele não queria deixar eu ler por achar infantil demais, o meu Pedro vibrou: "Esta história é muito legal. Pena que é pequena. Mãe você podia comprar outras?". Perguntei o por que ele tinha gostando tanto, ao que respondeu de pronto: "Porque ele se mete em muitas aventuras." Bom... não são bem aventuras, mas tudo é uma questão de ponto de vista.
sábado, 22 de agosto de 2009
De volta à minha casa em Tebas
Minas é um belo capítulo da minha vida. Talvez por isso, eu goste tanto dos livros dos mineiros. Eles falam manso e de coisas que me dizem à alma, como chão, bichos e sentimentos grandes vividos em silêncio. O olhar longo dos mineiros por sobre as montanhas me encanta, desde sempre, me levando de volta para à minha infância e minha adolescência. Não sou mineira, mas poderia ter sido. Meu avô Jacy, nascido em Tebas, um arraial, como se diz lá, distrito de Leopoldina, me deixou de herança o amor por aquela terra. No meio do pomar de nossa chácara, havia uma pedra para lembrar dele e da ligação dos mineiros com sua terra. Todas as vezes que minhas lembranças correm por entre aquelas árvores, paro na frente da pedra para ler sua placa e reafirmar minha ligação com Tebas. "Este pedacinho de chão em que tu cresceste e que tanto amaste, sempre presente para aqueles que te amam". Hoje, Tebas é um lugar na minha memória. Um lugar privilegiado da minha vida. O lugar em que passei belos dias de criança e de adolescente. Talvez por isso, o choque que levei ao ler as duas primeitas frases do belo livro Até passarinho passa, do mineiro Bartolomeu Campos de Queirós, editado pela Moderna. "Nossa casa já não existia. Como tantas outras, ela passou." Nossa casa em Tebas ainda existe, mas não como antes. Para ela não passar em minha vida, nunca mais quis voltar lá. Bartolomeu continua falando da varanda da casa, com galhos de maracujá subindo para o telhado, e a porta da minha memória se abre ainda mais. Assim como eu, o menino do livro sabe a dor de ver o tempo passar. Mas sabe também que isso é inevitável e que ele nada pode fazer a não ser preservar este tempo em sua memória. Assim, eu faço para não perder Tebas da minha vida. Belo livro de Bartolomeu, ilustrado com a delicadeza pedida no texto por Elizateth Teixeira. Não a toa a obra ganhou, em 2003, os prêmios Altamente Recomendável, da FNLIJ, de Literatura Infantil da Academia Brasileira de Letras, e o Hours Concours do Melhor para Criança, da FNLIJ; e, finalmente, em 2004, uma menção honrosa do Prêmio Jabuti. Merecido reconhecimento para um livro que nos dá a oportunidade de falar sem dramas para as crianças sobre as perdas que a vida nos impõem.
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domingo, 16 de agosto de 2009
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
A dor de crescer
O título é de impacto. A ilustração também. A história é uma maravilhosa busca na infância de fatos que nos marcam para sempre. É assim que aprendemos a ser gente, não tem jeito. De uma forma seca e poética, Wander Piroli, o escritor mineiro falecido em 2006, nos põe diante do momento em que o menino começa a descobrir seus valores e a forjar sua individualidade, com as dores e a solidão que isso pode representar para uma criança. Pirolli nos leva a pensar ainda que não devemos ter pena de nossos filhos ao vê-los enfrentando suas encruzilhadas. É a superação destes conflitos que nos forjam como seres humanos dignos. Assim foi com o menino, personagem do livro O Matador, ilustrado com precisão cirúrgica por Odilon Moraes e editado com qualidade pela Editora Leitura, no ano passado. O menino percebe quem é ao descobrir o erro de querer ser como todos os outros. O menino percebe seus valores ao não respeitar seus limites e agir como os outros. A tomada de consciência do menino é um momento de dor que ele leva para toda a vida. Um momento que meninos do tamanho do meu Pedro, talvez, ainda não consigam entender sozinhos. Ele ouviu a história e sentiu pena do passarinho, com a justeza de uma criança de um tempo em que bodoque é peça de museu. Eu sofri com o menino por trazer na memória, como ele, as escolhas e os erros que me fizeram ser a mulher que hoje sou. Foi isso que tentei falar para o meu Pedro, que nos erramos ao não respeitarmos nossos limites e valores e os sentimentos dos outros. Mas que estes erros, todos cometemos um dia. O que nos resta é o arrependimento.
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Minas: ô trem bão, sô!
Trem chegou, trem já vai, de José Carlos Aragão, ilustrado por Elma, da Editora Paulinas, me levou de volta a Minas Gerais, de onde acabei de chegar de uma breve viagem. Embarquei no ritmo do belo poema de José Carlos, inspirado em Manoel Bandeira, com seu maravilhoso Trem de ferro, e desembarquei na Estação de Mariana, onde me surpreendi com o projeto Trem da Vale. Ali, escondidas nas montanhas de Minas, a empresa mantém a praça lúdico-musical e uma bela biblioteca infantil aberta a quem quiser chegar. Eu cheguei pelo trem, vindo de Ouro Preto, onde também funcionam uma biblioteca infantil e o vagão sonoro-ambiental. Tudo em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto, que dá um charme todo especial à cidade mineira. Me fez lembrar da Biblioteca de Tebas, criada por iniciativa do Tio Knnaip, cunhado do meu avô Jacy, onde aprendi a gostar de ler junto com a meninada do pequeno lugarejo mineiro. Viva Minas Gerais, exaltada no poema de José Carlos e nas delicadas ilustrações da paraibana (ou será pernambucana?) Elma, resultado de um trabalho de linha e agulha e retalhos, finalizados por seu pincel. Ilustrações tão lindas que as páginas do livro até parecem um painel daqueles que as mães faziam antigamente para os filhos. Mas o melhor do livro é mesmo poder, a qualquer hora, voltar a Minas. É só deixar a imaginação ser embalada pelo ritmo do trem de José Carlos, que ganhou o selo Altamente recomendável pela FNLIJ 2003, na categoria poesia, e o Prêmio Adolfo Aizen de Literatura Infantil, em 2002, conferido pela União Brasileira de Escritores - UBE.segunda-feira, 27 de julho de 2009
Bicho-papão para tirar medo
Outro dia, vi pela primeira vez uma manifestação clara de medo por parte do Antônio. Ele que sempre dormiu super bem, com sono pesado, sem pesadelos, estava custando a adormecer. Só percebi o que estava acontecendo, quando ele deu um pulo, assim que ouviu um barulhinho. Naquele gesto vi o medo. Como tínhamos assistido à tardinha Mogli 2, o belo desenho do Walt Disney, perguntei se estava com medo. Com suas pouquíssimas palavras disse "é". Fui além e perguntei se era medo do tigre do Mogli, o terrível Sherikan. Ele disse novamente "é". O tranquilizei, dizendo que o tigre não viria à nossa casa e que eu e o pai dele o protegeríamos. Ouviu atento, arrumou o travesseiro e dormiu em seguida. Isso me fez lembrar o velho debate sobre histórias que metem medo. Quando era criança, meu pai não deixava ninguém contar histórias de bicho-papão para mim e meus irmãos. Ele dizia que eram histórias horrorosas, inventadas apenas para amedrontar as crianças e fazê-las obedientes e submissas à custa da insegurança. Posso até concordar com ele, mas em parte. Estas histórias foram por um longo tempo um meio de educar pelo medo crianças e adultos para os perigos do mundo. Mas eliminá-las do imaginário infantil não fará com que estes perigos desapareçam, nem com que elas não tenham medo. O medo está aí, no Antônio, de apenas dois anos, ou no Pedro, de 7 anos, e até em mim, burra velha, de 43 anos. Mas eles, aí que discordo do meu pai, têm a possibilidade de extravasar seus medos ao ouvirem histórias aterrorizadoras. Ainda mais, hoje, quando, nós adultos deixamos de acreditar nelas e, por isso, podemos contar a nossas crianças de forma lúdica e, assim, permitir que elas expressem seus medos. Por isso, o Pedro adora quando leio para ele Bicho-Papão pra gente pequena, bicho-papão pra gente grande, de Sônia Travassos, com ilustrações de Jean-Claude Alphen, editado pela Rocco Jovens Leitores. O livro é um divertido glossário sobre os mais horrorosos bichos-papões do imaginário popular e ainda traz uma coleção de bichos-papões criados pela autora para livrá-la da brabeza de sua mãe. Uma delícia. Mas acho que isso não vale para os filmes infantis que abusam da tensão para atrair a atenção da garotada. O realismo das cenas, animadas ou não, submetem as crianças a uma tensão que elas não estão preparadas para sofrer. Por isso, resolvi evitar alguns filmes para o Antônio. Mas as histórias sempre valem a pena.
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sexta-feira, 10 de julho de 2009
Mais uma vez Manuel Bandeira
Este ano é de Manuel Bandeira. O grande homenageado da Flip vai ganhar, dia 18 de julho, mais uma homenagem. Desta vez, será na Biblioteca Popular de Santa Teresa, bairro carioca onde o poeta morou. Para falar da importância de sua obra, estará o também poeta e professor de Literatura da UFF Eucanaã Ferraz, que, na Flip, foi um dos palestrantes que falaram sobre o modernista. Tem tudo para ser bacana.
terça-feira, 7 de julho de 2009
A arca de Ruth Rocha e Mariana Massarani
A primeira vez que vi A arca de noé, de Ruth Rocha, com ilustrações da Mariana Massarani, me encantei. O livro - uma reedição da Salamandra pelos 40 anos da prosa de Ruth - estava na vitrine de uma livraria. Grandão, coloridão e com o desenho super bacana da Mariana era o destino certo do meu olhar. Me prometi naquele dia comprá-lo para o Antônio. O desejo ficou guardado até o Salão da Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil, em junho. Feliz, trouxe o livro para casa e o folheei com prazer. Ele é a prova de que uma história super batida como a da Arca de Noé pode ganhar novos contornos nas penas criativas de autor e ilustrador. A prosa da Ruth é uma delícia e nos faz querer ir até o fim, mesmo a gente sabendo onde a arca vai parar, e o traço de Mariana é maravilhoso. O Noé com sua barba enorme e colorida e vestido com uma túnica moderna é o máximo. A beleza do livro - texto e ilustração - encantou o Antônio que ouviu atento com os ouvidos e as mãozinhas nervosas a história até quase o fim. Já o Pedro aguentou mais, riu do pavão fantasiado para baile de carnaval, tentou achar a bengala do tigre, mas acabou dormindo. E eu, deliciada, fui até o fim para ver com quantos versos se faz uma arca. Viva Ruth, Mariana e a arca de Noé.
domingo, 28 de junho de 2009
A magia de se virar em vida
O Pedro me pediu para falar do livro Vira, vira, vira Lobisomem, de Lúcia Pimentel Góes, com ilustrações de André Neves e edição da Paulinas. Ele adorou a história. Quando cheguei com ela em casa, me pediu para ler duas vezes, depois levou o livro para o banheiro e, com sua leitura ainda claudicante, leu sozinho. Ao fim, o botou de baixo do braço e foi para a escola mostrar a novidade para seus amigos. A história ganhou o imaginário do Pedro com justiça. Lúcia fala de vida, amadurecimento e morte de uma forma mágica e poética, que convida a criança a ser uma testemunha especial da passagem de Lobisô pela vida. O personagem a cada sete anos se transforma em um outro bicho e, depois, volta à sua condição de homem. "Conheceu o peso dos anos, a força da vida, teve filhos, lutou pelos homens. Amadureceu. Não se assustava mais com as mudanças... Agora as esperava", diz Lúcia de seu Lobisô, que, apesar do nome, nunca se transforma em lobisomem. Mas aos 70 (10 x 7) ele vira borboleta e nunca mais desvira. É a forma cheia de magia que Lúcia achou para falar da morte. E para agradar ainda mais a meu menino, ela pontua cada período de sete anos da vida de Lobisô com uma equação matemática - que o Pedro adora. "Quando Lobisô fez 14 anos (2 x 7)", segue a autora na narrativa. Belo livro que fala da magia da vida para quem ainda está no início da tabuada, com 7 anos (1 x 7).
