O Pedro me pediu para falar do livro Vira, vira, vira Lobisomem, de Lúcia Pimentel Góes, com ilustrações de André Neves e edição da Paulinas. Ele adorou a história. Quando cheguei com ela em casa, me pediu para ler duas vezes, depois levou o livro para o banheiro e, com sua leitura ainda claudicante, leu sozinho. Ao fim, o botou de baixo do braço e foi para a escola mostrar a novidade para seus amigos. A história ganhou o imaginário do Pedro com justiça. Lúcia fala de vida, amadurecimento e morte de uma forma mágica e poética, que convida a criança a ser uma testemunha especial da passagem de Lobisô pela vida. O personagem a cada sete anos se transforma em um outro bicho e, depois, volta à sua condição de homem. "Conheceu o peso dos anos, a força da vida, teve filhos, lutou pelos homens. Amadureceu. Não se assustava mais com as mudanças... Agora as esperava", diz Lúcia de seu Lobisô, que, apesar do nome, nunca se transforma em lobisomem. Mas aos 70 (10 x 7) ele vira borboleta e nunca mais desvira. É a forma cheia de magia que Lúcia achou para falar da morte. E para agradar ainda mais a meu menino, ela pontua cada período de sete anos da vida de Lobisô com uma equação matemática - que o Pedro adora. "Quando Lobisô fez 14 anos (2 x 7)", segue a autora na narrativa. Belo livro que fala da magia da vida para quem ainda está no início da tabuada, com 7 anos (1 x 7).
domingo, 28 de junho de 2009
A magia de se virar em vida
O Pedro me pediu para falar do livro Vira, vira, vira Lobisomem, de Lúcia Pimentel Góes, com ilustrações de André Neves e edição da Paulinas. Ele adorou a história. Quando cheguei com ela em casa, me pediu para ler duas vezes, depois levou o livro para o banheiro e, com sua leitura ainda claudicante, leu sozinho. Ao fim, o botou de baixo do braço e foi para a escola mostrar a novidade para seus amigos. A história ganhou o imaginário do Pedro com justiça. Lúcia fala de vida, amadurecimento e morte de uma forma mágica e poética, que convida a criança a ser uma testemunha especial da passagem de Lobisô pela vida. O personagem a cada sete anos se transforma em um outro bicho e, depois, volta à sua condição de homem. "Conheceu o peso dos anos, a força da vida, teve filhos, lutou pelos homens. Amadureceu. Não se assustava mais com as mudanças... Agora as esperava", diz Lúcia de seu Lobisô, que, apesar do nome, nunca se transforma em lobisomem. Mas aos 70 (10 x 7) ele vira borboleta e nunca mais desvira. É a forma cheia de magia que Lúcia achou para falar da morte. E para agradar ainda mais a meu menino, ela pontua cada período de sete anos da vida de Lobisô com uma equação matemática - que o Pedro adora. "Quando Lobisô fez 14 anos (2 x 7)", segue a autora na narrativa. Belo livro que fala da magia da vida para quem ainda está no início da tabuada, com 7 anos (1 x 7).
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Histórias para pequenos amantes de bichos
O Pedro sempre gostou mais de brincar com bichos do que com carrinhos. Ele tinha uma coleção de bichos que começou com as vaquinhas e cavalinhos de uma fazendinha, cresceu com os selvagens leões, trigres e outras feras e terminou com os dinossauros. Quando o Antônio nasceu fiquei com medo que meu caçulinha gostasse mais de carrinhos, já que ele mostrava interesse por carrões e carrinhos. Confesso que fiquei aliviada e feliz quando ele começou a imitar o som de animais e a não mostrar qualquer interesse em falar bibi ou vruummm. A alegria com que ele brinca com os bichos fez dele um merecedor herdeiro dos bonecos do Pedro. Eu fiquei contente, já que acho a troca das crianças com os animais muito mais bacana do que a paixão pela velocidade e pela beleza dos carros. Não é a toa que elas amam histórias de bichos. Realmente são o máximo. Poderia fazer uma enorme lista daquelas que não podem deixar de ser lidas, a começar pelas fábulas de Esopo e de La Fontaine. Mas não é preciso, todo mundo tem as suas preferidas. Entre as minhas e as do Pedro, com certeza, está o livro Como contar crocodilos, histórias de bichos, que reúne fábulas de índios e negros americanos, de Esopo, de asiáticos e de africanos recontadas por Margaret Mayo, com ilustrações de Emily Bolam e edição da Companhia das Letrinhas. As oito histórias, a começar pela que dá título ao livro, são uma delícia. Elas falam de esperteza dos mais fracos para sobreviverem aos mais fortes, de magia para explicar a existência e as características dos seres vivos, dos limites de cada um dos seres vivos, entre outros temas que fazem nossos filhotes pararem para ver e ouvir uma bela história. A qualidade do livro, com belas e vivas ilustrações, lhe rendeu, em 1996, o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil. Estou só esperando o Antônio crescer mais um pouquinho para apresentar este livro para ele.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A rica troca entre diferentes

Nunca tinha lido nada da escritora Ninfa Parreiras. Descobri a autora por meio dos belos desenhos de André Neves, no livro Um teto de céu, editado pela Difusão Cultural do Livro (DCL). A história é um poético encontro de uma moça da cidade com uma menina do deserto que nunca viu chuva e mora em um vilarejo onde as casas não têm teto e os habitantes nunca conheceram guarda-chuva, sombrinha, chapéu, capa de chuva e botas de plástico. A menina, porém, quer saber como é a chuva, seu gosto, seu cheiro e a sensação que lhe dá na pele. A moça de cidade com chuva lhe promete uma carta com notícias da chuva. Lindo diálogo e troca entre duas culturas tão diferentes. Mas meu filho Pedro não conseguiu deixar de ter pena da menina do deserto e reclamou do fim do livro que não leva a chuva para o vilarejo das casas em que o teto é o céu. "Não gostei. Achei que ia chover no fim", disse meu menino, sensível às dores alheias. Compreendo seu desconforto, mas o livro fala não de desigualdades, mas de diferenças e das infinitas possibilidades que existem em uma troca entre seres humanos distintos. sexta-feira, 19 de junho de 2009
Para onde vamos após a morte?