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
Histórias para pequenos amantes de bichos
O Pedro sempre gostou mais de brincar com bichos do que com carrinhos. Ele tinha uma coleção de bichos que começou com as vaquinhas e cavalinhos de uma fazendinha, cresceu com os selvagens leões, trigres e outras feras e terminou com os dinossauros. Quando o Antônio nasceu fiquei com medo que meu caçulinha gostasse mais de carrinhos, já que ele mostrava interesse por carrões e carrinhos. Confesso que fiquei aliviada e feliz quando ele começou a imitar o som de animais e a não mostrar qualquer interesse em falar bibi ou vruummm. A alegria com que ele brinca com os bichos fez dele um merecedor herdeiro dos bonecos do Pedro. Eu fiquei contente, já que acho a troca das crianças com os animais muito mais bacana do que a paixão pela velocidade e pela beleza dos carros. Não é a toa que elas amam histórias de bichos. Realmente são o máximo. Poderia fazer uma enorme lista daquelas que não podem deixar de ser lidas, a começar pelas fábulas de Esopo e de La Fontaine. Mas não é preciso, todo mundo tem as suas preferidas. Entre as minhas e as do Pedro, com certeza, está o livro Como contar crocodilos, histórias de bichos, que reúne fábulas de índios e negros americanos, de Esopo, de asiáticos e de africanos recontadas por Margaret Mayo, com ilustrações de Emily Bolam e edição da Companhia das Letrinhas. As oito histórias, a começar pela que dá título ao livro, são uma delícia. Elas falam de esperteza dos mais fracos para sobreviverem aos mais fortes, de magia para explicar a existência e as características dos seres vivos, dos limites de cada um dos seres vivos, entre outros temas que fazem nossos filhotes pararem para ver e ouvir uma bela história. A qualidade do livro, com belas e vivas ilustrações, lhe rendeu, em 1996, o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil. Estou só esperando o Antônio crescer mais um pouquinho para apresentar este livro para ele.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A rica troca entre diferentes

Nunca tinha lido nada da escritora Ninfa Parreiras. Descobri a autora por meio dos belos desenhos de André Neves, no livro Um teto de céu, editado pela Difusão Cultural do Livro (DCL). A história é um poético encontro de uma moça da cidade com uma menina do deserto que nunca viu chuva e mora em um vilarejo onde as casas não têm teto e os habitantes nunca conheceram guarda-chuva, sombrinha, chapéu, capa de chuva e botas de plástico. A menina, porém, quer saber como é a chuva, seu gosto, seu cheiro e a sensação que lhe dá na pele. A moça de cidade com chuva lhe promete uma carta com notícias da chuva. Lindo diálogo e troca entre duas culturas tão diferentes. Mas meu filho Pedro não conseguiu deixar de ter pena da menina do deserto e reclamou do fim do livro que não leva a chuva para o vilarejo das casas em que o teto é o céu. "Não gostei. Achei que ia chover no fim", disse meu menino, sensível às dores alheias. Compreendo seu desconforto, mas o livro fala não de desigualdades, mas de diferenças e das infinitas possibilidades que existem em uma troca entre seres humanos distintos.
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sexta-feira, 19 de junho de 2009
Para onde vamos após a morte?
Acho que ainda é cedo para eu me sentir segura de que o Pedro tornou-se de fato um leitor. Mas digo que já vejo fortes indícios de que os livros fazem parte da vida de meu filhote. Acredito, sinceramente, que ele já tem prazer genuíno ao manusear os livros. Tanto é que, a seu pedido, eles ganharam um lugar privilegiado no quarto que divide com o Antônio. Os livros estão dispostos na primeira prateleira da estante e os brinquedos, na segunda. Ontem, quando cheguei com novidades do 11º Salão da Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil, no Galpão da Cidadania, na Gamboa, ele me falou que não devíamos mais comprar livros, porque estava acabando o espaço na estante. "Tudo bem. Não compramos mais", assenti. "Não, por favor, não", recuou rapidamente, me confessando que adora quando trago uma novidade. Mas nem todas o deixam feliz. Foi o caso da Preciosa pergunta da pata, da escritora belga Leen van den Berg, ilustrado por Ann Ingelbeen e publicado pela Brinque-Book. Tadinho do meu menino, chorou tanto quando percebeu que a pata tinha perdido um de seus filhotes que não quis esperar pelo fim do livro, que trata de forma lúdica e com alegres ilustrações a curiosidade de todos nós sobre para onde vamos após a morte. "Deve ser horrível perder um filho", disse aos prantos. Em minha tentativa de conversar com ele sobre o medo que a morte lhe impõe, percebi que na verdade ele temia, naquele momento, não a dele ou do irmão, mas a minha. Com o coração apertadinho fui falando que não morreria tão cedo e que, quando este dia chegasse, eu estaria tão velhinha que ele já teria aproveitado muito de mim para ter lembranças de sua mãe para o resto da vida. "Meu filho, quando este dia chegar, você já estará grande, terá seus filhos e terá muito para se lembrar de mim. Você não sentirá desespero com a minha morte, apenas saudades. E eu estarei sempre em seu coração". Foi o bastante para ele engulir tanto choro e pedir pelo pai, com quem dormiu em paz, e para eu me sentir confortada em saber que quando morrer vou ficar gravada no coração dos meus meninos.
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
A bela caligrafia de dona Sofia
Acabo de ler para o Pedro A caligrafia de Dona Sofia, com texto e ilustração do pernambucano radicado em Porto Alegre André Neves. O livro, editado pela Paulinhas, em 2007, é tão lindo que foi parar no acervo básico da Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil. Texto e ilustração em perfeita harmonia, nos levam para o universo fantástico de uma senhora, professora aposentada, que decorou sua casa com poemas transcritos por ela própria. No momento em que percebe que já ocupou todos os cantos de sua casa com os versos mais bonitos ou aqueles, segundo a própria, mais importantes para sua vida, dona Sofa resolve distribuir poemas e flores para os moradores de sua pequena cidade. Por meio da poesia, quebra o isolamento no qual vivia e faz uma revolução na vida de seus vizinhos que foi sentida, aqui em casa, pelo Pedro. Ele, uma criança recém-alfabetizada, que está sendo treinada para escrever com letra cursiva, ficou muito interessado na bela caligrafia de dona Sofia e no garrancho de seu Ananias. "Deixa eu ver", pedia ele. André Neves não frustrou a curiosidade da minha criança. O livro é todo decorado, como a casa da dona Sofia, com trechos de poemas de vários autores escritos à mão e por delicadas e expressivas ilustrações. Agradou tanto que ele topou minha sugestão de levar o livro para sua professora, já que a turma está tomando intimidade com a língua por meio de poesias. Enfim... uma bela caligrafia e uma bela história capazes de encantar crianças e adultos, como o poeta Elias José, que deixou suas impressões sobre o livro em um elogioso prefácio.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009
Lendo em família
A medida que o Antônio foi crescendo, me deparei com um desafio: como colocá-lo para dormir ao mesmo tempo que o Pedro, sendo os dois crianças de idades tão diferentes. Se lia para o Pedro, ficava culpada de não estar com o Antônio. Se fazia o bebê dormir, deixava o grandão de lado. Até que um dia o próprio Pedro me deu a solução ao pedir para ler para o irmão. Os livros são sempre os do Antônio, que, com pouco texto e belos e interativos projetos gráficos, agradam em cheio a quem está, como o Pedro, concluindo o processo de alfabetização. O Antônio, por sua vez, fica atendido por ter seus livros lidos em um momento de intimidade com a mãe e o irmão. Um dos best sellers dos irmãos é o Seu Soninho, cadê você?, de Virginie Guérin, editado pela Companhia das Letrinhas. O livro conta a história de Jacó, um jacarezinho que sofre de insônia e fica berrando pela floresta para quem quiser ouvir: "Seu Soninho, você está aí?" Ao que o Antônio prontamente responde: "Não!" A resposta, por sinal, é muito sincera. Ele fica ligadíssimo na história e no livro e quando uma página chama mais sua atenção por suas possibilidades interativas a confusão começa. Ele tenta impedir o Pedro de passar a página e o Pedro resite em parar de ler. Enfim, o resultado é que o pau come. Come, diga-se de passagem, por causa da impulsividade do Antônio que com menos de um metro parece David enfrentando Golias. Mas não fosse por minha presença no meio dos dois, ele teria um fim bem menos glorioso que o de David. Paz refeita, terminado o livro é hora de separar os dois novamente. Porque senão, como na história de Virginie, o Pedro e o Antônio teriam a maior dificuldade de encontrar Seu Soninho.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
Um menino feliz
A primeira vez que eu li O menino maluquinho, de Ziraldo, editado pela Melhoramentos, eu era uma adolescente em visita à casa de uma amiga da minha mãe, a Ivana, que tinha filhos pequenos. Como eu sempre gostei de crianças, fui arrumar o que fazer com elas. Achei na estante o livro, que me pareceu bacana, e resolvi ler para a menina, que, se não me falha a memória, se chama Rafaela. Li o livro num fôlego só, como deve ser e adorei. Adorei aquele menino maluquinho e encantador. Mas ele já não era mais assunto para mim, que já tinha crescido. Muitos anos depois, quando o Pedro começou a ser introduzido no mundo das histórias, resolvi comprar o livro para ele. O menino maluquinho já tinha quase 30 anos, mas fazia o meu Pedro, com uns quatro anos, lutar contra o sono para ouvir o fim de sua história. Foram muitas vezes que ele ouviu as traquinagens do menino, antes de se desinteressar e procurar outros personagens, até que, outro dia, veio da escola com um dever de casa que citava um trecho da obra. Procurei o livro e reli para ele. Encantado, como nas primeiras leituras, o Pedro prestou uma bruta atenção e mostrou-se ainda mais interessado quando os assuntos do maluquinho passaram a ser as namoradas e o futebol, sua maior paixão. Ao ouvir os versos finais do livro, que conta o momento em que o menino cresce e percebe que não era maluquinho, mas feliz, o meu Pedro sorriu de forma tão pura que tive a certeza de que ele, como o maluquinho, é um menino feliz.
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quarta-feira, 3 de junho de 2009
Um pouco de Bel e Bia
O Pedro adorou tanto o pocket show Bel e Bia que apresentou a mais nova história de Márcio Trigo, dia 16 de maio, na Festa Literária de Santa Teresa (Flist), que assim que ele terminou me pediu para comprar o livro, editado pela Mirabolante. Na hora hesitei por achar que era muito texto para a idade dele, mas resolvi comprar. Bobagem a minha ter tido dúvidas. Ele tinha razão. É realmente muito legal a história das duas amigas que nasceram na mesma maternidade, brincaram e estudaram juntas e foram separadas pela decisão dos pais de Bia de mudar de cidade. As ilustrações de Mariana Massarani, com quem Trigo tem uma velha e bem sucedida parceria, dão ainda mais vida às traquinagens e às boas ações das meninas, dando a elas um gracioso ar hippie. Ele ouviu tudinho com o maior interesse. E eu, confesso, não pude deixar de me lembrar das minhas amigas de Tebas, em Minas Gerais, que foram e ainda são tão importantes na minha vida, apesar da distância. Fiquei até emocionada. O Pedro incrédulo com a minha reação me perguntou porque minha voz estava embargada. Quando falei que era pelo livro, ele riu. Envergonhada, também ri e perdi uma bela oportunidade de falar para meu filho como é bom ter amigos e cuidar deles. Fica para a próxima...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O caderno de desenhos de John Lennon
A Fabiana, babá das crianças, trouxe hoje um livro para o Antônio muito legal: Amor de verdade - desenhos para meu filho, de John Lennon, editado em 1999 pela Salamandra. Trata-se de uma coletânia de desenhos do Beatle para o filho Sean, organizada por Yoko Onu, que por sua linguagem oral e visual simples e lírica tem tudo para agradar aos pequenos. Os desenhos são bem prosaicos e ganharam legendas, segundo Yoko, nas brincadeiras de pai e filho. Na edição brasileira, elas têm a graça de Ruth Rocha. O Antônio, para quem a Fabiana trouxe o livro, adorou. Andou para cá e para lá com o livro, felizmente de capa dura, e me deixou ler algumas páginas. Cada uma delas traz uma ilustração diferente. São focas, cachorros, gatos, patos e outros bichos. As que o Antônio mais gostou foram as do cavalo dançarino, confirmando sua paixão pelos equinos. Uma boa maneira de apresentar o mundo encantado de John Lennon para nossas crianças.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Nunca é tarde para conhecer Lygia Bojunga
Uma pena eu adolescente não ter tido a oportunidade de ler Lygia Bojunga. Eu crescia ao mesmo tempo em que ela, jornalista e atriz, se tornava escritora. No lançamento de A Bolsa Amarela, seu terceiro romance, eu tinha apenas 11 anos. Mas, como Raquel, estava estranhando o mundo para o qual me preparava. Tenho a idade de Raquel e muitas de suas questões, mas, ao contrário dela, que teve uma bolsa amarela para carregar seus desejos e abrigar seus amigos imaginários, passei este período da vida sozinha com meus medos e desconfortos. Não foi fácil. Os livros que lia - da minha mãe, da escola ou da Biblioteca de Tebas, lugarejo de Minas Gerais, em que passei três importantes anos de minha vida - não davam voz a adolescentes contestadores. Minhas heroinas eram As meninas exemplares, sempre obedientes, da Condessa de Ségur, e Pollyanna, a personagem de Eleanor H. Porter que supera suas dores e desconfortos brincando com o jogo do contente. Muito diferente de Raquel que nos convence na narrativa em primeira pessoa que tem todas as razões do mundo para estranhar seus pais e irmãos já grandes. Para mim, teria sido um alento saber, nos primeiros dias de minha adolescência, que, em algum lugar real ou imaginário, alguém estava passando pelas mesmas angústias que eu e estava buscando seus caminhos. Mesmo, agora, quase 33 anos depois e com o livro em sua 34ª edição, pela Casa de Lygia Bojunga, a narrativa de Raquel mexeu comigo ao me fazer reviver, com olhos de adulta, aqueles tempos de adolescer. A universalidade da narrativa de Lygia deu ao livro um reconhecimento merecido. A Bolsa Amarela ganhou o selo de ouro da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, dado anualmente ao livro considerado O Melhor para a Criança, e o Certificado de Honra do IBBY (International Board on Books for Young People). Traduzido em vários idiomas, a história foi encenada em teatros do Brasil, Bélgica e Suécia. Para quem ainda não leu, posso atestar: nunca é tarde para conhecer Lygia Bojunga.
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domingo, 24 de maio de 2009
Onde há um ponto, há um caminho...
Descobri O Ponto, de Peter H.Reynolds, no blog Letra Pequena, do jornal português O Público, e corri para ver se este livro tinha sido editado em terras brasileiras. Felizmente sim. Nossa edição é da Martins Fontes e, por isso mesmo, é mais fácil encontrá-la na livraria da editora, na Avenida Rio Branco. O autor é ilustrador de vários livros, inclusive da série Judy Moody, no Brasil, pela Salamandra. Mas voltando a O Ponto, assim que tive o livro nas mãos, confirmei a opinião de Rita Pimenta, do Letra Pequena. A história é mesmo muito legal. Vashti, na edição portuguesa Vera, nome bem mais fácil para nossas crianças, é uma menininha que não sabe desenhar e, por isso, se recusa a fazer o trabalho da aula de artes. A professa, certa de que todos têm uma marca para deixar, a desafia a fazer um ponto e a assinar sua obra. Como diz a apresentação do livro, "onde há um ponto, há um caminho..." E Vashti acha seu caminho. A angústia de Vashti me lembrou a de meu filho Pedro, que, como eu, é um péssimo desenhista. Os deveres de casa que pedem desenhos são para ele um suplício. Uma tentativa e um lápis zunindo. Outra e o papel todo rabiscado. Mais outra e resmungos aos gritos. Enfim, um sofrimento que só acabou no dia em que achei um estêncil para ele fazer seu primeiro dinossauro. Satisfeito, ele passou o lápis sobre o dino, coloriu e foi mais feliz para escola. Mas eu queria que, ele, como Vashti, entendesse que para deixarmos nossa marca na vida não precisamos ser bons, mas apenas sabermos do que somos capazes.
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
A grande idéia de Thierry Dedieu
Em matéria de livros, muitas vezes miro no que vejo e acerto no que não vejo. Foi o caso do As ciências naturais de Tatsu Nagata, editado pela Companhia das Letrinhas. Comprei pensando no Antônio, já que o livro fala de bichos, tem pouco texto e expressivas ilustrações. É claro que sabia que ainda teria que esperar um pouco para lê-lo para o Antônio, um bebê ainda, mas nunca imaginei que ia agradar ao Pedro. Logo o Pedro, que reclama quando o livro tem pouco texto, adorou. Na primeira vez que ouviu a história, fez pouco do cientista japones Tatsu Nagata, uma criação do escritor e ilustrador francês Thierry Dedieu, por ele dar singelas informações sobre a raposa, a toupeira, o crocodilo e a coruja. "Eu já sei disso tudo", resmungou, mas bem que gostou. Poucos dias depois, topou ouvir de novo, riu dos estratagemas de Tatsu para se proteger dos animais e pediu bis. Agora, volta e meia, a gente lê e vê (que delícia de ilustrações!) o caderno de anotações do grande cientista japonês, que tem cinqüenta anos e, desde criancinha, é observador da natureza. Vale a pena pelo humor, pelas cores e pela grande idéia de Tatsu Nagata, ops, de Thierry Dedieu.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Mamãe zangada não é vítima, nem algoz
Relutei muito antes de citar o livro Mamãe zangada, da alemã Jutta Bauer, editado pela Cosac Naify. Nada com a qualidade do livro, já que o texto e as ilustrações de Jutta são lindos e a edição, como todas da Cosac, muito bem cuidada. A razão de minha relutância se deveu a dois fatores: o livro ser muito badalado e, assim, eu ter pouco a acrescentar; e minhas dúvidas sobre para quem de verdade a autora fala, para mãe ou para o filho. Mamãe Zangada será, como disse a Renata, uma colega de trabalho que não tem filhos, um livro para as mães se envergonharem? Ou será um livro para pensarmos, mães e filhos, nos limites de nossa tolerância? Os acessos de ira, se respeitados os limites da civilidade, são normais nas relações entre mães e filhos. Quem nunca enlouqueceu sua mãe que joge a primeira pedra e a mãe que nunca gritou com o filho que me desminta. Acredito mesmo que a autora não queria fazer de Mamãe Zangada um manifesto politicamente correto contra a violência nas relações entre mães e filhos. Pelo contrário, em entrevista à Revista Babar, Jutta diz que "para se resolver conflitos há que se passar primeiro pela tristeza e pela dor". Desta forma, acredito que nesta história não haja vítimas, nem algozes. Afinal, a mamãe pinguim também sofre com a bronca que dá em seu filho. Como todas nós, mães, culpadas ou não.
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domingo, 10 de maio de 2009
Uma história de amizade e traição
Raposa, de Margaret Wild, com ilustrações de Ron Brooks, editado pela Brinque-Book, é um belíssimo livro. Os personagens - um cão cego de um olho, um corvo sem uma asa e uma raposa invejosa - levantam várias questões que mobilizam as crianças: solidariedade, amizade, inveja, traição e arrependimento. Texto e ilustração criam um clima denso que deixa o pequeno leitor aflito com o destino de seus heróis. A raposa, confesso, causou desconforto até em mim, que li para o Pedro. Na ilustração da capa seus olhos são dourados, o que dá um olhar sombrio à invejosa raposa, que entra na história para separar o cão e o corvo. A ilustração é tão impressionista que o Pedro rejeitou o livro, dizendo que teria pesadelos com a história. Ele só me deixou lê-lo em um noite em que o Caio, meu afilhado, dormiu aqui em casa. Juntos, como deveria ser com o cão e o corvo, enfrentaram a raposa e seus medos. Tanta tensão tem um escape no final da história. A autora dá ao corvo o benefício do arrependimento. Tudo bem que ele terá que enfrentar um longo caminho de volta, sem a certeza do perdão. Belo livro para adultos e crianças que recebeu uma série de merecidos prêmios para texto e ilustração.
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
Gato de Sofá Deita e Rola na Flist
Levei até um susto quando vi que minha última postagem foi no dia 26 de abril. Mas a razão para eu ter abandonado o blog nesta semana foi justa. Me envolvi no projeto de criar uma edição especial do Gato de Sofá para a Festa Literária de Santa Teresa - a Flist, promovida pelo Ceat - Centro Educacional Anísio Teixeira. O resultado foi o Gato de Sofá Deita e Rola na Flist. O blog estará de plantão no dia da festa, 16 de maio, na Livraria Largo das Letras, na Rua Almirante Alexandrino, 501, para colher impressões de crianças e adultos sobre o evento e sobre livros. A idéia é construir junto com o público uma memória virtual da primeira edição da festa literária que vai acontecer de 9h às 18h, em vários pontos do Largo dos Guimarães, em Santa Teresa. A programação é bem legal. Tem café da manhã com a Lygia Bojunga, conversa com os poetas Ferreira Gullar e Ondjaki, oficina com os ilustradores Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello, entre muitas outras atrações. Vale a pena ir a Santa neste dia. Vai ter diversão para crianças e adultos, além de ser uma bela oportunidade de desfrutar do bucólico bairro.