Acho que ainda é cedo para eu me sentir segura de que o Pedro tornou-se de fato um leitor. Mas digo que já vejo fortes indícios de que os livros fazem parte da vida de meu filhote. Acredito, sinceramente, que ele já tem prazer genuíno ao manusear os livros. Tanto é que, a seu pedido, eles ganharam um lugar privilegiado no quarto que divide com o Antônio. Os livros estão dispostos na primeira prateleira da estante e os brinquedos, na segunda. Ontem, quando cheguei com novidades do 11º Salão da Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil, no Galpão da Cidadania, na Gamboa, ele me falou que não devíamos mais comprar livros, porque estava acabando o espaço na estante. "Tudo bem. Não compramos mais", assenti. "Não, por favor, não", recuou rapidamente, me confessando que adora quando trago uma novidade. Mas nem todas o deixam feliz. Foi o caso da Preciosa pergunta da pata, da escritora belga Leen van den Berg, ilustrado por Ann Ingelbeen e publicado pela Brinque-Book. Tadinho do meu menino, chorou tanto quando percebeu que a pata tinha perdido um de seus filhotes que não quis esperar pelo fim do livro, que trata de forma lúdica e com alegres ilustrações a curiosidade de todos nós sobre para onde vamos após a morte. "Deve ser horrível perder um filho", disse aos prantos. Em minha tentativa de conversar com ele sobre o medo que a morte lhe impõe, percebi que na verdade ele temia, naquele momento, não a dele ou do irmão, mas a minha. Com o coração apertadinho fui falando que não morreria tão cedo e que, quando este dia chegasse, eu estaria tão velhinha que ele já teria aproveitado muito de mim para ter lembranças de sua mãe para o resto da vida. "Meu filho, quando este dia chegar, você já estará grande, terá seus filhos e terá muito para se lembrar de mim. Você não sentirá desespero com a minha morte, apenas saudades. E eu estarei sempre em seu coração". Foi o bastante para ele engulir tanto choro e pedir pelo pai, com quem dormiu em paz, e para eu me sentir confortada em saber que quando morrer vou ficar gravada no coração dos meus meninos.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
A bela caligrafia de dona Sofia
Acabo de ler para o Pedro A caligrafia de Dona Sofia, com texto e ilustração do pernambucano radicado em Porto Alegre André Neves. O livro, editado pela Paulinhas, em 2007, é tão lindo que foi parar no acervo básico da Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil. Texto e ilustração em perfeita harmonia, nos levam para o universo fantástico de uma senhora, professora aposentada, que decorou sua casa com poemas transcritos por ela própria. No momento em que percebe que já ocupou todos os cantos de sua casa com os versos mais bonitos ou aqueles, segundo a própria, mais importantes para sua vida, dona Sofa resolve distribuir poemas e flores para os moradores de sua pequena cidade. Por meio da poesia, quebra o isolamento no qual vivia e faz uma revolução na vida de seus vizinhos que foi sentida, aqui em casa, pelo Pedro. Ele, uma criança recém-alfabetizada, que está sendo treinada para escrever com letra cursiva, ficou muito interessado na bela caligrafia de dona Sofia e no garrancho de seu Ananias. "Deixa eu ver", pedia ele. André Neves não frustrou a curiosidade da minha criança. O livro é todo decorado, como a casa da dona Sofia, com trechos de poemas de vários autores escritos à mão e por delicadas e expressivas ilustrações. Agradou tanto que ele topou minha sugestão de levar o livro para sua professora, já que a turma está tomando intimidade com a língua por meio de poesias. Enfim... uma bela caligrafia e uma bela história capazes de encantar crianças e adultos, como o poeta Elias José, que deixou suas impressões sobre o livro em um elogioso prefácio.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Lendo em família
A medida que o Antônio foi crescendo, me deparei com um desafio: como colocá-lo para dormir ao mesmo tempo que o Pedro, sendo os dois crianças de idades tão diferentes. Se lia para o Pedro, ficava culpada de não estar com o Antônio. Se fazia o bebê dormir, deixava o grandão de lado. Até que um dia o próprio Pedro me deu a solução ao pedir para ler para o irmão. Os livros são sempre os do Antônio, que, com pouco texto e belos e interativos projetos gráficos, agradam em cheio a quem está, como o Pedro, concluindo o processo de alfabetização. O Antônio, por sua vez, fica atendido por ter seus livros lidos em um momento de intimidade com a mãe e o irmão. Um dos best sellers dos irmãos é o Seu Soninho, cadê você?, de Virginie Guérin, editado pela Companhia das Letrinhas. O livro conta a história de Jacó, um jacarezinho que sofre de insônia e fica berrando pela floresta para quem quiser ouvir: "Seu Soninho, você está aí?" Ao que o Antônio prontamente responde: "Não!" A resposta, por sinal, é muito sincera. Ele fica ligadíssimo na história e no livro e quando uma página chama mais sua atenção por suas possibilidades interativas a confusão começa. Ele tenta impedir o Pedro de passar a página e o Pedro resite em parar de ler. Enfim, o resultado é que o pau come. Come, diga-se de passagem, por causa da impulsividade do Antônio que com menos de um metro parece David enfrentando Golias. Mas não fosse por minha presença no meio dos dois, ele teria um fim bem menos glorioso que o de David. Paz refeita, terminado o livro é hora de separar os dois novamente. Porque senão, como na história de Virginie, o Pedro e o Antônio teriam a maior dificuldade de encontrar Seu Soninho.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Um menino feliz
A primeira vez que eu li O menino maluquinho, de Ziraldo, editado pela Melhoramentos, eu era uma adolescente em visita à casa de uma amiga da minha mãe, a Ivana, que tinha filhos pequenos. Como eu sempre gostei de crianças, fui arrumar o que fazer com elas. Achei na estante o livro, que me pareceu bacana, e resolvi ler para a menina, que, se não me falha a memória, se chama Rafaela. Li o livro num fôlego só, como deve ser e adorei. Adorei aquele menino maluquinho e encantador. Mas ele já não era mais assunto para mim, que já tinha crescido. Muitos anos depois, quando o Pedro começou a ser introduzido no mundo das histórias, resolvi comprar o livro para ele. O menino maluquinho já tinha quase 30 anos, mas fazia o meu Pedro, com uns quatro anos, lutar contra o sono para ouvir o fim de sua história. Foram muitas vezes que ele ouviu as traquinagens do menino, antes de se desinteressar e procurar outros personagens, até que, outro dia, veio da escola com um dever de casa que citava um trecho da obra. Procurei o livro e reli para ele. Encantado, como nas primeiras leituras, o Pedro prestou uma bruta atenção e mostrou-se ainda mais interessado quando os assuntos do maluquinho passaram a ser as namoradas e o futebol, sua maior paixão. Ao ouvir os versos finais do livro, que conta o momento em que o menino cresce e percebe que não era maluquinho, mas feliz, o meu Pedro sorriu de forma tão pura que tive a certeza de que ele, como o maluquinho, é um menino feliz.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Um pouco de Bel e Bia
O Pedro adorou tanto o pocket show Bel e Bia que apresentou a mais nova história de Márcio Trigo, dia 16 de maio, na Festa Literária de Santa Teresa (Flist), que assim que ele terminou me pediu para comprar o livro, editado pela Mirabolante. Na hora hesitei por achar que era muito texto para a idade dele, mas resolvi comprar. Bobagem a minha ter tido dúvidas. Ele tinha razão. É realmente muito legal a história das duas amigas que nasceram na mesma maternidade, brincaram e estudaram juntas e foram separadas pela decisão dos pais de Bia de mudar de cidade. As ilustrações de Mariana Massarani, com quem Trigo tem uma velha e bem sucedida parceria, dão ainda mais vida às traquinagens e às boas ações das meninas, dando a elas um gracioso ar hippie. Ele ouviu tudinho com o maior interesse. E eu, confesso, não pude deixar de me lembrar das minhas amigas de Tebas, em Minas Gerais, que foram e ainda são tão importantes na minha vida, apesar da distância. Fiquei até emocionada. O Pedro incrédulo com a minha reação me perguntou porque minha voz estava embargada. Quando falei que era pelo livro, ele riu. Envergonhada, também ri e perdi uma bela oportunidade de falar para meu filho como é bom ter amigos e cuidar deles. Fica para a próxima...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O caderno de desenhos de John Lennon
A Fabiana, babá das crianças, trouxe hoje um livro para o Antônio muito legal: Amor de verdade - desenhos para meu filho, de John Lennon, editado em 1999 pela Salamandra. Trata-se de uma coletânia de desenhos do Beatle para o filho Sean, organizada por Yoko Onu, que por sua linguagem oral e visual simples e lírica tem tudo para agradar aos pequenos. Os desenhos são bem prosaicos e ganharam legendas, segundo Yoko, nas brincadeiras de pai e filho. Na edição brasileira, elas têm a graça de Ruth Rocha. O Antônio, para quem a Fabiana trouxe o livro, adorou. Andou para cá e para lá com o livro, felizmente de capa dura, e me deixou ler algumas páginas. Cada uma delas traz uma ilustração diferente. São focas, cachorros, gatos, patos e outros bichos. As que o Antônio mais gostou foram as do cavalo dançarino, confirmando sua paixão pelos equinos. Uma boa maneira de apresentar o mundo encantado de John Lennon para nossas crianças.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Nunca é tarde para conhecer Lygia Bojunga
Uma pena eu adolescente não ter tido a oportunidade de ler Lygia Bojunga. Eu crescia ao mesmo tempo em que ela, jornalista e atriz, se tornava escritora. No lançamento de A Bolsa Amarela, seu terceiro romance, eu tinha apenas 11 anos. Mas, como Raquel, estava estranhando o mundo para o qual me preparava. Tenho a idade de Raquel e muitas de suas questões, mas, ao contrário dela, que teve uma bolsa amarela para carregar seus desejos e abrigar seus amigos imaginários, passei este período da vida sozinha com meus medos e desconfortos. Não foi fácil. Os livros que lia - da minha mãe, da escola ou da Biblioteca de Tebas, lugarejo de Minas Gerais, em que passei três importantes anos de minha vida - não davam voz a adolescentes contestadores. Minhas heroinas eram As meninas exemplares, sempre obedientes, da Condessa de Ségur, e Pollyanna, a personagem de Eleanor H. Porter que supera suas dores e desconfortos brincando com o jogo do contente. Muito diferente de Raquel que nos convence na narrativa em primeira pessoa que tem todas as razões do mundo para estranhar seus pais e irmãos já grandes. Para mim, teria sido um alento saber, nos primeiros dias de minha adolescência, que, em algum lugar real ou imaginário, alguém estava passando pelas mesmas angústias que eu e estava buscando seus caminhos. Mesmo, agora, quase 33 anos depois e com o livro em sua 34ª edição, pela Casa de Lygia Bojunga, a narrativa de Raquel mexeu comigo ao me fazer reviver, com olhos de adulta, aqueles tempos de adolescer. A universalidade da narrativa de Lygia deu ao livro um reconhecimento merecido. A Bolsa Amarela ganhou o selo de ouro da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, dado anualmente ao livro considerado O Melhor para a Criança, e o Certificado de Honra do IBBY (International Board on Books for Young People). Traduzido em vários idiomas, a história foi encenada em teatros do Brasil, Bélgica e Suécia. Para quem ainda não leu, posso atestar: nunca é tarde para conhecer Lygia Bojunga.