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domingo, 26 de abril de 2009
O desejo de bem viver nos desenhos de Marlowa
Olha que legal que ganhei da ilustradora Marlowa: um conjunto de lindos cartões e um carinhoso bilhete que compartilho com vocês, além do livro O verdadeiro tesouro de Carla, ilustrado por ela, com texto de Luciara R. Da Silveira Pereira, que conta a história de uma menina iludida pelo consumismo. O presente, acreditem, me foi dado por sorteio - olha que sorte! - em que seu filho Enrique colocou a mão no saco e saiu meu nome e de uma amiga espanhola de sua mãe. Eu a Marlowa não nos conhecemos pessoalmente, mas estamos mantendo contato virtual desde que ela descobriu o meu blog na internet. Ao retribuir sua visita, tive a bela surpresa de deparar-me com seu blog (http://marlowa-marlowa.blogspot.com/). O desenho de Marlowa é delicado e expressivo e, tenho certeza, vai fazer muitas mulheres da minha idade se lembrarem dos dias em que, meninas, sonhavam com uma casa no campo e roupas feitas a mão. Enfim, de um tempo em que os sonhos eram apenas o desejo de bem viver.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
É o Bicho faz um gol de placa
O ilustrador Guto Lins fez um gol de placa com É o Bicho Futebol Clube, da Ediouro. O livro, com exatas 11 páginas, apresenta um a um os jogadores do escrete do time formado por bichos. Cada um deles - avestruz, cobra, hipopotamo e leão só para falar de alguns - tem uma qualidade no time. Os desenhos vigorosos e o texto bem humorado de Guto Lins garantem o sucesso do livro com a meninada, que, aqui em casa, só pensa em bola e em futebol. Isso mesmo, o livro agradou ao Pedro, com sete anos, e ao Antônio, com dois. Além disso, o autor presenteia as crianças com as ilustrações para elas criarem um time de futebol de botão com sucata, além de uma enorme lista com os nomes de craques que, nos tempos atuais, são parte de um passado remotíssimo, como Garrincha, Rivelino e Eusébio. Vale a pena procurar pelo livro, já que o título não é figurinha fácil nas livrarias.
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domingo, 19 de abril de 2009
Um cãozinho encantador

Encontrar livros ricos de significado que sejam adequados para os pequenos é uma tarefa difícil. Mas de vez em quando dou a sorte de deparar-me com um bom título, como o Noite de cão, da ilustradora Graça Lima, editado pela Paulinas. Que belo livro! Que cãozinho encantador! Aquele pequeno basset hound incansável em sua aventura com a lua arrebata qualquer um. Na contra-capa, a autora conta que desejava brincar com a expressão noite de cão ao imaginar como ela seria vivida por um verdadeiro cachorro. O cãozinho de sua história cria uma enorme confusão com a lua, mas no fim tudo se ajeita. A idéia é o máximo e seu desenvolvimento é super criativo. Não a toa o livro ganhou o prêmio Jabuti, em 1992. O Antônio adorou ouvir minha versão da história contada pelo expressivo desenho de Graça Lima, sem uma linha de texto sequer, e eu adorei brincar de co-autora. Foi uma experiência tão bacana que resolvi mandar o livro para a escola para, assim, o Antônio poder vivê-la com a Fafá e seus amiguinhos.
Em tempo: O livro não serve apenas para os pequenos. É um livro para todas as idades.
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
Livro de menina para encantar mulheres
Outro dia fui comprar um livro para dar de presente para uma amiguinha do Pedro e tive uma bela surpresa. Vida de Boneca, de Luciana Rigueira, com as ilustrações delicadas de Elizabeth Teixeira, editada pela Paulinas, é livro de menina e foge da temática princesas e fadas. Eu que não tive a minha Branca e já me desfiz das minhas bonecas, fiquei até emocionada lendo, na livraria mesmo, o texto da minha xará Luciana sobre a boneca que passa de uma menina crescida para uma menina pequena. Lembrei do meu boneco preferido - o Marco Antônio - um francesinho, dado pela minha tia-avó Ana Maria, que era lourinho de cabelos cacheados, tinha olhos azuis e bochechas rosadas. Ele foi o único brinquedo do qual não me desfiz e ficou rolando na casa da minha mãe por anos, até que, um dia, o meu cachorro, Travolta, deu uma roída nas mãozinhas fofas dele. Fiquei em choque como nos dias em que meus irmãos o amarravam na corda da cortina e o jogavam, simulando um balanço, na parede. O Travolta tinha que ter escolhido logo meu boneco! Mas salvo da fúria de cachorro bebê, o Marco Antônio ainda ficou comigo por muito tempo até que, um dia, sem que eu percebesse, sumiu. Para seu lugar chegaram o Pedro e o Antônio, os dois de cabelos cacheados, um moreninho, outro lourinho, de olhos furta-cor e bochechas rosadas. Sempre que lembro do Marco Antônio, penso na coincidência de meus filhos serem tão parecidos com ele.
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terça-feira, 14 de abril de 2009
O ritmo da fala do matuto
Eu gosto muito desta história. O bem com o bem se paga, recontado por Edgard Romanelli e editado pela Moderna, tem o ritmo do falar do matuto, de um brasileiro da roça. Um falar que a gente não vê mais por aqui, mas que ecoa até hoje na memória da minha infância vivida parcialmente em Tebas. A roça da minha história tem uma praça e duas ruas principais - uma para cima e outra para baixo - uma igreja, um campo de futebol, uma cadeia, um grupo escolar e uma biblioteca. Biblioteca fundada pelo tio Knnaip, um farmacéutico perdido no interior de Minas Gerais que se achou nos livros e na vontade de partilhar-los com o povo de lá. Uma bibioteca que me ensinou o prazer de ler e de jogar conversa fora sentada na calçada, protegida pela sombra e o aroma de uma árvore de jasmim. O Pedro, que nem sonha com a minha história, também ama a aventura do matuto que salva a onça e por pouco não acaba servindo-lhe de almoço. Até o Antônio encantou-se com a expressividade da onça, traçada por Alberto Nadeo, e prestou a pouca atenção que tem na última leitura que fiz do livro para o Pedro. Foi a primeira vez que li para os dois antes de dormir. Foi um prazer enorme, mas é claro que nenhum dos dois pregou o olho.
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domingo, 5 de abril de 2009
Medos em uma noite escura
Nas minhas andanças pela rede acabei descobrindo um bom lançamento que, além de nos trazer uma nova história, nos apresenta a uma nova autora. É Noite escura, da escritora e ilustradora francesa Dorothée de Monfreid, editado pela Martins F0ntes. Ela escreve sobre um menino, Fantino, que está sozinho em uma floresta. É noite e ele está com medo. Ao ouvir o primeiro barulho, Fantino aparavorado depara-se com um lobo. É quando, para sua sorte, encontra um esconderijo. De lá ele vê uma sucessão de bichos, cada vez mais assustadores, chegando e deixando os outros também apavorados. Apesar ter uma estrutura já conhecida e usada por outros autores, como Ruth Rocha, em Quem tem medo de Monstro, pela Editora Global, a história é muito legal. Dorothée encontrou originalidade em seus desenhos vibrantes e no desafio enfrentado por Fantino. O Pedro adorou a esperteza do menino e de seu amigo coelho para enfrentar tantas feras e tanto medo. Vivas para Dorothée que estará no Rio, em junho, para o 11º Salão da Fundação do Livro Infanto-Juvenil.
sábado, 4 de abril de 2009
O Rio está carente de leitura
Andei fuçando na rede para ver se descobria atividades no Rio em comemoração aos dias Internacional do Livro Infantil, na quinta-feira, e Nacional do Livro Infantil, no dia 18, e infelizmente só achei contações de histórias na Biblioteca Infantil da Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, e na Biblioteca do Estado do Rio de Janeiro. Já em São Paulo achei eventos bem mais criativos, com a presença inclusive de autores importantes de nossa literatura infanto-juvenil, como Tatiana Belinsky. Pobre do Rio... Nossos governos continuam tratando o livro como um objeto morto e de costas para a fantasia da criançada. Não a toa, neste país, a leitura ainda é um luxo. Como fazer nossas crianças tonarem-se leitoras se não há quem se interesse em apresentar o mundo dos livros para elas. Enfim... coisas do nosso decadente Rio de Janeiro. Mas nestas andanças virtuais acabei descobrindo que o 11 Salão da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil será realizado este ano no Galpão da Ação da Cidadania, na Gamboa, e gostei. O galpão é enorme, o que resolve o problema que havia na tenda do MAM de falta de espaço. Espero também que a organização promova umas atividades legais para que o salão, entre os dias 10 e 21 de junho, não se resuma a uma feira de livros. Nossas crianças merecem um evento criativo para incentivar a leitura.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Um leão malvado e um carneirinho esperto
Hoje, contei a primeira história de verdade para o Antônio, meu bebê, e ele ficou amarradão. Digo história de verdade por Leônidas e os carneirinhos, de Pierre Cornuel, editado pela Caramelo, ser um livro para crianças pequenas, mas sem os atrativos comuns nas edições para bebês, como texturas e sons. Leônidas é uma fábula em que um leão malvado engana carneirinhos inocentes. Mas, como toda boa fábula, o bem derrota o mal. Tomás, um carneirinho esperto, acaba descobrindo as malvadesas de Leônidas. Mas o melhor do livro são as ilustrações super bem humorados do francês Pierre Cornuel. Leônidas tem una juba de maluco-beleza e os carneirinhos são bem criancinhas. Ao fim da história, o leitor ainda é convidado a descobrir onde está o leão que fugiu desfarçado. Uma diversão para meu bebê e o irmão dele, um molecote de sete anos e ainda muita infância pela frente.
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terça-feira, 31 de março de 2009
A boca da noite
O Pedro ainda era bem pequeno quando a Leni Medeiros, minha colega de trabalho, me presenteou com vários livros infantis da recém-desfeita bibliteca de seus filhos que estavam entrando na adolescência. A maior boca do mundo, de Lúcia Pimentel Góes, com ilustrações de Claudia Scatamacchia, veio nesta leva. O livro editado pela Ática caiu no gosto do Pedro, que me pedia para lê-lo quase que diariamente. Me pediu tanto que me animei de dar o livro de presente para alguns de seus amigos. A história do desafio que a avó de Laurinha propõe sobre quem tem a maior boca do mundo é realmente muito legal. A menina vai em busca do ser que tem a maior boca do mundo até que, para sua surpresa, descobre que ele não bicho, nem gente. A maior boca do mundo é a da noite. O texto usa o artifício da repetição para aumentar o suspense e a criança vai seguindo Laurinha em sua busca com o prazer que um somente uma bela história nos proporciona.
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sábado, 28 de março de 2009
Amar sempre, apesar das perdas
Cada livro tem o seu tempo. Assim é com os adultos e com as crianças. Foi o caso do belo A velhinha que dava nome às coisas, de Cyntia Rylant com ilustrações de Kathryn Brown, editado pela Brinque-Book. O Pedro ganhou este livro da Bebel, uma coleguinha dele, em seu aniversário de 4 anos, e nunca, nunca mesmo, me deixou lê-lo. A primeira tentativa que fiz foi interrompida com comentários de que o livro era chato e fim de papo. Na quinta-feira, resolvi desencavá-lo da estante e fazer nova tentativa. A leitura foi acompanhada com a maior atenção e, mesmo com os olhos pescando o sono, resistiu até o fim e, com uma carinha de prazer, disse que a história é muito legal. E ele tem razão. É mesmo muito legal a história da velhinha que perdeu todos os seus amigos para a morte e, com medo de sofrer, resolve não se ligar a mais ninguém. Por isso, ela passa a dar nome a coisas, como sua casa e sua cama, que sabe que vão durar mais do que ela. Assim, evita o sofrimento da perda. A estratégia de fuga dá certo até o aparecimento de um pequeno cãozinho. Mas a dona da história não cede fácil. Ela tem que perdê-lo para entender que o legal é viver os momentos, sejam eles eternos ou não. Um bom aprendizado para as crianças que sofrem por atencipação pensando no dia em que os pais já não estarão aqui e em como sobreviverão à família que lhes deu tanto conforto. O cachorrinho ensina à velhinha que, se quiseremos, nunca estaremos sós, apesar de nossas perdas.
sábado, 21 de março de 2009
Será que é mesmo um ratinho?