domingo, 24 de maio de 2009
Onde há um ponto, há um caminho...
Descobri O Ponto, de Peter H.Reynolds, no blog Letra Pequena, do jornal português O Público, e corri para ver se este livro tinha sido editado em terras brasileiras. Felizmente sim. Nossa edição é da Martins Fontes e, por isso mesmo, é mais fácil encontrá-la na livraria da editora, na Avenida Rio Branco. O autor é ilustrador de vários livros, inclusive da série Judy Moody, no Brasil, pela Salamandra. Mas voltando a O Ponto, assim que tive o livro nas mãos, confirmei a opinião de Rita Pimenta, do Letra Pequena. A história é mesmo muito legal. Vashti, na edição portuguesa Vera, nome bem mais fácil para nossas crianças, é uma menininha que não sabe desenhar e, por isso, se recusa a fazer o trabalho da aula de artes. A professa, certa de que todos têm uma marca para deixar, a desafia a fazer um ponto e a assinar sua obra. Como diz a apresentação do livro, "onde há um ponto, há um caminho..." E Vashti acha seu caminho. A angústia de Vashti me lembrou a de meu filho Pedro, que, como eu, é um péssimo desenhista. Os deveres de casa que pedem desenhos são para ele um suplício. Uma tentativa e um lápis zunindo. Outra e o papel todo rabiscado. Mais outra e resmungos aos gritos. Enfim, um sofrimento que só acabou no dia em que achei um estêncil para ele fazer seu primeiro dinossauro. Satisfeito, ele passou o lápis sobre o dino, coloriu e foi mais feliz para escola. Mas eu queria que, ele, como Vashti, entendesse que para deixarmos nossa marca na vida não precisamos ser bons, mas apenas sabermos do que somos capazes.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
A grande idéia de Thierry Dedieu
Em matéria de livros, muitas vezes miro no que vejo e acerto no que não vejo. Foi o caso do As ciências naturais de Tatsu Nagata, editado pela Companhia das Letrinhas. Comprei pensando no Antônio, já que o livro fala de bichos, tem pouco texto e expressivas ilustrações. É claro que sabia que ainda teria que esperar um pouco para lê-lo para o Antônio, um bebê ainda, mas nunca imaginei que ia agradar ao Pedro. Logo o Pedro, que reclama quando o livro tem pouco texto, adorou. Na primeira vez que ouviu a história, fez pouco do cientista japones Tatsu Nagata, uma criação do escritor e ilustrador francês Thierry Dedieu, por ele dar singelas informações sobre a raposa, a toupeira, o crocodilo e a coruja. "Eu já sei disso tudo", resmungou, mas bem que gostou. Poucos dias depois, topou ouvir de novo, riu dos estratagemas de Tatsu para se proteger dos animais e pediu bis. Agora, volta e meia, a gente lê e vê (que delícia de ilustrações!) o caderno de anotações do grande cientista japonês, que tem cinqüenta anos e, desde criancinha, é observador da natureza. Vale a pena pelo humor, pelas cores e pela grande idéia de Tatsu Nagata, ops, de Thierry Dedieu.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Mamãe zangada não é vítima, nem algoz
Relutei muito antes de citar o livro Mamãe zangada, da alemã Jutta Bauer, editado pela Cosac Naify. Nada com a qualidade do livro, já que o texto e as ilustrações de Jutta são lindos e a edição, como todas da Cosac, muito bem cuidada. A razão de minha relutância se deveu a dois fatores: o livro ser muito badalado e, assim, eu ter pouco a acrescentar; e minhas dúvidas sobre para quem de verdade a autora fala, para mãe ou para o filho. Mamãe Zangada será, como disse a Renata, uma colega de trabalho que não tem filhos, um livro para as mães se envergonharem? Ou será um livro para pensarmos, mães e filhos, nos limites de nossa tolerância? Os acessos de ira, se respeitados os limites da civilidade, são normais nas relações entre mães e filhos. Quem nunca enlouqueceu sua mãe que joge a primeira pedra e a mãe que nunca gritou com o filho que me desminta. Acredito mesmo que a autora não queria fazer de Mamãe Zangada um manifesto politicamente correto contra a violência nas relações entre mães e filhos. Pelo contrário, em entrevista à Revista Babar, Jutta diz que "para se resolver conflitos há que se passar primeiro pela tristeza e pela dor". Desta forma, acredito que nesta história não haja vítimas, nem algozes. Afinal, a mamãe pinguim também sofre com a bronca que dá em seu filho. Como todas nós, mães, culpadas ou não.
domingo, 10 de maio de 2009
Uma história de amizade e traição
Raposa, de Margaret Wild, com ilustrações de Ron Brooks, editado pela Brinque-Book, é um belíssimo livro. Os personagens - um cão cego de um olho, um corvo sem uma asa e uma raposa invejosa - levantam várias questões que mobilizam as crianças: solidariedade, amizade, inveja, traição e arrependimento. Texto e ilustração criam um clima denso que deixa o pequeno leitor aflito com o destino de seus heróis. A raposa, confesso, causou desconforto até em mim, que li para o Pedro. Na ilustração da capa seus olhos são dourados, o que dá um olhar sombrio à invejosa raposa, que entra na história para separar o cão e o corvo. A ilustração é tão impressionista que o Pedro rejeitou o livro, dizendo que teria pesadelos com a história. Ele só me deixou lê-lo em um noite em que o Caio, meu afilhado, dormiu aqui em casa. Juntos, como deveria ser com o cão e o corvo, enfrentaram a raposa e seus medos. Tanta tensão tem um escape no final da história. A autora dá ao corvo o benefício do arrependimento. Tudo bem que ele terá que enfrentar um longo caminho de volta, sem a certeza do perdão. Belo livro para adultos e crianças que recebeu uma série de merecidos prêmios para texto e ilustração.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Gato de Sofá Deita e Rola na Flist
Levei até um susto quando vi que minha última postagem foi no dia 26 de abril. Mas a razão para eu ter abandonado o blog nesta semana foi justa. Me envolvi no projeto de criar uma edição especial do Gato de Sofá para a Festa Literária de Santa Teresa - a Flist, promovida pelo Ceat - Centro Educacional Anísio Teixeira. O resultado foi o Gato de Sofá Deita e Rola na Flist. O blog estará de plantão no dia da festa, 16 de maio, na Livraria Largo das Letras, na Rua Almirante Alexandrino, 501, para colher impressões de crianças e adultos sobre o evento e sobre livros. A idéia é construir junto com o público uma memória virtual da primeira edição da festa literária que vai acontecer de 9h às 18h, em vários pontos do Largo dos Guimarães, em Santa Teresa. A programação é bem legal. Tem café da manhã com a Lygia Bojunga, conversa com os poetas Ferreira Gullar e Ondjaki, oficina com os ilustradores Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello, entre muitas outras atrações. Vale a pena ir a Santa neste dia. Vai ter diversão para crianças e adultos, além de ser uma bela oportunidade de desfrutar do bucólico bairro.
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domingo, 26 de abril de 2009
O desejo de bem viver nos desenhos de Marlowa
Olha que legal que ganhei da ilustradora Marlowa: um conjunto de lindos cartões e um carinhoso bilhete que compartilho com vocês, além do livro O verdadeiro tesouro de Carla, ilustrado por ela, com texto de Luciara R. Da Silveira Pereira, que conta a história de uma menina iludida pelo consumismo. O presente, acreditem, me foi dado por sorteio - olha que sorte! - em que seu filho Enrique colocou a mão no saco e saiu meu nome e de uma amiga espanhola de sua mãe. Eu a Marlowa não nos conhecemos pessoalmente, mas estamos mantendo contato virtual desde que ela descobriu o meu blog na internet. Ao retribuir sua visita, tive a bela surpresa de deparar-me com seu blog (http://marlowa-marlowa.blogspot.com/). O desenho de Marlowa é delicado e expressivo e, tenho certeza, vai fazer muitas mulheres da minha idade se lembrarem dos dias em que, meninas, sonhavam com uma casa no campo e roupas feitas a mão. Enfim, de um tempo em que os sonhos eram apenas o desejo de bem viver.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
É o Bicho faz um gol de placa
O ilustrador Guto Lins fez um gol de placa com É o Bicho Futebol Clube, da Ediouro. O livro, com exatas 11 páginas, apresenta um a um os jogadores do escrete do time formado por bichos. Cada um deles - avestruz, cobra, hipopotamo e leão só para falar de alguns - tem uma qualidade no time. Os desenhos vigorosos e o texto bem humorado de Guto Lins garantem o sucesso do livro com a meninada, que, aqui em casa, só pensa em bola e em futebol. Isso mesmo, o livro agradou ao Pedro, com sete anos, e ao Antônio, com dois. Além disso, o autor presenteia as crianças com as ilustrações para elas criarem um time de futebol de botão com sucata, além de uma enorme lista com os nomes de craques que, nos tempos atuais, são parte de um passado remotíssimo, como Garrincha, Rivelino e Eusébio. Vale a pena procurar pelo livro, já que o título não é figurinha fácil nas livrarias.
domingo, 19 de abril de 2009
Um cãozinho encantador

Encontrar livros ricos de significado que sejam adequados para os pequenos é uma tarefa difícil. Mas de vez em quando dou a sorte de deparar-me com um bom título, como o Noite de cão, da ilustradora Graça Lima, editado pela Paulinas. Que belo livro! Que cãozinho encantador! Aquele pequeno basset hound incansável em sua aventura com a lua arrebata qualquer um. Na contra-capa, a autora conta que desejava brincar com a expressão noite de cão ao imaginar como ela seria vivida por um verdadeiro cachorro. O cãozinho de sua história cria uma enorme confusão com a lua, mas no fim tudo se ajeita. A idéia é o máximo e seu desenvolvimento é super criativo. Não a toa o livro ganhou o prêmio Jabuti, em 1992. O Antônio adorou ouvir minha versão da história contada pelo expressivo desenho de Graça Lima, sem uma linha de texto sequer, e eu adorei brincar de co-autora. Foi uma experiência tão bacana que resolvi mandar o livro para a escola para, assim, o Antônio poder vivê-la com a Fafá e seus amiguinhos.
Em tempo: O livro não serve apenas para os pequenos. É um livro para todas as idades.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Livro de menina para encantar mulheres
Outro dia fui comprar um livro para dar de presente para uma amiguinha do Pedro e tive uma bela surpresa. Vida de Boneca, de Luciana Rigueira, com as ilustrações delicadas de Elizabeth Teixeira, editada pela Paulinas, é livro de menina e foge da temática princesas e fadas. Eu que não tive a minha Branca e já me desfiz das minhas bonecas, fiquei até emocionada lendo, na livraria mesmo, o texto da minha xará Luciana sobre a boneca que passa de uma menina crescida para uma menina pequena. Lembrei do meu boneco preferido - o Marco Antônio - um francesinho, dado pela minha tia-avó Ana Maria, que era lourinho de cabelos cacheados, tinha olhos azuis e bochechas rosadas. Ele foi o único brinquedo do qual não me desfiz e ficou rolando na casa da minha mãe por anos, até que, um dia, o meu cachorro, Travolta, deu uma roída nas mãozinhas fofas dele. Fiquei em choque como nos dias em que meus irmãos o amarravam na corda da cortina e o jogavam, simulando um balanço, na parede. O Travolta tinha que ter escolhido logo meu boneco! Mas salvo da fúria de cachorro bebê, o Marco Antônio ainda ficou comigo por muito tempo até que, um dia, sem que eu percebesse, sumiu. Para seu lugar chegaram o Pedro e o Antônio, os dois de cabelos cacheados, um moreninho, outro lourinho, de olhos furta-cor e bochechas rosadas. Sempre que lembro do Marco Antônio, penso na coincidência de meus filhos serem tão parecidos com ele.
terça-feira, 14 de abril de 2009
O ritmo da fala do matuto
Eu gosto muito desta história. O bem com o bem se paga, recontado por Edgard Romanelli e editado pela Moderna, tem o ritmo do falar do matuto, de um brasileiro da roça. Um falar que a gente não vê mais por aqui, mas que ecoa até hoje na memória da minha infância vivida parcialmente em Tebas. A roça da minha história tem uma praça e duas ruas principais - uma para cima e outra para baixo - uma igreja, um campo de futebol, uma cadeia, um grupo escolar e uma biblioteca. Biblioteca fundada pelo tio Knnaip, um farmacéutico perdido no interior de Minas Gerais que se achou nos livros e na vontade de partilhar-los com o povo de lá. Uma bibioteca que me ensinou o prazer de ler e de jogar conversa fora sentada na calçada, protegida pela sombra e o aroma de uma árvore de jasmim. O Pedro, que nem sonha com a minha história, também ama a aventura do matuto que salva a onça e por pouco não acaba servindo-lhe de almoço. Até o Antônio encantou-se com a expressividade da onça, traçada por Alberto Nadeo, e prestou a pouca atenção que tem na última leitura que fiz do livro para o Pedro. Foi a primeira vez que li para os dois antes de dormir. Foi um prazer enorme, mas é claro que nenhum dos dois pregou o olho.