Sei que falo pouco de livros para pequenos. Sei disso porque sinto falta do meu pequeno Antônio no blog. Mas confesso que tenho questões com os livros destinados aos bebês. O fato de eles não aguentarem ouvir histórias com muito texto, não justifica que a maior parte dos livros para esta faixa etária seja desprovida de significado. O sentido não necessariamente se dá pelo texto, mas por sua riqueza simbólica. Isto a maior parte dos atuais livros não tem. A pobreza simbólica é que me faz refletir todas as vezes que vou a uma livraria, se o Antônio precisa mesmo de mais um livro. Mais um livro-brinquedo, mais um livro de texturas, mais um livro de pop-ups, mais um livro de sons, mais um livro de belas ilustrações, mais um livro sem significado algum... Ter muitos destes livros é igual a ter um quarto cheio de brinquedos que não acrescentam nada à vida das crianças. Por isso, mexo e remexo as prateleiras e, muitas vezes, saio de mãos abanando, me preparando para reler algum livro que ele já tem. Mas quando encontro um belo livro, fico muito feliz em poder oferecê-lo ao Antônio. Foi assim que me senti hoje ao entregar para meu bebê É um ratinho?, do ilustrador/autor belga Guido Van Genechten, pela Gaudí Editorial. A obra é belíssima, sem ter nenhuma linha de texto. O livro é um cartão que se dobra várias vezes. A criança ao desdobrá-lo vai surpreendendo-se com a transformação de um bicho em outro. Será que é mesmo um ratinho? Vale a pena entrar nesta brincadeira. E quem quiser mais, tem os outros títulos É uma rã?, É um caracol? e É um gato?.
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sexta-feira, 20 de março de 2009
Caramba está em busca de suas qualidades
Hoje é dia de novidade aqui em casa. O Pedro sempre traz um livro da escola. Normalmente um livro que não conhecemos e que nos abre uma nova janela para a prosa ou a poesia. Mas hoje não foi nada disso. Ele trouxe pela terceira vez um dos livros da série Estela e Marcos, da ilustradora/escritora Marie-Louise Gay, editados pela Brinque-Book. Já falei de um destes livros neste blog, mas não posso deixar de citar novamente esta autora que nos encanta com a ingenuidade e a poesia da fala das crianças. Para não repetir dicas, vou falar de outro livro dela, tão encantador quanto as histórias dos irmãos Estela e Marcos. É o Caramba, editado pela Callis, que tem como protagonista um belo e inseguro gatinho. Ele confessa para sua melhor amiga, uma porquinha, sua tristeza por não voar como os outros gatos. "Ué, mas gato não voa!", foi dizendo o Pedro, logo no início da história. "Mas nesta história, eles voam", repliquei, calando o realismo de meu filho. Bom... dá para imaginar que o protagonista vai passar por várias provações até descobrir que também tem seu valor. Afinal, o Caramba nada. "Gatos não nadam! Todo mundo sabe disse!", disse um dos primos de Caramba, tão incrédulo quanto o Pedro. Mas o Caramba nada e fica muito feliz em descobrir sua qualidade, que o leva como o voo a experimentar a sensação de liberdade. O livro é lindo e ajuda nossos filhos a se apaziguarem com suas inseguranças.
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terça-feira, 17 de março de 2009
Criança quer brincar, brincar e brincar
Não existe quem nunca tenha ouvido, quando criança, a pergunta "o que você quer ser quando crescer?". Hoje, a resposta dos meninos brasileiros a esta questão é quase sempre a mesma: jogador de futebol. Na turma do Pedro, que tem 7 anos, oito dos 10 meninos querem ser craques da pelota. Meu afilhado, de 9 anos, estuda inglês pensando no dia em que jogar na Europa. Mas antes das crianças sonharem e fantasiarem um futuro de glória ou delícias - eu queria ser dona de uma loja de guloseimas -, elas ouvem muito a clássica pergunta "o que você quer ser quando crescer?". Nem todas entendem o que isso quer dizer. O Antônio, tenho certeza, às vésperas de completar dois anos, nem sonha com o futuro. Assim, como o Pedro, aos cinco anos, ao ouvir pela primeira vez esta pergunta. Ele pensou bastante antes de responder sem rodeios: "Quero ser macaco." A desimportância deste tema para o Pedro, naquela época, encontrou eco na leitura do livro O que você quer ser, Zeca?, de Jeanne Willis, com ilustração de Mary Rees, editado pela Salamandra. O livro mostra como nos primeiros anos da infância esta questão existe somente por causa ansiedade dos adultos. Zeca é atormentado pelos parentes curiosos em saber o que ele quer ser quando crescer. Todo mundo tem um projeto grandioso para ele. Coitado do menino! Tem gente querendo que ele seja um gênio da informática, bailarino, joquéi e, até, político. Mas ele só quer ser uma criança normal, brincar, brincar e brincar. A resposta dele coloca os adultos em seus devidos lugares.
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segunda-feira, 9 de março de 2009
Um Lé com Cré cheio de sentido
Sempre olho desconfiada para livros de poesia para criança. Poesia é poesia. Não tem essa de ser para criança. O que tem é poesia falando do universo da criança, assim como música. Por isso, quando vejo uma bela edição de poesia para crianças compro logo para ler para o Pedro e, agora, para o Antônio, meu bebê. Eu adoro poesia e gostaria muito que meus filhos tirassem dos versos o mesmo prazer que eles me dão. Por isso, não abro mão de um bom livro como o Lé com cré, do poeta José Paulo Paes, ilustrado por Alcy e editado pela Ática. Na primeira vez que o li para o Pedro e o Antônio, que além de não parar quieto ainda ameaçava arrancar o livro de minhas mãos, os poemas de Paes fizeram o maior sucesso. Também pudera, ele fala, com o talento de sua poesia, de pulga, Frankenstein, de advinhas e de uma belíssima versão do Cadê?. Vale a pena ler e reler.
terça-feira, 3 de março de 2009
Eva Furnari faz graça com a língua
Quem não conhece Eva Furnari está na hora de conhecer. A ilustradora é autora também de alguns saborosos livros. Alguns com texto e outros só com imagens. Mas os meus preferidos são três que fazem graça com a língua. Você troca, Não confunda e Assim assado, todos da Editora Moderna. Eva propõe uma brincadeira com o leitor, apresentando criativas e engraçadas ilustrações com textos rimados. "Você troca um espião com preguiça por um ladrão de salchiça?", pergunta a autora para a criança. Os livros são tão legais e entram tão na onda da criançada próxima da alfabetização, que adora uma rima, que frequentemente são adotados por escolas na primeira série. Meu filho Pedro usou o Você troca na escola, mas, antes, ainda na educação infantil, se divertiu muito me ouvindo ler as rimas de Eva Furnari. Um detalhe divertido é imaginar como é a autora que se apresenta com um auto-retrato onde aparece como uma bruxinha, a semelhança de seu personagem mais famoso criado para a Folha de São Paulo. Mas, posso garantir, que ela não se parece nem um pouco com uma bruxinha.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
A primeira visão do universo
Há 400 anos, Galileu Galilei usou pela primeira vez uma luneta. O instrumento permitiu que ele descobrisse as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vênus, os quatro grandes satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e aglomerações de estrelas da Via Láctea. A luneta criada pelo cientista florentino levou o olhar do homem para o céu, inaugurando uma nova era na história da humanidade. Mas o preço de sua ousadia não foi barato. Galileu foi condenado por heresia pelo Tribunal da Inquisição, da Igreja Católica, por aderir à teoria do heliocentrismo, proposta por Copérnico. Ele, que foi obrigado a se retratar, também acreditava que o Sol era o centro do universo e não a Terra. Hoje, com instrumentos muito mais precisos e sofisticados, os cientistas podem conhecer detalhes de nosso universo. Aproveitando o Ano Internacional da Luneta, decretado pela Unesco, podemos apresentar aos nossos filhos este fascinante universo que encanta a todos nós, crianças ou adultos. Um bom começo é o livro O Sistema solar em terceira dimensão, da Todolivro. Ele nos apresenta belas fotos, em 3D, dos planetas e das luas do sistema solar e informações básicas sobre cada um deles. A leitiura fez com que o Pedro descobrisse a Lei da Gravidade ao duvidar que a Terra pudesse rodar em torno do Sol e de si mesma. "Se isso fosse possível, eu estaria balançando e estou parado", disse meu pequeno. Foi então que, com a ajuda do livro, do globo terrestre de seu quarto e de minhas noções básicas de física falei sobre a Lei da Gravidade. Acho que ele entendeu.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Uma vizinhança de futuro
Tem tempo que não atualizo o blog. Mais precisamente 11 dias. Acho que nunca fiquei tanto tempo longe, mas é que fevereiro é um mês complicado. Volta às aulas, aniversário do Pedro, carnaval - ah! meus dias de folia - e este sol de rachar o coco. Com tudo isso fica difícil arrumar tempo e concentração para fazer qualquer coisa que não seja trabalhar e cuidar da vida, aí incluído marido , filhos e casa. Ia até me esquecendo da casa, que dá um trabalhão. É supermercado, feira, empregada e muito mais. As vezes dá até saudades do tempo que era solteira e saracoteava por aí nas horas vagas com o Cadoca, hoje meu maridão. Foi impossível não lembrar destes dias ao ler o criativo Vizinho, Vizinha, da Companhia das Letrinhas, que meu filho trouxe da biblioteca da escola. O livro é uma criação de Roger Mello, com a participação luxuosa das ilustradores Graça Lima e Mariana Massarani. À Graça coube desenhar a Vizinha, à Mariana, o Vizinho, e ao Roger, o belíssimo corredor do prédio, além da criação dos textos. Os dois vizinhos solitários vivem suas rotinas separados apenas por um corredor e sonham com a possibilidade de um dia se encontrarem. O desejo do encontro, pensei eu com malícia, ignora o que pode lhes acontecer no futuro. Mas, na verdade, na verdade, a melhor coisa da vida são os encontros, apesar de seus futuros encargos. Viva a casa da Lu e do Cadoca, com crianças, gato, empregada e muita confusão.