domingo, 5 de abril de 2009
Medos em uma noite escura
Nas minhas andanças pela rede acabei descobrindo um bom lançamento que, além de nos trazer uma nova história, nos apresenta a uma nova autora. É Noite escura, da escritora e ilustradora francesa Dorothée de Monfreid, editado pela Martins Fontes. Ela escreve sobre um menino, Fantino, que está sozinho em uma floresta. É noite e ele está com medo. Ao ouvir o primeiro barulho, Fantino aparavorado depara-se com um lobo. É quando, para sua sorte, encontra um esconderijo. De lá ele vê uma sucessão de bichos, cada vez mais assustadores, chegando e deixando os outros também apavorados. Apesar ter uma estrutura já conhecida e usada por outros autores, como Ruth Rocha, em Quem tem medo de Monstro, pela Editora Global, a história é muito legal. Dorothée encontrou originalidade em seus desenhos vibrantes e no desafio enfrentado por Fantino. O Pedro adorou a esperteza do menino e de seu amigo coelho para enfrentar tantas feras e tanto medo. Vivas para Dorothée que estará no Rio, em junho, para o 11º Salão da Fundação do Livro Infanto-Juvenil.
sábado, 4 de abril de 2009
O Rio está carente de leitura
Andei fuçando na rede para ver se descobria atividades no Rio em comemoração aos dias Internacional do Livro Infantil, na quinta-feira, e Nacional do Livro Infantil, no dia 18, e infelizmente só achei contações de histórias na Biblioteca Infantil da Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, e na Biblioteca do Estado do Rio de Janeiro. Já em São Paulo achei eventos bem mais criativos, com a presença inclusive de autores importantes de nossa literatura infanto-juvenil, como Tatiana Belinsky. Pobre do Rio... Nossos governos continuam tratando o livro como um objeto morto e de costas para a fantasia da criançada. Não a toa, neste país, a leitura ainda é um luxo. Como fazer nossas crianças tonarem-se leitoras se não há quem se interesse em apresentar o mundo dos livros para elas. Enfim... coisas do nosso decadente Rio de Janeiro. Mas nestas andanças virtuais acabei descobrindo que o 11 Salão da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil será realizado este ano no Galpão da Ação da Cidadania, na Gamboa, e gostei. O galpão é enorme, o que resolve o problema que havia na tenda do MAM de falta de espaço. Espero também que a organização promova umas atividades legais para que o salão, entre os dias 10 e 21 de junho, não se resuma a uma feira de livros. Nossas crianças merecem um evento criativo para incentivar a leitura.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Um leão malvado e um carneirinho esperto
Hoje, contei a primeira história de verdade para o Antônio, meu bebê, e ele ficou amarradão. Digo história de verdade por Leônidas e os carneirinhos, de Pierre Cornuel, editado pela Caramelo, ser um livro para crianças pequenas, mas sem os atrativos comuns nas edições para bebês, como texturas e sons. Leônidas é uma fábula em que um leão malvado engana carneirinhos inocentes. Mas, como toda boa fábula, o bem derrota o mal. Tomás, um carneirinho esperto, acaba descobrindo as malvadesas de Leônidas. Mas o melhor do livro são as ilustrações super bem humorados do francês Pierre Cornuel. Leônidas tem una juba de maluco-beleza e os carneirinhos são bem criancinhas. Ao fim da história, o leitor ainda é convidado a descobrir onde está o leão que fugiu desfarçado. Uma diversão para meu bebê e o irmão dele, um molecote de sete anos e ainda muita infância pela frente.
terça-feira, 31 de março de 2009
A boca da noite
O Pedro ainda era bem pequeno quando a Leni Medeiros, minha colega de trabalho, me presenteou com vários livros infantis da recém-desfeita bibliteca de seus filhos que estavam entrando na adolescência. A maior boca do mundo, de Lúcia Pimentel Góes, com ilustrações de Claudia Scatamacchia, veio nessa leva. O livro editado pela Ática caiu no gosto do Pedro, que me pedia para lê-lo quase que diariamente. Me pediu tanto que me animei a dar o livro de presente para alguns de seus amigos. A história do desafio que a avó de Laurinha propõe sobre quem tem a maior boca do mundo é realmente muito legal. A menina vai em busca do ser que tem a maior boca do mundo até que, para sua surpresa, descobre que ele não bicho, nem gente. A maior boca do mundo é a da noite. O texto usa o artifício da repetição para aumentar o suspense e a criança vai seguindo Laurinha em sua busca, com o prazer que um somente uma bela história pode nos proporcionar.
sábado, 28 de março de 2009
Amar sempre, apesar das perdas
Cada livro tem o seu tempo. Assim é com os adultos e com as crianças. Foi o caso do belo A velhinha que dava nome às coisas, de Cyntia Rylant com ilustrações de Kathryn Brown, editado pela Brinque-Book. O Pedro ganhou este livro da Bebel, uma coleguinha dele, em seu aniversário de 4 anos, e nunca, nunca mesmo, me deixou lê-lo. A primeira tentativa que fiz foi interrompida com comentários de que o livro era chato e fim de papo. Na quinta-feira, resolvi desencavá-lo da estante e fazer nova tentativa. A leitura foi acompanhada com a maior atenção e, mesmo com os olhos pescando o sono, resistiu até o fim e, com uma carinha de prazer, disse que a história é muito legal. E ele tem razão. É mesmo muito legal a história da velhinha que perdeu todos os seus amigos para a morte e, com medo de sofrer, resolve não se ligar a mais ninguém. Por isso, ela passa a dar nome a coisas, como sua casa e sua cama, que sabe que vão durar mais do que ela. Assim, evita o sofrimento da perda. A estratégia de fuga dá certo até o aparecimento de um pequeno cãozinho. Mas a dona da história não cede fácil. Ela tem que perdê-lo para entender que o legal é viver os momentos, sejam eles eternos ou não. Um bom aprendizado para as crianças que sofrem por atencipação pensando no dia em que os pais já não estarão aqui e em como sobreviverão à família que lhes deu tanto conforto. O cachorrinho ensina à velhinha que, se quiseremos, nunca estaremos sós, apesar de nossas perdas.
sábado, 21 de março de 2009
Será que é mesmo um ratinho?
Sei que falo pouco de livros para pequenos. Sei disso porque sinto falta do meu pequeno Antônio no blog. Mas confesso que tenho questões com os livros destinados aos bebês. O fato de eles não aguentarem ouvir histórias com muito texto, não justifica que a maior parte dos livros para esta faixa etária seja desprovida de significado. O sentido não necessariamente se dá pelo texto, mas por sua riqueza simbólica. Isto a maior parte dos atuais livros não tem. A pobreza simbólica é que me faz refletir todas as vezes que vou a uma livraria, se o Antônio precisa mesmo de mais um livro. Mais um livro-brinquedo, mais um livro de texturas, mais um livro de pop-ups, mais um livro de sons, mais um livro de belas ilustrações, mais um livro sem significado algum... Ter muitos destes livros é igual a ter um quarto cheio de brinquedos que não acrescentam nada à vida das crianças. Por isso, mexo e remexo as prateleiras e, muitas vezes, saio de mãos abanando, me preparando para reler algum livro que ele já tem. Mas quando encontro um belo livro, fico muito feliz em poder oferecê-lo ao Antônio. Foi assim que me senti hoje ao entregar para meu bebê É um ratinho?, do ilustrador/autor belga Guido Van Genechten, pela Gaudí Editorial. A obra é belíssima, sem ter nenhuma linha de texto. O livro é um cartão que se dobra várias vezes. A criança ao desdobrá-lo vai surpreendendo-se com a transformação de um bicho em outro. Será que é mesmo um ratinho? Vale a pena entrar nesta brincadeira. E quem quiser mais, tem os outros títulos É uma rã?, É um caracol? e É um gato?.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Caramba está em busca de suas qualidades
Hoje é dia de novidade aqui em casa. O Pedro sempre traz um livro da escola. Normalmente um livro que não conhecemos e que nos abre uma nova janela para a prosa ou a poesia. Mas hoje não foi nada disso. Ele trouxe pela terceira vez um dos livros da série Estela e Marcos, da ilustradora/escritora Marie-Louise Gay, editados pela Brinque-Book. Já falei de um destes livros neste blog, mas não posso deixar de citar novamente esta autora que nos encanta com a ingenuidade e a poesia da fala das crianças. Para não repetir dicas, vou falar de outro livro dela, tão encantador quanto as histórias dos irmãos Estela e Marcos. É o Caramba, editado pela Callis, que tem como protagonista um belo e inseguro gatinho. Ele confessa para sua melhor amiga, uma porquinha, sua tristeza por não voar como os outros gatos. "Ué, mas gato não voa!", foi dizendo o Pedro, logo no início da história. "Mas nesta história, eles voam", repliquei, calando o realismo de meu filho. Bom... dá para imaginar que o protagonista vai passar por várias provações até descobrir que também tem seu valor. Afinal, o Caramba nada. "Gatos não nadam! Todo mundo sabe disse!", disse um dos primos de Caramba, tão incrédulo quanto o Pedro. Mas o Caramba nada e fica muito feliz em descobrir sua qualidade, que o leva como o voo a experimentar a sensação de liberdade. O livro é lindo e ajuda nossos filhos a se apaziguarem com suas inseguranças.terça-feira, 17 de março de 2009
Criança quer brincar, brincar e brincar
Não existe quem nunca tenha ouvido, quando criança, a pergunta "o que você quer ser quando crescer?". Hoje, a resposta dos meninos brasileiros a esta questão é quase sempre a mesma: jogador de futebol. Na turma do Pedro, que tem 7 anos, oito dos 10 meninos querem ser craques da pelota. Meu afilhado, de 9 anos, estuda inglês pensando no dia em que jogar na Europa. Mas antes das crianças sonharem e fantasiarem um futuro de glória ou delícias - eu queria ser dona de uma loja de guloseimas -, elas ouvem muito a clássica pergunta "o que você quer ser quando crescer?". Nem todas entendem o que isso quer dizer. O Antônio, tenho certeza, às vésperas de completar dois anos, nem sonha com o futuro. Assim, como o Pedro, aos cinco anos, ao ouvir pela primeira vez esta pergunta. Ele pensou bastante antes de responder sem rodeios: "Quero ser macaco." A desimportância deste tema para o Pedro, naquela época, encontrou eco na leitura do livro O que você quer ser, Zeca?, de Jeanne Willis, com ilustração de Mary Rees, editado pela Salamandra. O livro mostra como nos primeiros anos da infância esta questão existe somente por causa da ansiedade dos adultos. Zeca é atormentado pelos parentes curiosos em saber o que ele quer ser quando crescer. Todo mundo tem um projeto grandioso para ele. Coitado do menino! Tem gente querendo que ele seja um gênio da informática, bailarino, joquéi e, até, político. Mas ele só quer ser uma criança normal, brincar, brincar e brincar. A resposta dele coloca os adultos em seus devidos lugares.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Um Lé com Cré cheio de sentido
Sempre olho desconfiada para livros de poesia para criança. Poesia é poesia. Não tem essa de ser para criança. O que tem é poesia falando do universo da criança, assim como música. Por isso, quando vejo uma bela edição de poesia para crianças compro logo para ler para o Pedro e, agora, para o Antônio, meu bebê. Eu adoro poesia e gostaria muito que meus filhos tirassem dos versos o mesmo prazer que eles me dão. Por isso, não abro mão de um bom livro como o Lé com cré, do poeta José Paulo Paes, ilustrado por Alcy e editado pela Ática. Na primeira vez que o li para o Pedro e o Antônio, que além de não parar quieto ainda ameaçava arrancar o livro de minhas mãos, os poemas de Paes fizeram o maior sucesso. Também pudera, ele fala, com o talento de sua poesia, de pulga, Frankenstein, de advinhas e de uma belíssima versão do Cadê?. Vale a pena ler e reler.
terça-feira, 3 de março de 2009
Eva Furnari faz graça com a língua
Quem não conhece Eva Furnari está na hora de conhecer. A ilustradora é autora também de alguns saborosos livros. Alguns com texto e outros só com imagens. Mas os meus preferidos são três que fazem graça com a língua. Você troca, Não confunda e Assim assado, todos da Editora Moderna. Eva propõe uma brincadeira com o leitor, apresentando criativas e engraçadas ilustrações com textos rimados. "Você troca um espião com preguiça por um ladrão de salchiça?", pergunta a autora para a criança. Os livros são tão legais e entram tão na onda da criançada próxima da alfabetização, que adora uma rima, que frequentemente são adotados por escolas na primeira série. Meu filho Pedro usou o Você troca na escola, mas, antes, ainda na educação infantil, se divertiu muito me ouvindo ler as rimas de Eva Furnari. Um detalhe divertido é imaginar como é a autora que se apresenta com um auto-retrato onde aparece como uma bruxinha, a semelhança de seu personagem mais famoso criado para a Folha de São Paulo. Mas, posso garantir, que ela não se parece nem um pouco com uma bruxinha.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
A primeira visão do universo
Há 400 anos, Galileu Galilei usou pela primeira vez uma luneta. O instrumento permitiu que ele descobrisse as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vênus, os quatro grandes satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e aglomerações de estrelas da Via Láctea. A luneta criada pelo cientista florentino levou o olhar do homem para o céu, inaugurando uma nova era na história da humanidade. Mas o preço de sua ousadia não foi barato. Galileu foi condenado por heresia pelo Tribunal da Inquisição, da Igreja Católica, por aderir à teoria do heliocentrismo, proposta por Copérnico. Ele, que foi obrigado a se retratar, também acreditava que o Sol era o centro do universo e não a Terra. Hoje, com instrumentos muito mais precisos e sofisticados, os cientistas podem conhecer detalhes de nosso universo. Aproveitando o Ano Internacional da Luneta, decretado pela Unesco, podemos apresentar aos nossos filhos este fascinante universo que encanta a todos nós, crianças ou adultos. Um bom começo é o livro O Sistema solar em terceira dimensão, da Todolivro. Ele nos apresenta belas fotos, em 3D, dos planetas e das luas do sistema solar e informações básicas sobre cada um deles. A leitiura fez com que o Pedro descobrisse a Lei da Gravidade ao duvidar que a Terra pudesse rodar em torno do Sol e de si mesma. "Se isso fosse possível, eu estaria balançando e estou parado", disse meu pequeno. Foi então que, com a ajuda do livro, do globo terrestre de seu quarto e de minhas noções básicas de física falei sobre a Lei da Gravidade. Acho que ele entendeu.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Uma vizinhança de futuro