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Na Cocanha todos os desejos são satisfeitos
Quem não quer viver em um país onde todos seus desejos são satisfeitos? Desde a imortalidade até o ócio. Tudo perfeito! Nem tanto. Há quem morra de tédio nesta terra idealizada na frança medieval, que inspirou até os hippies dos anos 60. O poema nos é apresentado por Tatiana Belinky, uma bela autora de livros infantis, no Limeriques da Cocanha, editado pela Companhia das Letrinhas e ilustrado com inspiração por Jean-Claude Alphen. Vale a pena ler em voz alta para a criançada e imaginar-se com tão boa vida, mesmo que, ao fim, você conclua como o poeta que a perfeição leva ao tédio. Enfim, desconforto é fundamental. Mas o difícil é uma criança achar isso. O Pedro, por exemplo, deleitou-se imaginando-se na Coconha. A Cocanha seria seu reino e, em seu castelo, haveria toda a sorte de bugigangas eletrônicas, como o Wi e game boy. Mas ele seria um rei generoso. Chamaria todos os mendigos do Rio para morar na Cocanha. Assim, eles teriam casa, comida e roupa lavada. A Cocanha para o Pedro é o paraíso, onde os pobres se tornam ricos e ele estaria no comando. Lugar melhor, não há.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009
Palavra Cantada é música boa
Hoje vou escrever para quem não conhece o grupo Palavra Cantada. Sei que a dupla Paulo Tatit e Sandra Peres já tem um enorme fã clube, mas sei também que há vários pais recentes que nunca ouviram falar na música maravilhosa que estes dois paulistanos fazem para nossos filhos. É música para criança, mas, repito o que disse do Rodapião, que adulto adora ouvir. Juro que isso não é clichê. Experimente ouvir os discos Meu neném ou Canções de Ninar sem contagiar-se pelas melodias e letras delicadas feitas para colocar nossos bebês para dormir. Já dormi muito embalada pelo Palavra Cantada. Mas fazer dormir não é o único objetivo do grupo, que conta com parcerias bacanas de Arnaldo Antunes, Ná Ozzetti e Hélio Ziskind. Tem música para todas as ocasiões. Meu disco favorito é o Pé com Pé, resultado de uma pesquisa sobre ritmos do Brasil. O CD tem dois discos, um instrumental e outro com as letras. Quem quiser pode apresentar suas crianças ao Palavra Cantada por meio dos DVDs de shows e maravilhosos clipes produzidos para a TV Cultura. Meu neném, o Antônio, não pode ouvir os primeiros acordes da já clássica Sopa do Neném para correr para frente da TV. Ele faz a festa, dança e bate palmas com Paulo Tatit e Sandra Peres. Além de ser diversão garantida, é música de qualidade para livrar nossas crianças das tolices comerciais que tanto se faz em nome delas. Se quiser saber mais, basta dar uma olhdada no site http://www.palavracantada.com.br/
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
A aventura da descoberta do Brasil
Estivemos nas férias a bordo da réplica perfeita da Nau Capitânea, navio com o qual Pedro Álvares Cabral desembarcou em 1500 em Porto Seguro, na Bahia. Os meninos, como não poderia deixar de ser, ficaram animadíssimos passeando pelo navio que, em mim, adulta, provocou uma certa frustração. Confesso que imaginava uma caravela enorme com uma cabine bacana para o comandante, mas que nada! A nau mais parece um barcão, onde 120 homens passaram dois meses, defecando ao mar e dormindo todos juntos em um porão úmido e escuro. Nada parecido, por exemplo, com o navio do Capitão Gancho. Mas a visita à nau, que é precidida por uma exposição sobre a aventura portuguesa, vale a pena. Na seqüência dela, vale emendar com a história de Ruth Rocha, ilustrada por Eva Furnari, em que o menino Pedrinho se envolve na aventura que foi a descoberta do Brasil. Faz muito tempo, no entanto, não é recomendável para crianças muito pequenas apesar de em sua contracapa estar indicado para crianças maiores de três anos. A história é longa e legal para quem já tem condições de entender um pouco deste encontro de dois mundos tão diferentes.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Brasileirinhos em verso e belíssimas ilustrações



O poeta Lalau e a ilustradora Laurabeatriz formam uma dupla e tanto! Eles são os autores da maravilhosa série Brasileirinhos, editada pela Cosac & Naify. São quatro livros em que eles apresentam em verso e em belíssimas ilustrações bichos brasileiros que estão em risco de extinção. A seleção dos bichos é um dos pontos altos dos livros, que nos apresentam desde o famoso e fofo peixe-boi até a desconhecida lagarixa-de-areia. Cada um deles ganha uma página dupla, onde um poema exalta suas características e qualidades e um pequeno texto informa sobre seu habitat, sua alimentação e a condição de risco em que vive. Os textos são fáceis e agradáveis e podem ser lidos para crianças bem pequenas. O Pedro foi apresentado ao primeiro deles, Brasileirinhos - na minha opinião o melhor -, aos três anos. Os outros - Novos Brasileirinhos, Mais Brasileinhos e Bem Brasileirinhos - vieram na seqüência e serviaram tanto para ele ter os primeiros contatos com a poesia, quanto para ele conhecer mais sobre os bichos brasileiros. Até hoje, já alfabetizado, gosta de folhear e ouvir as histórias destes bichos tão brasileiros. O encanto dos livros rendeu à série o selo de Altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil. Com justiça!
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domingo, 11 de janeiro de 2009
Uma fábula bem brasileira
Hora de dormir é para o Pedro igual a hora de contar histórias. Todo dia é a mesma coisa, ele escolhe três livros para eu ou o pai contarmos para ele. Tem dias que pede mais de três. Normalmente quando está mais cansado e não vai conseguir chegar acordado à segunda história. Foi o que aconteceu hoje. Ele me pediu que relesse Jabuti sabido e macaco metido, de Ana Maria Machado, editado pela Nova Fronteira, entre outros quatro livros. Mas só conseguiu ouvir a história de Ana Maria sobre uma disputa entre bichos de uma mata bem brasileira para saber qual é o mais sabido. A narrativa é muito legal e tem o tom de fábula, em que o comportamento dos bichos deixam lições de moral para nós, humanos. A fábula de Ana Maria nos ensina que muitas vezes aqueles que se acham os mais espertos são os bobos da história. Tudo em uma prosa impecável que ganha ainda mais brilho nas belíssimas ilustrações de Graça Lima que lembram a cerâmica de nossos índios do Xingu.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
A vida de Laura por Clarisse Lispector
Ninguém duvida de que Clarisse Lispector é uma escritora genial. Mas nem todo mundo sabe que ela escreveu para crianças. E, como não podia deixar de ser, sua literatura infantil é da melhor qualidade. O meu livro preferido é A vida íntima de Laura, ilustrado por Flor Opazo. Laura é uma galinha que tem o pescoço mais feio do mundo, e que, além de tudo, é burrinha e medrosa. Mas que apesar de burrinha, tem uns pensamentozinhos e sentimentozinhos. Imaginem só, uma história inteirinha dedicada a esta personagem tão comum, presente em qualquer quintal de interior. Pois é, mas o talento de Clarisse faz com que o relato da vida íntima de Laura seja um delicioso livro para ser compartilhado com os filhos. Ela escreve como quem conversa com a criança, surpreendendo-a com comentários maliciosos sobre a galinha Laura. É realmente muito divertido xeretar a vida de Laura pela lente do maravilhoso texto de Clarisse. Vale a pena ler este e os outros quatros títulos da escritora para crianças - Como nascem as estrelas, A mulher que matou os peixes, O mistério do coelho pensante e Quase de verdade, todos editados pela Rocco .
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Papo de urubu
O Caio, meu afilhado, tem nove anos e é um flamenguista doente. Não à toa ao ser indagado qual era seu livro preferido, escolheu Meu pequeno rubro-negro, do Gabriel Pensador, ilustrado por Mario Alberto e editado pela Belas Letras. Eu, uma tricolor convicta, tenho que admitir que o livro é muito legal e tem tudo para encantar os pequenos rubro-negros. O texto do Gabriel Pensador é coloquial e cheio de informações sobre a história do time e as ilustrações de Mario Alberto fazem jus à grandeza do espetáculo que é uma partida de futebol no Maracanã. Se contado com o entusiasmo de um torcedor, vale como um clássico. Mas para isso tem-se que acreditar no que se lê. Por isso, quando meu filho Pedro vem me pedir, até implorar, para que eu leia o livro para ele, digo não e mando que vá procurar o pai, flamenguista como ele. Afinal, sou tricolor e este livro é papo de urubu.
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sábado, 3 de janeiro de 2009
As marchinhas também encantam crianças
Na sexta-feira, eu e meu marido fomos assistir com uns amigos à reestréia do musical Sassaricando, e o Rio inventou a marchinha, em cartaz no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea. O espetáculo é tão legal que me arrependi de não ter levado o Pedro. Acredito que ele, apesar de ser uma criança, iria curtir a peça e a possibilidade de conhecer as marchinhas que nos deixaram uma herança de irreverência e clássicos, que de tão conhecidos parecem até música de domínio público. Afinal que criança nunca ouvir falar do pirata da perna-de-pau, do olho de vidro e da cara de mau? Do Zezé e sua cabeleira? Das touradas de Madri? E da Marcha do Remador? Elas podem não saber que eram marchinhas, mas que as conhecem, as conhecem. E pela cara das várias crianças que estavam na platéia, o musical pode ser um boa opção para nossos filhos.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Feliz ano novo!
Aproveito estas últimas horas de 2009 para desejar a todos, nesta virada de ano, o renovar das esperanças. Para isso, recorro ao mestre João Cabral de Melo Neto, em o Auto do Frade. " O mundo não é uma folha/ de papel, receptiva:/ o mundo tem alma autônoma,/ é de alma inquieta e explosiva./ Mas o sol me deu a idéia/ de um mundo claro algum dia."
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Um manifesto contra a intolerância
Confesso que nunca imaginei encontrar um livro infantil ilustrado pelo cartunista Jaguar, dono de um desenho irreverente que causou arrepios nos mandões da Ditadura Militar e à primeira vista não tem nada a ver com criança. Mas que nada! A Editora Ática apostou certo ao editar, em 1999, Dois idiotas sentados cada qual no seu barril..., o feliz encontro da maravilhosa Ruth Rocha com o traço de Jaguar. O livro é uma pequena grande obra que revela às crianças o absurdo da intolerância e suas possíveis conseqüências. O Teimosinho e o Mandão travam um áspero e irracional diálogo em torno de uma vela. O detalhe é que os dois estão sentados, cada qual, em um barril de pólvora. A intolerância faz com que eles terminem a história indo aos ares. Como diz Ruth Rocha: "Lá se vão os idiotas: era uma vez um teimoso, era uma vez um mandão..." A força do texto e do traço não deixam dúvidas nos pequenos leitores. A intolerância não traz bom resultado. Que a Ruth e o Jaguar nos contem outra!
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Bebê faz cocô no trono e puxa a descarga
O Antônio ganhou no Natal um lindo livro da minha mãe que vai me ajudar muito na hora de tirar suas fraldas. Cocô no trono, Benoit Charlat, da Companhia das Letrinhas, é grande, interativo, super bem ilustrado e fala direto para a faixa etária dos fraldinhas. Um pintinho muito engraçadinho observa vários bichos fazendo cocô na privada até que resolve, ele mesmo, sentar-se no trono para fazer seu cocozinho. Ao fim, educadíssimo, puxa a descarga provocando um coro de aprovação dos outros bichos que levantam-se em uma página de pop-up. O detalhe é que o pequeno leitor aperta na descarga para ouvir seu som. Sucesso garantido com os bebês.