Tem tempo que não atualizo o blog. Mais precisamente 11 dias. Acho que nunca fiquei tanto tempo longe, mas é que fevereiro é um mês complicado. Volta às aulas, aniversário do Pedro, carnaval - ah! meus dias de folia - e este sol de rachar o coco. Com tudo isso fica difícil arrumar tempo e concentração para fazer qualquer coisa que não seja trabalhar e cuidar da vida, aí incluído marido , filhos e casa. Ia até me esquecendo da casa, que dá um trabalhão. É supermercado, feira, empregada e muito mais. As vezes dá até saudades do tempo que era solteira e saracoteava por aí nas horas vagas com o Cadoca, hoje meu maridão. Foi impossível não lembrar destes dias ao ler o criativo Vizinho, Vizinha, da Companhia das Letrinhas, que meu filho trouxe da biblioteca da escola. O livro é uma criação de Roger Mello, com a participação luxuosa das ilustradores Graça Lima e Mariana Massarani. À Graça coube desenhar a Vizinha, à Mariana, o Vizinho, e ao Roger, o belíssimo corredor do prédio, além da criação dos textos. Os dois vizinhos solitários vivem suas rotinas separados apenas por um corredor e sonham com a possibilidade de um dia se encontrarem. O desejo do encontro, pensei eu com malícia, ignora o que pode lhes acontecer no futuro. Mas, na verdade, na verdade, a melhor coisa da vida são os encontros, apesar de seus futuros encargos. Viva a casa da Lu e do Cadoca, com crianças, gato, empregada e muita confusão.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Na Cocanha todos os desejos são satisfeitos
Quem não quer viver em um país onde todos seus desejos são satisfeitos? Desde a imortalidade até o ócio. Tudo perfeito! Nem tanto. Há quem morra de tédio nesta terra idealizada na frança medieval, que inspirou até os hippies dos anos 60. Esta terra nos é por Tatiana Belinky, uma bela autora de livros infantis, no Limeriques da Cocanha, editado pela Companhia das Letrinhas e ilustrado com inspiração por Jean-Claude Alphen. Os limeriques, como ela mesmo explica em verso, "são poeminhas/ Que sempre só têm cinco linhas./ Contando, rimados,/ Uns 'causos' gozados. Estórias bem piradinhas." Vale a pena lê-los em voz alta para a criançada e imaginar-se com tão boa vida, mesmo que, ao fim, você conclua como a poeta que a perfeição leva ao tédio. Enfim, desconforto é fundamental. Mas o difícil é uma criança achar isso. O Pedro, por exemplo, deleitou-se imaginando-se na Coconha. A Cocanha seria seu reino e, em seu castelo, haveria toda a sorte de bugigangas eletrônicas, como o Wi e game boy. Mas ele seria um rei generoso. Chamaria todos os mendigos do Rio para morar na Cocanha. Assim, eles teriam casa, comida e roupa lavada. A Cocanha para o Pedro é o paraíso, onde os pobres se tornam ricos e ele estaria no comando. Lugar melhor, não há.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Palavra Cantada é música boa
Hoje vou escrever para quem não conhece o grupo Palavra Cantada. Sei que a dupla Paulo Tatit e Sandra Peres já tem um enorme fã clube, mas sei também que há vários pais recentes que nunca ouviram falar na música maravilhosa que estes dois paulistanos fazem para nossos filhos. É música para criança, mas, repito o que disse do Rodapião, que adulto adora ouvir. Juro que isso não é clichê. Experimente ouvir os discos Meu neném ou Canções de Ninar sem contagiar-se pelas melodias e letras delicadas feitas para colocar nossos bebês para dormir. Já dormi muito embalada pelo Palavra Cantada. Mas fazer dormir não é o único objetivo do grupo, que conta com parcerias bacanas de Arnaldo Antunes, Ná Ozzetti e Hélio Ziskind. Tem música para todas as ocasiões. Meu disco favorito é o Pé com Pé, resultado de uma pesquisa sobre ritmos do Brasil. O CD tem dois discos, um instrumental e outro com as letras. Quem quiser pode apresentar suas crianças ao Palavra Cantada por meio dos DVDs de shows e maravilhosos clipes produzidos para a TV Cultura. Meu neném, o Antônio, não pode ouvir os primeiros acordes da já clássica Sopa do Neném para correr para frente da TV. Ele faz a festa, dança e bate palmas com Paulo Tatit e Sandra Peres. Além de ser diversão garantida, é música de qualidade para livrar nossas crianças das tolices comerciais que tanto se faz em nome delas. Se quiser saber mais, basta dar uma olhdada no site http://www.palavracantada.com.br/
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
A aventura da descoberta do Brasil
Estivemos nas férias a bordo da réplica perfeita da Nau Capitânea, navio com o qual Pedro Álvares Cabral desembarcou em 1500 em Porto Seguro, na Bahia. Os meninos, como não poderia deixar de ser, ficaram animadíssimos passeando pelo navio que, em mim, adulta, provocou uma certa frustração. Confesso que imaginava uma caravela enorme com uma cabine bacana para o comandante, mas que nada! A nau mais parece um barcão, onde 120 homens passaram dois meses, defecando ao mar e dormindo todos juntos em um porão úmido e escuro. Nada parecido, por exemplo, com o navio do Capitão Gancho. Mas a visita à nau, que é precidida por uma exposição sobre a aventura portuguesa, vale a pena. Na seqüência dela, vale emendar com a história de Ruth Rocha, ilustrada por Eva Furnari, em que o menino Pedrinho se envolve na aventura que foi a descoberta do Brasil. Faz muito tempo, no entanto, não é recomendável para crianças muito pequenas apesar de em sua contracapa estar indicado para crianças maiores de três anos. A história é longa e legal para quem já tem condições de entender um pouco deste encontro de dois mundos tão diferentes.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Brasileirinhos em verso e belíssimas ilustrações



O poeta Lalau e a ilustradora Laurabeatriz formam uma dupla e tanto! Eles são os autores da maravilhosa série Brasileirinhos, editada pela Cosac & Naify. São quatro livros em que eles apresentam em verso e em belíssimas ilustrações bichos brasileiros que estão em risco de extinção. A seleção dos bichos é um dos pontos altos dos livros, que nos apresentam desde o famoso e fofo peixe-boi até a desconhecida lagarixa-de-areia. Cada um deles ganha uma página dupla, onde um poema exalta suas características e qualidades e um pequeno texto informa sobre seu habitat, sua alimentação e a condição de risco em que vive. Os textos são fáceis e agradáveis e podem ser lidos para crianças bem pequenas. O Pedro foi apresentado ao primeiro deles, Brasileirinhos - na minha opinião o melhor -, aos três anos. Os outros - Novos Brasileirinhos, Mais Brasileinhos e Bem Brasileirinhos - vieram na seqüência e serviaram tanto para ele ter os primeiros contatos com a poesia, quanto para ele conhecer mais sobre os bichos brasileiros. Até hoje, já alfabetizado, gosta de folhear e ouvir as histórias destes bichos tão brasileiros. O encanto dos livros rendeu à série o selo de Altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil. Com justiça!