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Marcos e Estela para todas as idades
Uma das tarefas mais difíceis de um escritor - acredito - é falar como uma criança pequena. Pouquíssimos são aqueles que conseguem reproduzir as falas improváveis de uma criança na primeira infância. Marie-Louise Gay, com certeza, é um deles. Sua série de livros sobre os irmãos Marcos e Estela, publicada pela Brinque-Book, é maravilhosa justamente por reproduzir nos diálogos dos dois a ingenuidade das crianças. Um fala com o outro os maiores absurdos com a autoridade de uma criança que ainda não distingue com clareza a realidade da fantasia. Fantasia que faz Marcos acreditar que uma borboleta é azul porque come pedacinhos do céu. Mas engana-se quem pensa que Marie-Louise quis fazer poesia fácil com esta idéia. Marcos estava, na verdade, respondendo à irmã que afirmou que as boboletas amarelas são aquelas que comem mel. As histórias são ainda mais deleciosas quando aparece o Fred, o cachorro de Marcos que, o menino jura, é adestrado. A delicadesa dos livros, ilustrados pela própria Marie-Louise, faz com que a editora os recomende para crianças de dois a oito anos. Mas arrisco dizer que é diversão para todas as idades, afinal quem não gosta de poder lembrar-se de como pensava quando era pequeno.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Para falar de ciência com crianças
Uma das lembranças mais fortes de minha infância é a quantidade de revistas que eu e meus irmãos tínhamos em casa. Eram muitos gibis, que depois de lidos serviam de cadernos escolares para meus ficticios alunos e de novidades em uma banca que montávamos vez em quando no quarto dos meninos. Nós gostávamos de tudo que é revista. Mas não lembro de nenhuma que falasse de curiosidades e ciências ao alcance de crianças. Nossa curiosidade encontrava respostas nas enciclopédias Barsa, Delta Larousse ou Conhecer que, na minha casa, volta e meia ia parar no banheiro. Hoje, as enciclopédias estão fora de moda e a internet vai ganhando espaço como instrumento de pesquisa. Mas nada como manusear um impresso! E quando ele é legal como a Ciência Hoje para Crianças a satisfação é garantida. A revista mensal tem uma pauta que fala de curiosidades científicas ou fatos históricos, das profissões, dos bichos em extinção, de histórias legais com ilustrações bacanas de nossos melhores ilustradores, enfim, uma revista de variedades para crianças que estão sendo iniciadas no mundo da ciência. Tudo isso com o selo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e um preço bem bacaninha. Para quem quiser saber mais, basta acessar a página http://cienciahoje.uol.com.br/view/418
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
A vida dos animais contada para bebês
Outro dia, na reunião de pais da turma do Antônio, meu caçula, uma mãe falou de sua dificuldade em escolher livros para para seu filho, como o meu, um bebê. Pois é realmente difícil! Como saber o que é legal entre os inúmeros títulos que as livrarias expõem com pouco texto e ilustrações bastante coloridas e chamativas? Pois o que tenho feito é tentar achar algum conteúdo, seja de informação ou afetivo, nos livrinhos que levo para meu bebê. Este Vida de tigre, Editora ABC Press, é um pequeno livro cheio de encanto. O Antônio adora ver o tigrinho na selva, nas florestas geladas, nadando, caçando, carregando os filhotes e, enfim, rugindo. Ele que ainda não fala, arrisca com sucessso um rugido de tigrinho. O título faz parte de uma coleção que conta ainda a vida das vacas, das ovelhas, dos hipopótamos, das zebras e dos pingüins. Tudo bem colorido, como gostam nossos pequenos.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Desconstruindo o lobo



O Pedro, meu filho mais velho, foi um apaixonado por Os três porquinhos. Todos os dias ele pedia para contar a história dos três irmãos perseguidos pelo lobo mau. A repetição era tanta, que comprei mais de uma versão para a história e a usei como tema de sua festinha de três anos. O Pedro, como outras crianças apaixonadas por esta história, tinha um medo enorme do lobo. Afinal, era um lobo muito mau que, em algumas versões, infernizava a vida dos porquinhos e, no original, comia os dois mais novos sem piedade. Mais tarde, desapegado dos porquinhos, ele começou a gostar de histórias de outros lobos. O lobo e os sete cabritinhos também era um clássico aqui em casa, apesar da violência da narrativa que acaba com o lobo jogado no lago com um monte de pedras na barriga. Dá para imaginar o fim trágico do malvado lobo que come os filhos de dona Cabrita. Até que chegou uma hora em que foi necessário desmistificar este tal lobo mau. Há uma série de livros que fazem isso. Mas há dois que valem a pena ser citados. Chapeuzinho Amarelo, do nosso Chico Buarque, ilustrado com maestria por Ziraldo e editado pela José Oympio Editora, e O cuidado com o menino, uma história inglesa de Tony Blundel, traduzida por Ana Maria Machado e editada pela Salamandra. São leituras maravilhosas que mostram que o lobo não é tão poderoso assim. A história de Chico é maravilhosa e leva a criança a perceber que o medo do lobo é fruto de sua imaginação e que, afinal, ele pode não ser tão mal assim. A libertação de Chapeuzinho é contada em versos que, se lidos com vontade, transformam-se em um mantra contra o medo. Para fechar o ciclo dos lobos, vale O cuidado com o menino. É bom mesmo ter cuidado, afinal o menino é tão esperto que faz do lobo faminto gato e sapato. O fim do lobo que se preparava para jantar o menino é surpreendente.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Feliz Natal!
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Um banho de imaginação
A ilustradora Mariana Massarani não só tem um belo traço, tem também boas histórias. Banho!, da Global Editora, é um divertido livro em que quatro irmãos - Edson, Edilson, Edmilson e Ednalva - são levados aos tapas para o banho por uma mãe que vira onça. Mas já que o banho é inevitável, que seja divertido. Enquanto Edson, Edilson e Ednalva se imaginam em uma aventura em um rio cheio de botos, piranhas, peixes elétricos, sucuris, Edmilson fica lendo um gibi no vaso sanitário. O banho rola e Edmilson no vaso. O banho acaba e Edmilson no vaso. As crianças vão jantar e Edmilson no vaso. A leitura é muito divertida. Afinal, quem não tem um Edmilson em casa, que parece que vai florir de tão plantado que fica no vaso. Além disso, quem quiser pode pesquisar na internet os peixes brasileiríssimos que as crianças da Mariana imaginam em seu banho.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Música para criança que adulto gosta de ouvir
Tem muita gente que torce o nariz quando o assunto é música para criança. Também pudera! A maior parte dos discos gravados para crianças tem uma qualidade musical bastante duvidosa. Mas quem estiver disposto a procurar coisa boa, acha. Este é o caso do Duo Rodapião, formado pelos professores mineiros Eugênio Tadeu e Miguel Queiroz. O repertório do duo é formado principalmente por músicas do folclore brasileiro e europeu, mas foge à obviedade dos discos de cantiga de roda. O Dois a dois, de 1994, e o Murucututu, de 2001, mostram a força da voz e de instrumentos prosaicos e improvisados para fazer uma música vibrante e cativante. O último lançamento do duo foi o Nigun, de 2007, com gravações de canções de várias partes do mundo. A palavra nigun é de origem hebraica, que quer dizer melodia sem palavras. É música para crianças e para adultos, que pode ser encontrada no site da Livraria Cultura.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
A viagem surrealista de Veríssimo
Aqui em casa cada um tem seu livro preferido. O meu marido já veio logo cobrando os seus: "Você tem que colocar no blog a dica do Eugênio, o Burro; Borba, o gato; e As aventuras do Avião Vemelho". Os dois primeiros são da genial Ruth Rocha com os desenhos bacanérrimos da Mariana Massarani. Realmente são ótimas leituras. Eugênio é um burrinho bem teimoso, que não quer fazer nada que os pais pedem. Quem não conhece um Eugênio? Já Borba é um gato metido a policial. Ele não se conforma com a interdição do destino que o fez gato e não cão policial e luta até o fim por seu sonho. Um obstinado. O último é do Érico Veríssimo, um dos meus escritores preferidos. Isso mesmo, o Veríssimo pai é autor de seis divertidos livros infantis. A minha edição é de 1983, da Editora Globo, com ilustrações de Vera Muccillo. Mas os livros podem ser econtrados em uma edição recente da Companhia das Letrinhas, com ilustrações da Eva Furnari. As histórias são uma confusão. Com certeza foram brotando da imaginação de nosso genial escritor no momento de colocar os filhos para dormir. São narrativas que misturam várias histórias clássicas e situações domésticas. O herói ou o anti-herói de As Aventuras... é o menino Fernando que pisa no rabo do gato, joga água quente no cachorro e pedra nas galinhas. Enfim, um típico peralta do século passado que se mete em uma viagem surrealista com um urso de pelúcia, um boneco negro e uma lata de biscoito. A bordo do avião vermelho, Fernando transforma-se no Capitão Tormenta. Bom... só lendo para crer em tanta imaginação. O resultado é que Pedro, meu filho, um pouco Eugênio, um pouco Borba e um pouco Capitão Tormenta, acaba sendo vencido pelo sono antes que as aventuras de Fernando cheguem ao fim. Afinal, é um livro de fôlego.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
O futuro do planeta está em pauta
Neste momento, na Polônia, autoridades estão reunidas mais uma vez, sob o manto da ONU, para discutir as mudanças climáticas que estão pondo em risco o futuro do planeta. A coisa é séria e nossas crianças têm que ser informadas sobre o problema e educadas para respeitarem o meio ambiente. Uma boa ajuda neste esforço é o livro O que está acontecendo com a nossa terra?, da jornalista Kristina Michahelles, editado pelo IBGE, e ilustrado com a criatividade de sempre da Mariana Massarani. Com a ajuda de um pingüim que veio parar, em 2000, na Praia de Copacabana, Kristina explica para o pequeno leitor o que é o efeito estufa e como o homem pode enfrentar o problema. Além disso, a autora propõe uma série de experiências e passatempos para que os pequenos possam aprender brincando que é necessário preservar a natureza para salvar o planeta. Vale a pena procurar o livro, que está em falta na livraria do IBGE.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Um belo momento para mãe e filho
Mamãe, você me ama?, de Barbara M. Joosse, da Brinque-Book, é um livro para a hora de dormir, com mãe e filho bem juntinhos. É um bom momento para reafirmar este amor enorme que une as mães a seus filhos, mesmo que eles nos levem à loucura em suas tentativas de testar limites e a nossa paciência. Barbara, com a ajuda das ilustrações de sua xará Barbara Lavallee, de inspiração esquimó, encontra uma maneira terna de dizer a nossos pequenos que eles podem nos irritar, nos deixar com medo, tristes e preocupadas, mas que, mesmo assim, nós sempre os amaremos. Esta leitura, com certeza, ajuda nossos filhos a lidar com o medo que toda criança tem de decepcionar a mãe.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Viva a casa dos beijinhos!
Tem tempo que não falo de livros para bebês. Pois bem, A casa dos beijinhos, de Cláudia Bielinsky, editada pela Companhia das Letrinhas, é uma boa pedida. O livro tem ilutrações super atraentes e interativas, convidando a criança a abrir as abas onde estão escondidos os textos. A história é singela como pedem os bebês. Neném é um cachorrinho que vai andando por todos os cômodos da casa, recusando beijinhos de vários bichos até encontrar seu irmãozinho e, por fim, os pais para os merecidos beijos. Como o livro é enorme (28cmX37cm), a impressão que tenho é que meu filho se sente no teatro quando o manuseia. É história para ser contada em voz alta, com o livro aberto no chão para permitir que o bebê brinque com ele. É livro também para irmãos brincarem juntos. Viva a casa dos beijinhos!
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Três respostas para uma vida feliz

Assim que meu filho mais velho nasceu, decidi que ele ganharia um livro, além do brinquedo desejado, em todos os natais e aniversários. Era uma forma de fazê-lo entender que livro também é presente. Até aí, tudo bem. O problema começou quando fui eu, em seu primeiro Natal, escolher o livro para presenteá-lo. Entrei naquela livraria bacana em frente ao Cinema São Luiz e comecei a procurar. Foi que encontrei um lindo livro, com ilustrações e textos de Jon J Muth, baseado em uma história de Leon Tolstoi. Pensei com os meus botões: é esse! Foi então que comprei As três perguntas, da Editora Martins Fontes. Não preciso continuar a contar a história para dizer que errei. Errei feio. O livro é realmente lindo, belissimamente escrito e ilustrado, mas não é indicado para um bebê como era meu filho. É legal para um menino, como ele é hoje, que começa a encarar o desafio de pensar sobre o que é essencial à vida, como propõe a fábula de Tolstoi adaptada para crianças. As respostas às três perguntas tocam a todos: adultos e crianças.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Amar também os diferentes
É longo o debate sobre inclusão e convivência com diferentes em uma sociedade marcada pela lógica da exclusão e da intolerância com os desiguais. Educar nossos filhos para a tolerância deve ser nossa contribuição para o futuro. Por isso, nunca é demais apresentar à garotada livros com este compromisso. O problema é encontrar títulos que tenham compromisso também com a qualidade literária. José Roberto Torero conseguiu com o seu talento garantir as duas qualidades em O pequeno rei e o parque real, da Editora Objetiva. O protagonista, um reizinho lindo e loiro, com sua intolerância não quer admitir em seu parquinho nenhuma criança diferente dele. Ao perceber que ficara sozinho o reizinho tem duas opções: fechar o parque e brincar com sua imagem no espelho ou abrir os portões para todas as crianças brincarem e se divertir a valer. O final quem escolhe são os pequenos leitores que se encantam com o texto todo rimado de Torero e o colorido das ilustrações de Vinícius Vogel. O livro foi um belo presente que minha amiga Daniela Schubnel deu a meu filho mais velho, quando meu caçula nasceu. Valeu, Schuschu!
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Seres mitológicos são sucesso garantido
Livros sobre seres mitólógicos e fantásticos são uma unanimidade. As crianças adoram ler sobre bruxas, fantasmas, lobos, unicórnios, centauros, mulas-sem-cabeça e outros seres que, ao mesmo tempo, as aterrorizam e as encantam. Por isso, é farta a literatura sobre estes seres. É preciso sentar no chão da livraria e escolher uns bem legais para apresentar para a garotada. Eu recomendo três: Bruxa, Bruxa, venha a minha festa, da Editora Brinque Book, Bichos que existem e que não existem, da Cosac Naify, e O grande livro dos seres fantásticos, da Editora Leitura. Eu sugiro que se apresente um de cada vez. O primeiro é um livro de belíssimas ilustrações, com pouco texto que recorre ao artifício da repetição muito comum nos livros para pequenos e apresenta personagens conhecidos desta faixa etária. O segundo, já pode ser apresentado a uma criança um pouco maior que possa se divertir brincando de advinhar se o bicho em questão existe ou não. O terceiro é legal para uma criança em fase de alfabetização que possa, ela mesmo, folhear o livro povoado de gnomos, quimeras, fadas, fenix e outros seres mitologicos. Vale a pena apostar na imaginação.
Uma prosa bem brasileira
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terça-feira, 18 de novembro de 2008
Grandes autores para pequenos leitores
A chuva que caiu ontem no Rio, alagando e engarrafando a cidade, me levou à Livraria Arlequim, no Paço Imperial, no Centro, para fazer hora. Não é que tive uma grata surpresa ao fuçar as estantes um tanto bagunçadas da casa? O belo livro Os encontros de um caracol aventureiro e outros poemas, de Federico García Lorca, da Editora Ática, editado especialmente para crianças. Os poemas foram selecionados e traduzidos pelo nosso poeta e ensaísta José Paulo Paes e ilustrados pelo premiado Odilon Moraes. No poema que dá nome ao livro, Lorca usa um diálogo entre rãs, formigas e um caracol para abordar temas sempre atuais, como a eternidade, a tolerância e o poder. A leitura é gostosa e, por meio dela, podemos apresentar o grande autor espanhol para nossos pequenos leitores. E, como a edição é bilíngüe, quem quiser pode ler os poemas no original.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Brincar no Museu do Índio
Visitar o Museu do Índio, na Rua das Palmeiras, em Botafogo, é sempre um bom programa. Mas agora, em novembro, ele pode ficar ainda mais divertido com o Jogo da Onça, uma brincadeira comum em Mato Grosso, em que os cachorros têm que encurralar a onça. O museu preparou um tabuleiro no chão para a criançada e os adultos brincarem de onça e cachorro. Quem quiser mais informações pode entrar no site do museu pelo endereço http://www.museudoindio.org.br/template_01/default.asp?ID_S=5&ID_M=516.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Misturando histórias
sábado, 8 de novembro de 2008
Contos para adultos incorformados
Confesso que nunca ouvira falar em Jacques Prévert até depararme com o instigante título Contos para crianças impossíveis, uma tradução da Cosac Naify. Mãe de uma criança impossível e apaixonada por histórias, resolvi comprar o livro ilustrado pelo brasileiro Fernando Vilela. Ao ler a apresentação do filósofo José Arthur Giannotti percebi de imediato que o livro não era exatamente para uma criança, mas para adolescentes e adultos incorformados. Isso mesmo. Jacques Prévert faz um manifesto contra o antropocentrismo que fez o homem destruir e dominar a natureza. Seu discurso é a favor da natureza, mas não foi escrito na recente onda do crescimento sustentável. Ele é um dos expoentes da literatura francesa do pós-guerra - sua primeira obra Paroles foi publicada em 1945 - e fala o francês do povo. Sua verve é libertária e questiona o modelo que nos fez senhores do mundo. Seu manifesto me encantou. Com certeza vou procurar para ler suas outras obras publicadas no Brasil: Dia de folga, da Cosac Naify, Carta das Ilhas Andarilhas, da 24 Letras, e Poemas, da Nova Fronteira.
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terça-feira, 4 de novembro de 2008
Educando gente bacana
Vale a pena acompanhar o blog da psicóloga Rosely Sayão. O diálogo com ela é bem legal para nos ajudar na difícil tarefa de educar nossos filhos. Ela fala sobre educação com uma ótica humanista, que foge da visão atual de que temos que criar profissionais para o mercado e aposta na complexidade dos seres humanos com seus defeitos e qualidades. Para ler basta acessar http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/
domingo, 2 de novembro de 2008
Livros moderninhos causam polêmica
Duas editoras suecas estão criando polêmica com a edição de livros infantis em que meninos e meninas vivem papéis trocados e têm famílias nada tradicionais. Leia mais em http://criancas.uol.com.br/novidades/bbc/ult4551u108.jhtm
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
A grande questão
Quem nunca se perguntou de onde veio, para onde vai e porque está aqui? A resposta não é fácil e com certeza não é única. Mas a gente pode encontrar uma ajuda para aplacar esta angústia, que nasce conosco, no maravilhoso livro do alemão Wolf Erlbruch. Nossas crianças não precisam saber alemão para brincar de filosofar sobre A Grande Questão. O livro foi editado com capricho, em português, pela Editora Cosac & Naify. A leitura compartilhada da obra, que ganhou o prêmio de melhor livro na Feira de Bolonha, em 2004, é uma divertida brincadeira entre adulto e criança, com cada um falando sobre o porque está aqui. Eu acho que estou aqui para amar os meus. E você?
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Pedro, cavaleiro de Atena
Pedro, meu filho mais velho, de seis anos, é um arteiro, como bem definiu sua professora ano passado. Ele adora uma bagunça e uma boa história, que pode vir pelos filmes ou pelos livros. Sua mais nova paixão é a série Os Cavaleiros do Zodíaco, de Masami Kurumada. Ele gosta tanto que passa o dia todo consultando as histórias e os personagens na Enciclopédia dos Cavaleiros do Zodíaco, da Conrad Editora. O livro é bem legal, traz todos os detalhes dos mangás, que tratam de uma luta entre Atena, filha de Zeus, e Hades, o guardião do mundo dos mortos. Em defesa dela, entram cavaleiros inspirados em mitologias. A história revelou ao meu filho um mundo de tragédias, heróis e aventuras que ele adorou. Por meio dela, já lemos Divinas Aventuras, de Heloisa Prieto, ilustrado por Maria Eugênia, da Companhia das Letrinhas, e estamos começando a ler a série Mitos Gregos, da editora Scipione. Mas o preferido dele continua a ser Os Caveleiros do Zodíaco. Pedro, inclusive, levou o livro hoje para a escola. Tomara que o cabeça-de-vento o traga de volta.
Pedro Pingüim, um pequeno grande livro
O Antônio, meu caçula, é um fofo. Ele tem apenas um ano e meio é já é um apaixonado por livros. Nesta foto, tinha um ano e três meses e estava se divertindo com o livro Pedro Pingüim, da Difusão Cultural do Livro. Ele tem toda razão, o Pedro Pingüim é uma pequena grande obra. Fala de um pingüinzinho que não se conforma em ser preto e branco e quer ser colorido, como o macaco, a boboleta, a baleia e outros bichos. Até que entende que o legal é ser como somos. Em seu caso preto e branco, como a zebra, o panda e o texugo. Apaziguado com si próprio, Pedro finalmente fica feliz em seu bando. Além de uma mensagem bacana, o livro dá ao bebê a possibilidade de explorar cores e texturas diferentes.
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Um bom programa: Costurando Histórias

Para quem não conhece o grupo Costurando Histórias, vale a pena ir neste fim de semana (1º e 2/11), de 13h às 18h, ao Centro Cultural da Justiça Federal, no Centro. O grupo, dirigido pela atriz Daniela Fossaluza, conta histórias em tapetes de tecido que funcionam como grandes livros interativos. A ténica foi desenvolvida há mais de 20 anos pela educadora francesa Clotilde Hamman, em parceria com seu filho, o diretor de teatro Tarak Hamman, para ser uma forma lúdica de incentivo à leitura. A atividade é gratuita e as senhas serão distribuídas 30min antes. O Centro Cultural da Justiça Federal fica na Avenida Rio Branco, 241, no Centro, o telefone é 3261-2550 e o site, http://www.ccjf.trf2.gov.br/.
O livro que você queria
Escolhi a dica de um site de procura de livros infantis – Livros para uma cuca bacana - para ser a primeira postagem deste blog por ser sempre difícil a escolha de um bom livro, que seja adequado a faixa etária do nosso leitor mirim. Basta acessar http://editora.globo.com/especiais/crescer_cuca_bacana/default.asp para procurar o livro que você quer, considerando a idade do pequeno leitor. E fica registrada aqui a pergunta para as editoras: por que não classificar por idade os livros infantis?
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