domingo, 11 de janeiro de 2009
Uma fábula bem brasileira
Hora de dormir é para o Pedro igual a hora de contar histórias. Todo dia é a mesma coisa, ele escolhe três livros para eu ou o pai contarmos para ele. Tem dias que pede mais de três. Normalmente quando está mais cansado e não vai conseguir chegar acordado à segunda história. Foi o que aconteceu hoje. Ele me pediu que relesse Jabuti sabido e macaco metido, de Ana Maria Machado, editado pela Nova Fronteira, entre outros quatro livros. Mas só conseguiu ouvir a história de Ana Maria sobre uma disputa entre bichos de uma mata bem brasileira para saber qual é o mais sabido. A narrativa é muito legal e tem o tom de fábula, em que o comportamento dos bichos deixam lições de moral para nós, humanos. A fábula de Ana Maria nos ensina que muitas vezes aqueles que se acham os mais espertos são os bobos da história. Tudo em uma prosa impecável que ganha ainda mais brilho nas belíssimas ilustrações de Graça Lima que lembram a cerâmica de nossos índios do Xingu.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
A vida de Laura por Clarice Lispector
Ninguém duvida de que Clarice Lispector é uma escritora genial. Mas nem todo mundo sabe que ela escreveu para crianças. E, como não podia deixar de ser, sua literatura infantil é da melhor qualidade. O meu livro preferido é A vida íntima de Laura, ilustrado por Flor Opazo. Laura é uma galinha que tem o pescoço mais feio do mundo, e que, além de tudo, é burrinha e medrosa. Mas que apesar de burrinha, tem uns pensamentozinhos e sentimentozinhos. Imaginem só, uma história inteirinha dedicada a esta personagem tão comum, presente em qualquer quintal de interior. Pois é, mas o talento de Clarice faz com que o relato da vida íntima de Laura seja um delicioso livro para ser compartilhado com os filhos. Ela escreve como quem conversa com a criança, surpreendendo-a com comentários maliciosos sobre a galinha Laura. É realmente muito divertido xeretar a vida de Laura pela lente do maravilhoso texto de Clarice. Vale a pena ler este e os outros quatros títulos da escritora para crianças - Como nascem as estrelas, A mulher que matou os peixes, O mistério do coelho pensante e Quase de verdade, todos editados pela Rocco.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Papo de urubu
O Caio, meu afilhado, tem nove anos e é um flamenguista doente. Não à toa ao ser indagado qual era seu livro preferido, escolheu Meu pequeno rubro-negro, do Gabriel Pensador, ilustrado por Mario Alberto e editado pela Belas Letras. Eu, uma tricolor convicta, tenho que admitir que o livro é muito legal e tem tudo para encantar os pequenos rubro-negros. O texto do Gabriel Pensador é coloquial e cheio de informações sobre a história do time e as ilustrações de Mario Alberto fazem jus à grandeza do espetáculo que é uma partida de futebol no Maracanã. Se contado com o entusiasmo de um torcedor, vale como um clássico. Mas para isso tem-se que acreditar no que se lê. Por isso, quando meu filho Pedro vem me pedir, até implorar, para que eu leia o livro para ele, digo não e mando que vá procurar o pai, flamenguista como ele. Afinal, sou tricolor e este livro é papo de urubu.
sábado, 3 de janeiro de 2009
As marchinhas também encantam crianças
Na sexta-feira, eu e meu marido fomos assistir com uns amigos à reestréia do musical Sassaricando, e o Rio inventou a marchinha, em cartaz no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea. O espetáculo é tão legal que me arrependi de não ter levado o Pedro. Acredito que ele, apesar de ser uma criança, iria curtir a peça e a possibilidade de conhecer as marchinhas que nos deixaram uma herança de irreverência e clássicos, que de tão conhecidos parecem até música de domínio público. Afinal que criança nunca ouvir falar do pirata da perna-de-pau, do olho de vidro e da cara de mau? Do Zezé e sua cabeleira? Das touradas de Madri? E da Marcha do Remador? Elas podem não saber que eram marchinhas, mas que as conhecem, as conhecem. E pela cara das várias crianças que estavam na platéia, o musical pode ser um boa opção para nossos filhos.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Feliz ano novo!
Aproveito estas últimas horas de 2009 para desejar a todos, nesta virada de ano, o renovar das esperanças. Para isso, recorro ao mestre João Cabral de Melo Neto, em o Auto do Frade. " O mundo não é uma folha/ de papel, receptiva:/ o mundo tem alma autônoma,/ é de alma inquieta e explosiva./ Mas o sol me deu a idéia/ de um mundo claro algum dia."
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Um manifesto contra a intolerância
Confesso que nunca imaginei encontrar um livro infantil ilustrado pelo cartunista Jaguar, dono de um desenho irreverente que causou arrepios nos mandões da Ditadura Militar e à primeira vista não tem nada a ver com criança. Mas que nada! A Editora Ática apostou certo ao editar, em 1999, Dois idiotas sentados cada qual no seu barril..., o feliz encontro da maravilhosa Ruth Rocha com o traço de Jaguar. O livro é uma pequena grande obra que revela às crianças o absurdo da intolerância e suas possíveis conseqüências. O Teimosinho e o Mandão travam um áspero e irracional diálogo em torno de uma vela. O detalhe é que os dois estão sentados, cada qual, em um barril de pólvora. A intolerância faz com que eles terminem a história indo aos ares. Como diz Ruth Rocha: "Lá se vão os idiotas: era uma vez um teimoso, era uma vez um mandão..." A força do texto e do traço não deixam dúvidas nos pequenos leitores. A intolerância não traz bom resultado. Que a Ruth e o Jaguar nos contem outra!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Bebê faz cocô no trono e puxa a descarga
O Antônio ganhou no Natal um lindo livro da minha mãe que vai me ajudar muito na hora de tirar suas fraldas. Cocô no trono, Benoit Charlat, da Companhia das Letrinhas, é grande, interativo, super bem ilustrado e fala direto para a faixa etária dos fraldinhas. Um pintinho muito engraçadinho observa vários bichos fazendo cocô na privada até que resolve, ele mesmo, sentar-se no trono para fazer seu cocozinho. Ao fim, educadíssimo, puxa a descarga provocando um coro de aprovação dos outros bichos que levantam-se em uma página de pop-up. O detalhe é que o pequeno leitor aperta na descarga para ouvir seu som. Sucesso garantido com os bebês.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Marcos e Estela para todas as idades
Uma das tarefas mais difíceis de um escritor - acredito - é falar como uma criança pequena. Pouquíssimos são aqueles que conseguem reproduzir as falas improváveis de uma criança na primeira infância. Marie-Louise Gay, com certeza, é um deles. Sua série de livros sobre os irmãos Marcos e Estela, publicada pela Brinque-Book, é maravilhosa justamente por reproduzir nos diálogos dos dois a ingenuidade das crianças. Um fala com o outro os maiores absurdos com a autoridade de uma criança que ainda não distingue com clareza a realidade da fantasia. Fantasia que faz Marcos acreditar que uma borboleta é azul porque come pedacinhos do céu. Mas engana-se quem pensa que Marie-Louise quis fazer poesia fácil com esta idéia. Marcos estava, na verdade, respondendo à irmã que afirmou que as boboletas amarelas são aquelas que comem mel. As histórias são ainda mais deleciosas quando aparece o Fred, o cachorro de Marcos que, o menino jura, é adestrado. A delicadesa dos livros, ilustrados pela própria Marie-Louise, faz com que a editora os recomende para crianças de dois a oito anos. Mas arrisco dizer que é diversão para todas as idades, afinal quem não gosta de poder lembrar-se de como pensava quando era pequeno.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Para falar de ciência com crianças
Uma das lembranças mais fortes de minha infância é a quantidade de revistas que eu e meus irmãos tínhamos em casa. Eram muitos gibis, que depois de lidos serviam de cadernos escolares para meus ficticios alunos e de novidades em uma banca que montávamos vez em quando no quarto dos meninos. Nós gostávamos de tudo que é revista. Mas não lembro de nenhuma que falasse de curiosidades e ciências ao alcance de crianças. Nossa curiosidade encontrava respostas nas enciclopédias Barsa, Delta Larousse ou Conhecer que, na minha casa, volta e meia ia parar no banheiro. Hoje, as enciclopédias estão fora de moda e a internet vai ganhando espaço como instrumento de pesquisa. Mas nada como manusear um impresso! E quando ele é legal como a Ciência Hoje para Crianças a satisfação é garantida. A revista mensal tem uma pauta que fala de curiosidades científicas ou fatos históricos, das profissões, dos bichos em extinção, de histórias legais com ilustrações bacanas de nossos melhores ilustradores, enfim, uma revista de variedades para crianças que estão sendo iniciadas no mundo da ciência. Tudo isso com o selo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e um preço bem bacaninha. Para quem quiser saber mais, basta acessar a página http://cienciahoje.uol.com.br/view/418
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